"ln the end we will conserve only what we love. We love only what we understand. We will understand only what we are taught."
Baba Dioum, 1968




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2006-09-06
Um Autor Convidado

A actividade turística de observação de cetáceos exemplos de gestão
Rui Prieto e Sara Magalhães, biólogos marinhos

Os mamíferos marinhos são um grupo muito emblemático que, nas últimas décadas, tem despertado um interesse cada vez maior por parte das populações. Fruto desta atenção, e registada pela primeira vez na costa da Califórnia em 1955, a observação turística de cetáceos (mundialmente conhecida como "whale watching") tem evoluído de uma forma muitíssimo rápida em todo o mundo. Esta actividade é hoje praticada em pelo menos 87 países e territórios e estima-se que, anualmente, atrai mais de 9 milhões de turistas e produz mais de mil milhões de dólares.

Os benefícios que advêm da observação turística de cetáceos não são só socio-económicos mas, também, ao nível da conservação das espécies. Esta actividade tem sido promovida com o objectivo de garantir a protecção das populações de cetáceos, através da sensibilização do público e da implementação de incentivos económicos para proteger as populações e os seus habitats, embora a sua base possa ser de índole puramente cultural ou turística. Por outro lado, sendo uma forma de exploração de recursos vivos que não é letal, multiplica o valor intrínseco de cada animal e, mesmo quando visto por um prisma puramente comercial, promove a conservação do recurso (neste caso os cetáceos).

Mas é também possível que o rápido crescimento desta actividade venha a oferecer novos perigos para populações de cetáceos. Algumas ainda se encontram em recuperação da outrora difundida caça à baleia e outras enfrentam hoje ameaças graves como a poluição marinha e a degradação do seu habitat, a captura acidental em artes de pesca e a competição por recursos com o Homem.

Como resposta à presença humana, os cetáceos tanto podem alterar o seu comportamento e/ou fisiologia, a curto ou a longo prazo, como simplesmente podem habituar-se ou ignorar essa presença. Infelizmente, devido à dificuldade intrínseca de estudar estes animais aquáticos e aos seus longos ciclos de vida, os reflexos a nível populacional dessas alterações podem levar décadas a ser notados. Isto significa que uma actividade humana pode parecer não ter impacto na conservação das populações quando, na realidade, pode estar a causar efeitos populacionais negativos. Devido a essa incerteza adoptou-se, em muitas partes do mundo, um princípio de precaução pelo qual, na incerteza dos resultados da actividade de observação sobre as populações de cetáceos, se tenta minimizar os impactos mesmo sem ter dados que confirmem que estes impactos são negativos.

Com o fim da tradicional caça à baleia em 1987, esta actividade iniciou-se nos Açores em 1991, principalmente dirigida ao cachalote. A actividade tem crescido a um ritmo contínuo e é agora efectuada em todos os grupos de ilhas do arquipélago. Hoje, outras espécies são visadas além do cachalote, incluindo baleias de barbas, diversas espécies de golfinhos e, inclusive, as pouco conhecidas baleias de bico.

O Governo Regional dos Açores, à semelhança de outros locais no mundo, assistindo ao rápido crescimento da actividade, iniciou um processo de gestão da mesma. Só preservando as espécies observadas e o seu meio ambiente se poderão também proteger os interesses económicos das comunidades que deles dependem, uma vez que estão inter-dependentes. Com base noutros exemplos a nível mundial, nalguns estudos efectuados pela Universidade dos Açores, e através de uma auscultação às próprias empresas turísticas, foi publicada em 1999 a legislação regional da actividade, que veio a sofrer algumas alterações em 2003 (DLR 10/2003/A de 22 de Março).

Também no território continental português, a actividade tem vindo a desenvolver-se e, embora tenha começado muito mais tarde e, por isso, ainda seja menor do que nos Açores, tem potencial para se tornar numa actividade turística importante. Também aqui o Governo tentou adiantar-se ao crescimento da actividade e este ano foi publicada a legislação para actividade (DL 9/2006 de 6 de Janeiro).

Esta aposta na regulamentação atempada da actividade é muito positiva pois permite impor regras que garantam a sua sustentabilidade antes de haver interesses já instalados que tornem difícil o seu controle. Mas não é suficiente somente legislar. A regulamentação deve ser acompanhada de uma fiscalização eficiente e de formação dos operadores para garantir o cumprimento das regras e uma boa qualidade da actividade.

Por outro lado, a legislação deve ser dinâmica, no sentido de acompanhar as necessidades impostas por alterações da actividade, dos estados de conservação dos animais e de novo conhecimento técnico-científico. Uma vez que foram criadas sob o princípio da precaução e com poucos dados científicos disponíveis, deve ser dada prioridade a trabalhos científicos que verifiquem a validade das regras impostas e permitam melhorar as leis para ir de encontro aos interesses de conservação e de desenvolvimento social e económico de uma forma equilibrada.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-09-05
Curiosidades da Fauna e Flora

Perita em aerodinâmica...

Uma equipa de cientistas britânicos afirmou recentemente que a mosca (Musca domestica) é perita na arte de voar! Ela consegue dar 6 voltas por segundo, pairar, voar para cima, para baixo e para trás, dar saltos mortais, pousar no tecto e ainda muitas outras proezas. E tudo isto com um cérebro mais pequeno que uma semente de sésamo!

Mas as moscas da família Syrphidae (moscas-planadoras) são as campeãs na arte de voar. Estas conseguem pairar sobre um ponto, deslocar-se a grande velocidade para outro e regressar exactamente ao ponto de partida, evitando colisões.

Para já, apurou-se que certos padrões são controlados por sinais visuais e por órgãos de equilíbrio – balanceiros ou halteres – que os insectos possuem no tórax. Apesar de possuírem apenas uma dezena de músculos que facilitam as manobras aéreas, estes estão repletos de sensores. Além dos olhos compostos, que permitem uma visão panorâmica e detectam movimento, possuem pêlos e antenas sensíveis ao vento. Possuem também 3 sensores à luz, os ocelos, que facilitam o posicionamento. E dois terços de todo o seu sistema nervoso processam imagens visuais!

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-09-04
Uma Questão de Educação

O leão-marinho-californiano possui, na mandíbula:

1. 9 pares de dentes;
2. 5 pares de dentes;
3. 7 pares de dentes;
4. 3 pares de dentes.

Resposta à pergunta do dia 28/08/2006:
Os peixes cartilagíneos possuem os três sistemas reprodutivos, diferindo de espécie para espécie. O grupo dos seláceos (tubarões) têm a particularidade de apresentarem estas três estratégias reprodutoras (oviviparidade, viviparidade e ovoviviparidade).

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-09-03
Ao Sabor da Corrente

Portugal e o consumo de água

De acordo com um relatório do World Wildlife Fund (WWF), divulgado em Genebra no passado dia 13 de Julho, Portugal é o país mediterrânico que consome um maior volume de água, cerca de 1.212 metros cúbicos por habitante anualmente.

Entre os países mais "consumistas", o segundo lugar pertence à Espanha (870 m3/hab/ano), seguida de Itália (772 m cub/hab/ano), Grécia (708m cub /hab/ano), França (667 m cub/hab/ano) e Turquia (534 m cub/hab/ano).

Segundo este estudo, a cultura de regadio, praticada pelos países mediterrânicos, é a principal responsável pela falta de água, absorvendo cerca de 65% da água consumida nestes locais. No entanto, a severa falta de água que se tem verificado nos últimos anos, com uma diminuição da pluviosidade em 50% nos últimos 20 anos, tem causado estragos nas culturas agrícolas. No caso português, ocorreu uma perda de 60% da produção de trigo e 80% de milho, só no Verão de 2005, devido à escassez deste precioso recurso.

Para combater este problema, e que tende a agravar, a WWF sugere um maior envolvimento das autoridades locais e nacionais, com uma forte regulamentação do uso da água.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-09-02
Grandes Datas, Grandes Nomes

O Pai da Taxonomia

Carl von Linné, ou mais conhecido como Lineu, nasceu a 23 de Maio de 1707, em Stenbrohult, Suécia, e foi o fundador do sistema moderno de classificação científica dos organismos.

Muito cedo demonstrou um especial interesse pelas plantas e um verdadeiro fascínio pelos seus nomes. Ingressou no curso de medicina na Universidade de Lund, em 1727, tendo sido transferido para a Universidade de Uppsala, a mais prestigiada da Suécia, um ano depois.

Naquela altura, o estudo das plantas, para elaboração de medicamentos, fazia parte integrante do currículo escolar do curso de medicina. Foi então no decorrer deste curso que Lineu se começou a interessar, cada vez mais, pelo estudo da botânica.

Em 1735, terminou o curso de medicina na Universidade de Harderwijk, Holanda, tendo seguidamente ingressado na Universidade de Leiden, Holanda, para prosseguir os seus estudos. Foi, no entanto, neste ano que publicou a primeira edição do livro "Systema Naturae", onde propôs regras para classificar e denominar animais e plantas. Apresentou um sistema de classificação simples que substituiu as longas denominações de espécies, às vezes com dezenas de nomes que vigoravam na Europa de então.

Regressou à Suécia em 1738 como professor na Universidade de Uppsala em 1741, tendo recuperado o Jardim Botânico daquela Universidade, identificando as plantas de acordo com o seu sistema de classificação.

Continuou a rever a sua obra "Systema Naturae", tendo passado de um pequeno panfleto para uma obra de vários volumes, acrescentando consecutivamente inúmeras espécies vegetais e animais que foi coleccionando ao longo das muitas viagens exploratórias que realizou à volta do mundo.

Faleceu em 1778, deixando um enorme legado para as gerações futuras e que ainda hoje subsiste no actual sistema de classificação moderno.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-09-01
Alguém o Pensou

Courage and perseverance have a magical talisman, before which difficulties disappear and obstacles vanish into air.

John Quincy Adams (1767-1848) - 6º Presidente dos Estados Unidos da América. A sua maior contribuição para os Estados Unidos da América foi a elaboração da Doutrina Monroe, enquanto Secretário de Estado do presidente antecessor, James Monroe.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-08-31
O DE do ZM Recomenda

EFEDS 2006

A cidade alemã de Hamburgo irá receber a "2ª Feira Europeia sobre Educação para o desenvolvimento Sustentável", entre os dias 13 e 15 de Setembro de 2006.

Uma aposta na continuação do sucesso que representou o primeiro evento deste tipo, realizado em 1996, esta feira pretende rever os progressos na área da educação para o desenvolvimento sustentável que tenham ocorrido desde 1996.

Oceana

A Oceana é uma organização internacional sem fins lucrativos, que se dedica à protecção e conservação dos mares e oceanos do mundo através da investigação científica e realização de campanhas de sensibilização.

Fundada em 2001, esta organização conta com a colaboração de investigadores de cerca de 150 países, que se dedicam activamente na defesa e conservação do meio marinho. Com sede na cidade de Washington, dispõe de delegações noutros países do mundo, nomeadamente no Alaska, em Juneau, em Santiago no Chile e na Europa, em Madrid e em Bruxelas.

Visite o site desta organização e conheça as campanhas que decorrem a nível mundial e que pretendem reduzir níveis de poluição, regulamentar a actividade pesqueira no sentido de preservar os stocks de pescado e reduzir o seu impacto negativo nas populações de mamíferos marinhos e outras formas de vida marinha.

Informe-se como poderá participar na conservação dos mares e oceanos do mundo!

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-08-30
Um Autor Convidado

Uma meta por atingir
Chefe do Departamento Educacional

Quando ouvimos falar de educação, do que nos lembramos? Facilmente reportamos à nossa vivência, aos nossos tempos da escola primária, secundária e por aí adiante.

Mas o que é a Educação?

A Educação reúne duas palavras, por si só, auto-explicativas de todo o processo: Ensinar e Aprender.

E porque este processo não necessita de ser restrito à escola, todos nós somos, no fundo, educadores e educandos a vida inteira. É um facto que estamos continuamente a absorver e transmitir conhecimentos aos nossos parentes, colegas, amigos, etc., ao longo de toda a nossa vida social. E, se pensarmos bem, este é um processo comum e passivo. No entanto, constrói-nos como indivíduos, afirmando os nossos valores pessoais e a forma como vemos o mundo.

E porque é que a Educação Ambiental é um assunto cada vez mais comum?

Num mundo em que cada vez mais se fala de desenvolvimento sustentável, devido ao uso desregulado dos recursos naturais, há que incentivar a uma rápida mudança de atitudes de todos. É, pois, aí que a Educação Ambiental é uma peça fundamental.

Foi neste sentido que as Nações Unidas declararam a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014) como forma de promover a Educação Ambiental e a Educação para o Desenvolvimento Sustentável, onde se reforça a necessidade de uma maior consciencialização de todos para a temática da Conservação e escassez dos Recursos Naturais.

E é também com esta meta que o Departamento Educacional trabalha diariamente, contribuindo para que milhares de crianças e adultos, que anualmente nos visitam ou que connosco contactam, possam levar consigo uma consciência ambiental mais reforçada e, porque não, mudar alguns dos seus hábitos e rituais em prol de um consumo mais ordenado e consciencioso.

E porque cremos que todos temos sempre algo para ensinar e aprender, a Vossa opinião também conta. Assim, e com o findar do mês da celebração dos 15 anos do Zoomarine, cabe-nos agora deixar um desafio para todos aqueles que quererão deixar a sua opinião/ensinamento, numa nova rubrica que passaremos a publicar neste espaço de Educação Ambiental. Esta rubrica intitula-se "A Palavra dos Nossos Leitores", num formato em tudo semelhante à rubrica "Um Autor Convidado". Caso nos honrem com a aceitação deste desafio, a contribuição deverá ter as seguintes características:

- ser essencialmente educativa num determinado tema/assunto;
- estar relacionada com o ambiente, ciência e áreas afins;
- estar escrita numa linguagem acessível a jovens a partir dos 15 anos;
- não ter temáticas políticas ou religiosas directas;
- não visar negativamente instituições ou indivíduos (nacionais ou estrangeiros);
- ter, idealmente, entre 550 e 700 palavras (quatro mil caracteres, incluindo espaços);
- estar assinada a título pessoal (i.e., sem referência a qualquer entidade contratante).

O texto poderá ser sobre algum projecto ou espécies da área profissional do autor, e/ou abordar assuntos que, pessoalmente, mereçam/precisem de maior divulgação ou consideração. Pode ser uma abordagem a um problema ambiental que nos devia deixar mais alerta ou a revisão, de uma forma crítica (ou não), de um artigo científico ou jornalístico recente... O critério será de cada autor!

Todos os textos recebidos serão previamente revistos por uma Comissão de Avaliação multidisciplinar, constituída pelo Chefe do Departamento Educacional do Zoomarine, um Consultor Científico do Zoomarine, um especialista em Educação Ambiental, um jornalista e um especialista em Ambiente. Após revisão, os autores serão devidamente informados da possibilidade de publicação e respectiva data.

Esperamos poder contar com o Vosso contributo.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-08-29
Curiosidades da Fauna e Flora

Cristais anti-poluição

Especialistas da Universidade de Tóquio desenvolveram um cristal, à escala atómica, com formato de esponja, que permite capturar grande parte das emissões poluentes nos minutos seguintes aos arranques dos motores dos automóveis, cobrindo a falta dos conversores catalíticos, que demoram algum tempo a aquecer e a efectuar essa função. Este cristal é feito de alumínio, oxigénio e silicone e denomina-se SSZ-33, tendo capacidade de reter uma elevada quantidade de gases.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-08-28
Uma Questão de Educação

O sistema reprodutivo dos peixes cartilagíneos é:

1. ovíparo, ovovivíparo e vivíparo
2. ovíparo e ovovivíparo
3. ovíparo
4. ovovivíparo

Resposta à pergunta do dia 21/08/2006:
A morsa (Odobenus rosmarus), contrariamente aos outros pinípedes, que amamentam em terra, amamenta as suas crias no meio aquático, por um período que pode atingir os 2 a 3 anos.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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