Determine never to be idle. No person will have occasion to complain of the want of time, who never loses any. It is wonderful how much may be done, if we are always doing.
Thomas Jefferson (1743-1826). Advogado e político norte-americano, foi o terceiro presidente dos Estados Unidos da América, entre os anos 1801 e 1809.
Uma biblioteca audiovisual dedicada à avifauna, onde é possível encontrar sons, vídeos e fotografias. Esta base de dados cresce a cada dia, devido às contribuições dos seus utilizadores.
Não sei bem definir o exacto momento mas, desde que tenho consciência, o mar sempre fez parte do meu quotidiano e as razões para tal são mais que óbvias. Passo a explicar: além de nativo de Olhão, terra de pescadores e, segundo reza a história, também de contrabandistas, foram muitas as horas da minha infância passadas a ouvir histórias sobre o mar, contadas pelo meu avô materno - venturas e desventuras de um maquinista marítimo.
Nas entrelinhas de muitas destas histórias estavam autênticas lições de vida, algumas acompanhadas de expressões populares, intemporais. É uma delas que está na base desta história: Nem tudo o que vem à rede é peixe!
Pergunto ao leitor – quantas vezes já deu por si a utilizar esta expressão, nos mais diversos contextos?
Certamente muitas.
Esta célebre expressão popular tem-me acompanhado ao longo da vida, assumido diversos significados. Uns despertam-me sentimentos mais positivos que outros. Guardo com carinho as memórias da minha infância, mas hoje vejo-me obrigado a contar histórias bem mais tristes sobre o mar.
Os oceanos estão a saque! É escusado tentar esconder esta realidade. Todos os dias milhares de navios de pesca soltam amarras em busca dos preciosos recursos marinhos. Estas embarcações são bem diferentes das que navegavam nas histórias da minha infância. Estão munidas de uma série de equipamentos de alta tecnologia que auxiliam na navegação e na procura do valioso peixe, mas não foram só os equipamentos de navegação que evoluíram. Aconteceu o mesmo com as diferentes artes de pesca, um processo que tornou a captura mais eficaz, mas não mais eficiente.
Uma prova irrefutável do que foi referido anteriormente são os dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) - só no período entre 1992 e 2001 este organismo estima que, a nível mundial, cerca de 7.3 milhões de organismos marinhos foram descartados. Na base desta prática está, muitas vezes, o baixo valor comercial de inúmeras espécies que são capturadas, bem como indivíduos cujo tamanho é inferior ao mínimo legal para venda. Fazendo jus ao ditado: Nem tudo o que vem à rede é peixe!
Além da comprovada falta de eficiência das inúmeras técnicas de captura existentes, há que aliar os fortes impactos de algumas destas técnicas no ecossistema marinho – por exemplo, a técnica de arrasto. Esta técnica de pesca, que é das mais destrutivas, provoca fortes impactos no fundo marinho, devastando inúmeros ecossistemas únicos e capturando inúmeras espécies não alvo. Só na comunidade europeia existem cerca de 15 000 embarcações deste tipo.
Uma dura realidade, com impactos na biodiversidade global, que está muitas vezes bem longe dos nossos olhos. É mesmo caso para dizer: longe da vista longe do coração! Muitas vezes nem pensamos nos custos do que nos chega ao prato.
A problemática da gestão dos recursos pesqueiros é bem complexa, quanto equacionamos a enorme dependência que temos dos oceanos: perto 40 milhões de pessoas têm na pesca a sua fonte directa de rendimento e o peixe é a principal fonte de proteínas para consumo humano, representando 70% da proteína animal consumida.
Perante este cenário parece bem complicado chegar a um equilíbrio, pois é praticamente impensável deixar de pescar. A solução passa por regulamentar as capturas, desenvolver tecnologias de captura mais eficientes, que capturem acima de tudo as espécies-alvo e que minimizem os impactos nos ecossistemas e nas espécies não-alvo.
Estas são apenas algumas das medidas que podem, e devem, ser tomadas para travar a sobre-exploração dos recursos pesqueiros. Estas são essencialmente de cariz político e cientifico, no entanto, como cidadãos temos também um importante papel a desempenhar como consumidores.
Procurando saber a origem dos produtos e consumindo essencialmente peixe capturado através de técnicas sustentáveis, estamos a pressionar o mercado a mudar. Tornarmo-nos consumidores conscientes é talvez uma das maiores armas para tentar solucionar algumas destas problemáticas.
É urgente mudar o nosso comportamento relativamente aos recursos pesqueiros, sob pena de nem peixe vir à rede!
… a Era Mesozóica ficou conhecida como a Era dos Répteis?
Durante a Era Mesozóica, nomeadamente no Jurássico, as condições ambientais favoreceram a diferenciação dos grandes répteis incluindo os dinossáurios, pelo que é conhecida por Era dos Répteis, que dominaram tanto o ambiente marinho como o continental.
Durante o desenvolvimento geológico do Jurássico, e à medida que o supercontinente Pangeia se fragmentava (a América do Norte se separava da Eurásia e África), qual a massa de água que se formou?
1. Atlântico; 2. Panthalassa; 3. Pacífico; 4. Mar de Tethys.
Resposta à pergunta do dia 2009/08/17: Os maiores seres vivos que viveram no Jurássico eram dinossáurios saurópodes, que podem ter alcançado 35 metros de comprimentos e 60 toneladas. Estes podem ter sido, inclusive, os maiores animais que alguma vez habitaram o nosso planeta!
Uma descoberta recente talvez trará uma nova abordagem ao controlo de pragas de insectos.
Uma equipa do MIT, Estados Unidos da América, descobriu que algumas espécies de térmitas, um grupo de insectos que afecta inúmeras culturas e estruturas naquele país (com um custo estimado de 30 mil milhões de dólares por ano), são afectadas pela presença de derivados de glucose (açúcar), chamados GDL, reduzindo a sua resistência a infecções microbianas. Habitualmente, as térmitas produzem uma proteína antibacteriana que as protege da grande maioria dos micróbios circundantes das suas colónias.
Agora, com esta descoberta, abre-se uma nova “porta” na tentativa de controlar as populações de térmitas, bem como de outros insectos considerados pestes para a agricultura. Poderá ser este o princípio de uma nova era de pesticidas amigos do ambiente, biodegradáveis e que não representam uma ameaça à saúde humana?
A resposta talvez passe por apenas juntar açúcar...
É um organismo que sobreviveu ao longo dos tempos geológicos até à actualidade, sem sofrer mudanças morfológicas significativas.
Estes fósseis constituem formas vivas, que representam, actualmente, um grupo biológico de grande expansão nos tempos geológicos passados, mas reduzido, hoje, a um pequeno número de espécies e géneros.
To be yourself in a world that is constantly trying to make you something else is the greatest accomplishment.
Ralph Waldo Emerson (1803-1882). Escritor, filósofo e poeta americano. De entre as muitas obras por ele escritas, destacam-se "Self-Reliance", "History", "The Over-Soul", ou "Fate".
Curso de formação de Identificação de Aves de Rapina
O CEAI - Centro de Estudos da Avifauna Ibérica, organiza, nos fins-de-semana 12 e 13 e 19 e 20 de Setembro, 2 cursos de formação de Identificação de Aves de Rapina, em Sagres.
Esta acção de formação, no âmbito do projecto LIFE-Natureza “Conservação de Populações Arborícolas de Águia de Bonelli em Portugal”, será ministrada pelo formador Alexandre Leitão e é de frequência gratuita, sendo dada prioridade na inscrição aos alunos da Universidade de Évora, Instituto Politécnico de Beja e Universidade do Algarve.
O (en)canto das sereias… Isa Pinho, educadora ambiental
Desde sempre que estes seres da mitologia exercem um enorme fascínio nas pessoas, servindo até de inspiração a autores gregos, a filósofos contemporâneos ou cineastas. Para os filósofos antigos, as sereias eram donas de uma beleza inigualável, com um canto harmonioso e um grande poder de sedução, mas demasiado malignas, pois conseguiam seduzir e enganar os marinheiros para que estes encalhassem os seus barcos. Na Odisseia de Homero, o herói só se conseguiu salvar deste encantamento ao ser amarrado nos mastros do seu navio. Já nos contos infantis, a história de uma sereia linda, simpática e de bom carácter encanta as crianças....
Se são dóceis ou malignas, simpáticas ou ingénuas, uma coisa parece certa: são detentoras de uma grande beleza e graciosidade! Contudo Cristóvão Colombo, nos seus registos de viagens, afirmou que afinal as sereias não eram tão bonitas como o tinham levado a crer…
Segundo alguns historiadores, as sereias dos contos dos marinheiros não eram mais do que sirenídeos (o grupo que inclui os manatins e o dugongo), animais muito dóceis mas, embora o último tenha uma cauda semelhante à das sereias, fisicamente em pouco mais se assemelhavam a estas.
Os manatins e os dugongos são mamíferos marinhos que pertencem à ordem Sirenia, tendo os primeiros seres desta ordem aparecido há cerca de 55 milhões de anos. Actualmente só existem 4 espécies que são: manatim-das-Caraíbas (Trichechus manatus), que habita nas águas do mar das Caraíbas; o manatim-africano (Trichechus senegalensis), existente na costa ocidental de África, entre o Senegal e Angola; o manatim-do-Amazonas (Trichechus inunguis), que habita no rio Amazonas; e o dugongo (Dugong dugon), que está distribuído pelas regiões do Indo-Pacífico. A vaca-do-mar-de-Steller (Hydrodamalis gigas), que também pertencia a esta ordem, podia ser encontrada no mar de Bering, mas foi extinta no século XVIII (em 1768), somente 27 anos após a sua descoberta.
Estes animais de pele rugosa e sem dentes frontais, dóceis e solitários, são essencialmente herbívoros, alimentando-se preferencialmente de vegetação aquática. Passam o dia a viajar, a comer, a explorar o ambiente e a descansar. Embora possam formar grupos ocasionais, não estabelecem entre eles nenhum tipo de hierarquia social. A única estrutura forte ocorre entre a fêmea e a sua cria, que pode ficar por perto mesmo após o desmame.
Podem atingir os 60 anos de idade e devido à sua grande dimensão, indivíduos de maior porte de algumas espécies podem atingir os 4 metros e pesar 1400 kg, têm poucos inimigos naturais. Apesar disto, os seus números têm vindo a diminuir, encontrando-se actualmente ameaçados. Embora no passado tivessem sido caçados pela sua carne, gordura, ou ossos que eram utilizados para joalharia ou medicina tradicional, não foi esse o principal motivo que levou ao declínio das populações.
Uma vez que são animais que nadam a pouca velocidade em zonas costeiras de baixa profundidade e com muita vegetação, o número de colisões com barcos é bastante grande, sendo essa uma das principais ameaças com que se deparam. Outros problemas estão relacionados com o desenvolvimento costeiro, a alteração e poluição dos habitats, o aumento da actividade piscatória, ou a construção de barragens, onde os animais ficam muitas vezes presos nas comportas.
Pensando que as fêmeas atingem a maturidade sexual entre os 7 e os 10 anos, têm gestações de 12 meses, e dão à luz, em média, uma cria a cada 3 anos, percebe-se a dificuldade para aumentar as populações.
Muitas vezes as medidas de protecção a estes animais, e que podem salvar inúmeros indivíduos, passam por gestos tão simples como reduzir a velocidade dos barcos, procurando desta maneira evitar colisões; reduzir o tráfego marítimo nas suas zonas de distribuição; manter uma distância de segurança, em caso de aproximação, entre outras.
Podem não ser tão bonitos como as sereias da nossa imaginação, mas são com certeza tão fascinantes quanto estas…