O (en)canto das sereias… Isa Pinho, educadora ambiental
Desde sempre que estes seres da mitologia exercem um enorme fascínio nas pessoas, servindo até de inspiração a autores gregos, a filósofos contemporâneos ou cineastas. Para os filósofos antigos, as sereias eram donas de uma beleza inigualável, com um canto harmonioso e um grande poder de sedução, mas demasiado malignas, pois conseguiam seduzir e enganar os marinheiros para que estes encalhassem os seus barcos. Na Odisseia de Homero, o herói só se conseguiu salvar deste encantamento ao ser amarrado nos mastros do seu navio. Já nos contos infantis, a história de uma sereia linda, simpática e de bom carácter encanta as crianças....
Se são dóceis ou malignas, simpáticas ou ingénuas, uma coisa parece certa: são detentoras de uma grande beleza e graciosidade! Contudo Cristóvão Colombo, nos seus registos de viagens, afirmou que afinal as sereias não eram tão bonitas como o tinham levado a crer…
Segundo alguns historiadores, as sereias dos contos dos marinheiros não eram mais do que sirenídeos (o grupo que inclui os manatins e o dugongo), animais muito dóceis mas, embora o último tenha uma cauda semelhante à das sereias, fisicamente em pouco mais se assemelhavam a estas.
Os manatins e os dugongos são mamíferos marinhos que pertencem à ordem Sirenia, tendo os primeiros seres desta ordem aparecido há cerca de 55 milhões de anos. Actualmente só existem 4 espécies que são: manatim-das-Caraíbas (Trichechus manatus), que habita nas águas do mar das Caraíbas; o manatim-africano (Trichechus senegalensis), existente na costa ocidental de África, entre o Senegal e Angola; o manatim-do-Amazonas (Trichechus inunguis), que habita no rio Amazonas; e o dugongo (Dugong dugon), que está distribuído pelas regiões do Indo-Pacífico. A vaca-do-mar-de-Steller (Hydrodamalis gigas), que também pertencia a esta ordem, podia ser encontrada no mar de Bering, mas foi extinta no século XVIII (em 1768), somente 27 anos após a sua descoberta.
Estes animais de pele rugosa e sem dentes frontais, dóceis e solitários, são essencialmente herbívoros, alimentando-se preferencialmente de vegetação aquática. Passam o dia a viajar, a comer, a explorar o ambiente e a descansar. Embora possam formar grupos ocasionais, não estabelecem entre eles nenhum tipo de hierarquia social. A única estrutura forte ocorre entre a fêmea e a sua cria, que pode ficar por perto mesmo após o desmame.
Podem atingir os 60 anos de idade e devido à sua grande dimensão, indivíduos de maior porte de algumas espécies podem atingir os 4 metros e pesar 1400 kg, têm poucos inimigos naturais. Apesar disto, os seus números têm vindo a diminuir, encontrando-se actualmente ameaçados. Embora no passado tivessem sido caçados pela sua carne, gordura, ou ossos que eram utilizados para joalharia ou medicina tradicional, não foi esse o principal motivo que levou ao declínio das populações.
Uma vez que são animais que nadam a pouca velocidade em zonas costeiras de baixa profundidade e com muita vegetação, o número de colisões com barcos é bastante grande, sendo essa uma das principais ameaças com que se deparam. Outros problemas estão relacionados com o desenvolvimento costeiro, a alteração e poluição dos habitats, o aumento da actividade piscatória, ou a construção de barragens, onde os animais ficam muitas vezes presos nas comportas.
Pensando que as fêmeas atingem a maturidade sexual entre os 7 e os 10 anos, têm gestações de 12 meses, e dão à luz, em média, uma cria a cada 3 anos, percebe-se a dificuldade para aumentar as populações.
Muitas vezes as medidas de protecção a estes animais, e que podem salvar inúmeros indivíduos, passam por gestos tão simples como reduzir a velocidade dos barcos, procurando desta maneira evitar colisões; reduzir o tráfego marítimo nas suas zonas de distribuição; manter uma distância de segurança, em caso de aproximação, entre outras.
Podem não ser tão bonitos como as sereias da nossa imaginação, mas são com certeza tão fascinantes quanto estas…
… a fileira de placas do dorso e os espinhos da cauda do Stegosaurus não eram meramente ornamentais?
A famosa fileira de placas triangulares da região dorsal e os espinhos da cauda deste dinossáurio ajudavam-no a regular a sua temperatura corporal!
Estas placas, para além de funcionarem como uma protecção contra predadores, continham vasos sanguíneos que garantiam processos termorreguladores. A maior destas placas media 76 cm!
Resposta à pergunta do dia 2009/08/09: Tyrannosaurus sp. Todos os géneros anteriores incluem espécies que viveram na Era Mesozóica e que serviram de inspiração aos produtores do famoso filme Parque Jurássico. No entanto, apenas o Tyrannosaurus sp. corresponde a uma espécie carnívora; os restantes géneros incluíam espécies de hábitos herbívoros.
Já se suspeitava mas eis mais uma prova de que os tubarões poderão, afinal, reproduzir-se também por partenogénese (processo de reprodução sem fecundação por parte de outro sexo).
A descoberta aconteceu no Aquário de Virgínia, Estados Unidos da América, após a morte de um tubarão-de-pontas-pretas fêmea durante um exame médico de rotina. Este tubarão havia sido retirado do oceano quando juvenil e nunca teve qualquer contacto com machos da sua espécie desde a sua chegada ao aquário, pelo que não houve qualquer possibilidade de fecundação.
Ao proceder-se à necrópsia do tubarão fêmea, descobriu-se que a mesma estava grávida de um feto de cerca de 30 cm de comprimento. Foram realizados testes de ADN para saber qual a origem deste e descobriu-se que não tinha qualquer contributo genético por parte de um macho.
Fica a pergunta se será este caso de partenogénese uma anormalidade no desenvolvimento ou uma capacidade ecológica dos tubarões na ausência de um macho.
Fóssil de um organismo que foi específico de um determinado ambiente e que viveu durante um intervalo de tempo limitado. Assim, a sua ocorrência indica quais as características do ambiente em que viveu na altura da formação da rocha onde está incorporado.
Este é o nome da obra que resultou do trabalho de recolha de testemunhos de Joana Canejo Rodrigues, que desenvolveu um projecto de etnobotânica nos concelhos de Aljezur, Lagos e Vila do Bispo, no Algarve.
Aqui o leitor ficará a saber que a erva-de-São-Roberto é utilizada em chá para o estômago e para purificar o sangue e, também, que a cozedura do estevão serve para combater a queda de cabelo... E que o louro, em chá, poderá aliviar a ressaca...
Um repositório de saberes tradicionais que merece a sua atenção!
E no final... é ela que decide! Rita Lopes, educadora ambiental
No reino animal, os machos cantam, dançam, exibem-se, lutam com os seus rivais, constroem ninhos e presenteiam as fêmeas com presas. Pode-se dizer que tudo fazem para agradar às fêmeas. Provavelmente o leitor pode achar esta ideia disparatada, mas... veja alguns exemplos e surpreenda-se!
O nariz de um leão macho sente quando a fêmea está no cio e, portanto, mais receptiva, pois as suas glândulas anais libertam feromonas que tratam de anunciar a sua disponibilidade sexual. Começa então um espectáculo de rugidos e danças... mas a leoa deixa-se apenas impressionar pelos machos mais audazes e possuidores de jubas mais ostentosas, acasalando com mais do que um parceiro para garantir os melhores genes para a descendência.
Vejamos o caso de algumas aves... Em certas espécies os machos constroem verdadeiros ninhos, os futuros “lares” das fêmeas e suas crias. Há alguns que se esmeram verdadeiramente, coleccionando objectos coloridos como vidros, anilhas de metal, ossos e outros plásticos coloridos que dispõem com detalhe e requinte sobre um amontoado de palha... restando-lhes esperar que tenham feito um bom abrigo e com isso conquistem o maior prémio – uma fêmea que os escolha como parceiro. Na maioria das aves, um macho não é capaz de forçar uma fêmea a acasalar. Precisa de conceber uma belíssima construção, uma canção e uma dança que as impressione! A fêmea limita-se a estudar os machos, escolhe um e, se ficar satisfeita, volta a acasalar com o mesmo no ano seguinte.
Mas há fêmeas que fazem a sua escolha recair sobre os machos mais persistentes (os verdadeiros “chatos” que não as largam) e, como tal, os mais saudáveis... Receptivas apenas durante algumas horas, as lebres-europeias (Lepus europaeus) quase levantam voo, esquivando-se aos machos mais ansiosos.
Na época reprodutora, os machos de Physalaemus pustulosus, uma espécie de rã originária do Panamá, reúnem-se em charcos para emitir um chamamento dividido em duas partes: um som semelhante a um cacarejar e um gemido mais agudo. As fêmeas ouvem-nos e dirigem-se aos escolhidos. Então, o macho trepa para o dorso da fêmea e esta leva-o consigo, para que fertilize os ovos que depositará. Segundo estudos efectuados pelo investigador Michael Ryan, a primeira parte do chamamento identifica a espécie; já o cacarejo indica o tamanho do macho! Em suma, cacarejo mais profundo, macho maior, mais esperma - ao escolhê-lo, uma fêmea tem mais hipóteses que os seus ovos sejam fertilizados. Curiosamente, na ausência de concorrentes, os machos não emitem qualquer carcarejo... A explicação é simples: as fêmeas não são as únicas a escutar esta vocalização – também outros predadores o fazem! Como tal, sem uma forte razão que o justifique, os machos não se expõem a um perigo desnecessário.
Em termos de evolução, talvez seja por esse motivo que, na maioria das espécies, os machos sejam o género mais ornamentado. Para provarem que são os melhores dadores de esperma para as suas crias. Não basta ser suficiente. Terão de ser os melhores!
Esta foi a teoria da selecção sexual proposta por Darwin mas ignorada durante largas décadas...
Hoje existem inúmeros estudos publicados em revistas cientificas que corroboram a sua teoria - na maioria dos casos, é sempre ela que decide!
… a espécie Ginkgo biloba, a árvore sagrada dos budistas, é considerada um fóssil vivo?
Esta é a única espécie viva que o género Ginkgo inclui. Este género diversificou-se e espalhou-se pela Laurásia durante o Jurássico médio, tornando-se cada vez mais rara a partir do Cretácico.
Actualmente, a espécie apenas pode ser encontrada, de forma espontânea, na China Oriental, na província de Zhejiang. Na terapêutica chinesa é utilizada para combater perdas de memória e dificuldades de concentração.
Resposta à pergunta do dia 2009/08/03: Apenas o Archaeopteryx lithographica viveu no Período Jurássico. Este fóssil, descrito em 1861, na Alemanha, é considerada a mais antiga ave conhecida.