O Centro de Biotecnologia Vegetal da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa organiza, entre 18 e 22 de Setembro, um curso teórico-prático de Potencialidades e Aplicações das Plantas Aromáticas e Medicinais.
Já lá vão quinze anos... Parabéns, Zoomarine! Parte I - Percursos Educacionais Director de Ciência e Educação do Zoomarine
É irresistível para um educador: "brincar" com o conceito…. Afinal de contas, essa é uma das tarefas mais gratificantes dos educadores ambientais: ajudar a perspectivar "novos" lados de uma questão... Aprender um pouco mais… Fazer ligações… Avançar…
Sendo assim, o que significa o conceito "Quinze"? "Quinze", para muitos, é fase da adolescência; para outros significa, em quilos, uma "arroba". Para alguns 15 equivale às "Bodas de Cristal"; para outros, em dias, são 2 singelas semanas…
Para o Zoomarine, no entanto, em termos de educação, 15 anos significam muitas, mas mesmo muitas, centenas de milhares de crianças, jovens e adultos que, de uma forma ou de outra, com mais ou menos intensidade, com mais ou menos emoções, mudaram um pouco (muito?) da sua perspectiva sobre o ambiente, sobre a biologia de muitas espécies marinhas e, claro, sobre a necessidade, a urgência e as especificidades da Conservação da Natureza…
Ao longo deste 15 anos, o nosso Departamento Educacional conheceu o trabalho de vários profissionais especializados, idealizou e implementou dezenas de diferentes programas lúdico-didácticos, publicou centenas de materiais e estruturas pedagógicas, efectuou milhares de acções e, claro!, disponibilizou gratuitamente centenas de milhares de folhas e folhetos educacionais.
Tem sido uma muito longa, rica e laboriosa "estrada"... Tem sido um percurso aliciante, (auto-)motivador e motivante! Tem sido uma dinâmica criativa, divertida e constantemente em busca da actualização e do rigor técnico e científico. E tem sido divertido - como se pretende que a boa educação ambiental também seja!
Entretanto, as várias equipas profissionais do Zoomarine já começam a integrar jovens que, desde há 15 anos, começaram por visitar o Zoomarine no âmbito de uma visita escolar, organizada em função de objectivos pedagógicos. Esses jovens adultos, 15 anos volvidos, têm, claramente, uma atitude ecologicamente mais conhecedora e muito mais exigente. É bom constatar que tais jovens encontram nas nossas instalações novos motivos de aprendizagem e novas "estradas" para percorrer. E é bom acreditar que, em muitos, muitos deles (como em tantos, tantos outros, por este país fora), uma parte dessa nova atitude ambiental tem a ver com uma visita educacional ao Zoomarine.
E este é um dos grandes orgulhos do Departamento Educacional do Zoomarine: ajudamos a marcar a diferença! Contribuímos para novas mentalidades e, portanto, para novos comportamentos. Pois, que venham mais 15 anos, e que o nosso orgulho continue a crescer como crescem os jovens que connosco vêm aprender!
Um estudo recente, conduzido na Universidade de Georgia, deu conta da capacidade que as vespas têm de detectar explosivos e drogas!
Os cientistas treinaram vespas da espécie Microplitis croceipes, usando como metodologia de treino de reforço positivo, associando os odores a recompensas de comida. Para ganhar a recompensa, as vespas foram colocadas dentro de um cartucho no interior de um tubo de PVC equipado com uma minúscula câmara e um alarme. Sempre que os insectos detectavam um odor, deslocavam-se em direcção da fonte, fazendo disparar o alarme.
Treinar a vespa demora apenas cerca de cinco minutos! A desvantagem reside apenas no seu curto tempo de vida: 12 a 22 dias!
Resposta à pergunta do dia 24/07/2006: O saco de plástico é um material de muito difícil degradação, demorando por isso cerca de 300 anos a desaparecer naturalmente. Quando ingeridos por espécies marinhas como golfinhos ou tartarugas marinhas, provocam muitas vezes a morte destes animais.
A forma como as espécies se adaptam ao ambiente em que vivem depende da pressão que este impõe sobre elas. Desta forma, diferentes grupos de animais têm desenvolvido características anatómicas e fisiológicas semelhantes em resposta a esta pressão do ambiente.
No caso dos mamíferos marinhos, que se alimentam e reproduzem no meio aquático, foi necessário que a sua estrutura anatómica e fisiologia sofresse alterações – o que resultou num processo de convergência evolutiva, a que se chama homoplasia. A convergência evolutiva está frequentemente associada a uma adaptação a ambientes similares. Entre as três grandes convergências destacamos:
a) Forma do corpo
Os mamíferos marinhos descenderam de ancestrais terrestres, há cerca de 50 milhões de anos, que se movimentavam por meio de 4 membros – os mesoniquídeos.
A necessidade de se movimentarem na água levou a que o seu corpo sofresse algumas modificações.
Os cetáceos (grupo a que pertencem as baleias e os golfinhos) são um exemplo de evolução convergente: os membros anteriores evoluíram para barbatanas, que facilitam a natação, enquanto que os membros posteriores foram gradualmente reduzidos até desaparecem e se tornarem apenas vestigiais. O nariz desapareceu e as narinas "migraram" para o topo da cabeça, facilitando a respiração durante a natação. Possuem um corpo fusiforme e liso, que minimiza a resistência na água. Outras modificações incluem a perda de orelhas e interiorização dos genitais que também facilitam a deslocação dentro de água.
Os gambás, novas "estrelas" do recente filme de animação "A Idade do Gelo", são marsupiais (semelhantes a roedores) que habitam as florestas tropicais da América do Sul, podendo ocupar locais de elevada altitude. As cerca de 60 espécies de gambás pertencem à família Didelphidae.
Pequenos mamíferos de focinho alongado, medem cerca de 30 a 45 centímetros e pesam entre 1 a 2 quilos. Utilizam a sua cauda longa e preênsil para se agarrarem às árvores, onde passam grande parte do tempo pendurados de cabeça para baixo!
Dotados de uma dentição poderosa, possuem uma dieta omnívora, tirando partido dos alimentos que encontram disponíveis. Os membros deste grupo são solitários, não interagindo com outros indivíduos excepto durante a época de reprodução.
Antes desta época os machos definem territórios usando a sua saliva, acasalando posteriormente com as fêmeas presentes no espaço. As fêmeas constroem ninhos com folhas nas cavidades das árvores para os novos membros da família.
Os recém-nascidos, em média 10 por ninhada, nascem sem pêlo, de olhos fechados, com apenas 1 cm de comprimento, tendo ainda que encontrar o caminho para a bolsa marsupial da progenitora! Os cientistas acreditam que utilizam o olfacto para encontrar o caminho certo... Apesar do minúsculo tamanho, desenvolvem-se rapidamente e aos 6 dias estão prontos a abandonar a bolsa.
Para escapar aos predadores desenvolveram uma técnica muito particular: fingem-se de mortos, deitados de costas, patas para o ar, cauda enrolada, com os olhos e boca abertos.
As várias espécies não estão ameaçadas e como tal não possuem qualquer estatuto de conservação.
"A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte."
Mohandas Karamchand Gandhi
(1869-1948). Conhecido por Mahatma Gandhi, foi um dos idealizadores e
fundadores do moderno estado indiano e um influente defensor do
princípio da não-agressão, forma não violenta de protesto.
A Water Aid
é uma organização não governamental cujo objectivo principal é fornecer
água potável, condições de sanidade e educar para a higiene
(reconhecidas como direitos humanos), a todas as populações dos países
mais carenciados do mundo.
O seu website, divertido e informativo, propõe estratégias de actuação, divulga projectos em curso e mostra como poderá ajudar.
Saiba
porque a água é um bem essencial para a qualidade de vida e quais os
seus benefícios. Faça também um cálculo da quantidade de água que
deverá consumir diariamente e compare com a quantidade que, na
realidade, bebe! Leia a secção "Dicas" e veja como pode melhorar os
seus hábitos diários...
E a melhor equipa do mundo é... Ricardo C. Neves, biólogo
Há cerca de 570-600 milhões de anos, na transição dos períodos Pré-Câmbrico para o Câmbrico, ter-se-á verificado, entre os animais invertebrados, uma abrupta aparição de planos corporais ― os bauplans. Este termo, proveniente do germânico baupläne, pretende captar o 'desenho base' de cada filo quanto a morfologia, fisiologia, constrangimentos evolutivos, entre outros. Estranho é que desde então, segundo Stephen Jay Gould em 'A Vida é Bela', tenham surgido apenas desvios aos bauplans já estabelecidos: o registo fóssil referente ao período do Câmbrico evidencia espécimes relativos dos grupos actuais e também muitos outros que sendo estranhas maravilhas simplesmente não podem ser associadas. Será que se acabou a "flexibilidade genética" durante essa janela temporal, ou não havia espaço (entenda-se nicho) ecológico para que "novos talentos" surgissem? Muito haveria a discutir sobre a "explosão do Câmbrico", mas por ora pretendo ficar noutra questão: como terão surgido os seres multicelulares? Para já não há uma resposta concreta a esta problemática. Mas há sugestões.
Os metazoários terão tido origem em protozoários há cerca de 700 milhões de anos atrás. Mas quais ao certo? Duas teorias têm reunido o maior número de adeptos no que à origem da multicelularidade importa. Uma, a de Ernst Haeckel, é conhecida como 'teoria colonial'. Foi apresentada em 1874 e defende que os metazoários terão tido origem numa colónia de protozoários com o formato de uma bola oca. Por exemplo, os protozoários coanoflagelados (Filo Choanoflagellata) ou os do género Volvox (Filo Chlorophyta) suportam esta teoria: além de uma organização colonial, os primeiros apresentam várias semelhanças com as esponjas (Filo Porifera) ao nível da estrutura celular e os segundos evidenciam diferenciação celular (linhas somática e germinal). Outros autores, J. Hadzi na década de 1950 e E. D. Hanson na de 1960, defenderam que os metazoários teriam evoluído a partir de um plasmídeo multinucleado. Este, por um processo de formação de membranas internas que passaram a dividir os vários núcleos, teria originado algo semelhante a um verme com capacidade de rastejar nos fundos oceânicos. Conhecida como 'teoria sincicial' recebe algum apoio de organismos conhecidos como slime molds (os limos) e do desenvolvimento embrionário dos insectos, em que uma fase multicelular é precedida de uma outra multinucleada.
Apesar de estudos recentes terem vindo a favorecer a primeira teoria, o assunto slime molds é de extrema importância e tem sido bastante explorado nas áreas da biologia do desenvolvimento e da evolução. Este fascinante organismo, ao contrário do que o nome sugere, não é um fungo e nem sequer é viscoso. É, antes, aquilo a que se poderá chamar uma amiba social. Ou seja, são organismos unicelulares que habitam troncos de árvores em estado deteriorado onde são encontrados, normalmente, isolados e a reproduzir-se assexuadamente por fissão binária (embora também o possam fazer sexuadamente por fusão celular). Consomem bactérias, mas algo de fantástico acontece em condições de falta de alimento: milhares de slime molds reúnem-se e formam correntes que convergem num ponto central como que se um remoinho formassem. Sobem uns pelos outros formando um agregado que se dobra então para formar uma espécie de pseudoplasmídio migrante (também chamado de lesma ou grex) com cerca de 2 a 4 mm de comprimento. Desloca-se para locais iluminados onde cessam o movimento e inicia um processo de diferenciação no qual se forma um 'corpo de frutificação'. Estranho? Ainda não é tudo.
O corpo de frutificação é composto por um talo e uma estrutura esporuladora. O primeiro é formado pelas células anteriores do pseudoplasmídio (15-20% do total) e ao formar-se eleva a massa de células que irão dar origem a esporos. As células do talo irão morrer (num processo de morte celular programada semelhante à apoptose), mas as restantes perpetuarão a espécie já que cada esporo que se dispersa dará origem a uma nova amiba social. Ora, dado que cada indivíduo se reproduz de forma assexuada o pseudoplasmídio pode ser composto por vários clones formando, portanto, uma quimera. Como se decide, então, quais as células a fazer parte do talo? Estudos recentes indicam claramente que há "batoteiros" que tentam a todo o custo escapar aos cerca de 15-20% das células que constituirão a fracção posterior do pseudoplasmídio. Afinal, os indivíduos que edificam o talo não são nada altruístas mas sim vítimas de um conflito de interesses, de uma competição onde o objectivo final é transmitir o património genético à geração seguinte.
Diferentes linhagens lutam, então, por passar à descendência os seus genes. E só a mais apta pode vencer. Será este um bom exemplo para as ideias de Richard Dawkins expressas em 'O gene egoísta'? Serão os slime molds "veículos robotizados cegamente programados para preservar as moléculas egoístas conhecidas como genes"? São, acima de tudo, fascinantes estes slime molds. Até pelo facto de não se saber muito bem onde está o seu ramo na grande árvore da vida. Apesar de alguns estudos sugerirem a sua proximidade aos fungos e aos animais, é grande a confusão dentro da filogenia do próprio grupo. Multicelulares em regime parcial, fazem coisas admiráveis enquanto nessa situação. Também funcionam bem em equipa...ou melhor, há uns que controlam... Então, não é bem uma equipa! E será um ser multicelular uma equipa? Bom, passado o Mundial de Futebol vocês já estarão, certamente, aptos a decidir. Até à próxima...
Os crustáceos
crescem através de um mecanismo de muda da carapaça, embora poucas
vezes se tenha observado este processo. Os sinais característicos que
antecedem esta transformação são quase desconhecidos, em virtude da sua
curta duração e pelo facto de ocorrer, geralmente, durante a noite.
Como ocorre, então, a muda de uma lagosta?
Ocorre
uma pequena elevação entre o cefalotórax e o primeiro segmento do
abdómen, dando-se a ruptura transversal da "velha" carapaça. Após esta
etapa, a lagosta terá de fazer um enorme esforço para passar pela
estreita fenda!
Algumas
horas depois, o cefalotórax começa a surgir da carapaça velha, embora
esta ainda se mantenha ligada na região frontal do corpo. Em pouco
tempo, o abdómen começa a sair pela fenda; a lagosta liberta-se da
armadura bucal, das patas locomotoras e das antenas com pequenas
sacudidelas do corpo. Isto, em apenas 3 minutos!
Depois
de toda esta "ginástica", a lagosta fica exausta. Repousa ao lado do
velho revestimento enquanto o corpo absorve grande quantidade de água e
aumenta de tamanho. A cor ténue denuncia a nova protecção, mole e
frágil, que só adquire rigidez quando o calcário absorvido entre as
mudas passa do sangue para o tegumento externo. Por este motivo, a muda
ocorre durante a noite em locais mais protegidos dos ataques dos
predadores.