Para uma parte significativa da população a palavra “réptil” faz surgir imagens mentais de cobras ameaçadoras e venenosas, com cores exóticas e dentes longos. No entanto, pouco nos lembramos de um réptil que a maioria de nós já viu: os cágados.
Há duas espécies com distribuição em Portugal: o cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa) e o cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis). O primeiro encontra-se no Sul da Europa (Sul de França, Espanha e Portugal) e Norte de África enquanto que o segundo se distribui pelo Centro e Sul da Europa, Noroeste de África e Ásia Ocidental. Em Portugal podemos encontrar o cágado-mediterrânico principalmente a Sul do rio Tejo, havendo populações mais dispersas no interior a Norte do rio Tejo. Já o cágado-de-carapaça-estriada tem uma distribuição muito mais escassa, sendo muito difícil de encontrar a Norte do Tejo. A bacia hidrográfica mais importante para esta espécie é a do Guadiana. A primeira espécie, mais abundante, tem a classificação de “pouco preocupante” (LC) enquanto que a segunda é considerada a nível nacional “em perigo” (EN), de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados. Ambas figuram nos anexos II e IV da Directiva Habitats e no anexo II da Convenção de Berna (espécies estritamente protegidas).
De facto, gostamos dos cágados, gostamos tanto deles que muitas pessoas os levam para as suas casas, retirando-os dos seus habitats naturais. Esta é mesmo uma das ameaças sérias que estas espécies enfrentam.
Fazendo o caminho inverso, isto é, das nossas casas para os ecossistemas naturais, está outra ameaça para a conservação dos cágados autóctones: a tartaruga-da-Flórida (Trachemys scripta). Sendo mais eficazes na competição pelos recursos que o ecossistema lhes disponibiliza e tendo uma maior taxa de crescimento populacional, estas espécies acabam por se tornar invasoras (espécies exóticas que, pela sua elevada capacidade adaptativa, proliferam num ecossistema que não é originalmente o seu). De facto, a sub-espécie Trachemys scripta elegans é considerada, pela IUCN, uma das 100 espécies exóticas invasoras que maior perigo representa para os ecossistemas.
Para além das ameaças já referidas, estes animais excepcionais enfrentam as condições cada vez mais degradadas dos nossos lagos, ribeiras e rios (poluição, alteração das margens, etc.), as estradas (onde muitos morrem atropelados), a captura acidental (pesca) entre outras.
Os cágados mediterrânico e de-carapaça-estriada podem atingir uma longevidade muito considerável: 35 anos e entre 40-60 anos, respectivamente. Preferem lagos ou pequenas ribeiras com vegetação aquática e áreas na margem que lhes permitam uma boa exposição solar (sendo espécies ectotérmicas não conseguem regular a sua temperatura interna de outro modo que não seja com mecanismos comportamentais).
Podemos ter um papel activo na conservação das espécies e tornar o nosso mundo um pouco melhor. Se não retirarmos os cágados dos seus habitats naturais colocando as tartarugas-da-Flórida no seu lugar estamos a contribuir para a conservação de duas espécies importantes da nossa fauna. Como se diz nestes dias de aniversário de missão lunar: Será um pequeno passo para a Humanidade, um grande passo para os cágados...
Os primeiros corais escleratíneos, também denominados de hexacorais (pela sua simetria), surgiram no período Triássico. Ainda perduram até aos nossos dias, embora actualmente se encontrem ameaçados, em grande parte devido às alterações climáticas que, entre outros factores, têm vindo a provocar um aumento do nível médio da água do mar, acidificação oceânica e o aumento de temperatura dos mares.
Resposta à pergunta do dia 2009/07/13: O clima durante este período era bastante árido e seco. As zonas do centro do supercontinente Pangeia, que se encontravam longe do oceano, eram áreas praticamente desérticas. Ocasionalmente ocorriam monções em regiões costeiras.
O primeiro animal incluído na lista de espécies ameaçadas devido às alterações climáticas foi o urso-polar. O próximo poderá ser a pika-americana (Ochotona princeps).
Este lagomorfo, parente do coelho, passa o Verão no topo das montanhas recolhendo plantas para as suas refeições de Inverno. No entanto, o pêlo espesso que o protege do frio pode também ser o causador da sua morte!
À medida que o calor aumenta globalmente, as pikas estão a ficar presas naquilo a que os cientistas chamam “ilhas no céu”. Não podem descer à procura de ares mais frescos porque os vales estão demasiado quentes... o que já levou algumas populações a desaparecer...
Depósitos de calcário que vão sendo formados por cianobactérias. Estas segregam um cimento carbonatado, que se começa a associar a pequenas partículas do ambiente envolvente, originando assim os estromatólitos. Podem ser encontrados em águas quentes e com pouca profundidade.
We are glorious accidents of an unpredictable process with no drive to complexity, not the expected results of evolutionary principles that yearn to produce a creature capable of understanding the mode of its own necessary construction.
Stephen Jay Gould (1941-2002). Conceituado paleontólogo e biólogo evolucionista americano. Autor de inúmeras obras de divulgação científica, é hoje reconhecido como um dos mais lidos e conhecidos escritores da sua geração.
Campo de Trabalho Científico sobre o Controlo de Plantas Invasoras
Irá decorrer de 25 de Julho a 1 de Agosto de 2009, na Mata do Desterro, em Seia, no âmbito do projecto Invader II, um Campo de Trabalho Científico sobre o Controlo de Plantas Invasoras, organizado pelo Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra (CEF), Centro de Estudos de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade (CERNAS) da Escola Superior Agrária de Coimbra e o Município de Seia, e o Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE).
Para mais informações consulte a seguinte página electrónica do projecto.
A esta velocidade... elas vão ficando para trás! Isa Pinho, educadora ambiental São sete... as maravilhas do mundo! Os dias da semana! Os centros de energia do corpo humano! O número de dias e noites que Sidharta Gautama meditou debaixo de uma árvore! Os pecados mortais! Os anões da história da Bela Adormecida! As cores do arco-íris! As notas musicais... ou mesmo o número da camisola do Figo. Certamente que agora inúmeras analogias começam a passar pela sua mente... Elas, embora passem despercebidas à maioria de nós, também são sete! Refiro-me às sete espécies de tartarugas marinhas existentes: tartaruga-comum (Caretta caretta), tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), tartaruga-de-pente (Eritmochelys imbricata), tartaruga-de-Kemp (Lepidochelys kempii), tartaruga-olivacea (Lepidochelys olivacea), tartaruga-de-carapaça-achatada (Natator depressus), e a tartaruga-verde (Chelonia mydas). Lembrou-se delas? São animais com uma história evolutiva com cerca de 200 milhões de anos, que já existiam mesmo antes dos dinossáurios e que conseguiram sobreviver à sua extinção. Contudo, e devido aos inúmeros perigos que enfrentam actualmente, todas as sete espécies estão ameaçadas de extinção! Estes animais enfrentam inúmeros perigos desde a chegada da fêmea à praia para a postura dos ovos, o que vai levar a que em 100 ovos colocados apenas uma pequena minoria chegue à idade adulta. Depois do ninho feito, há uma grande probabilidade deste ser pilhado por outros animais que se vão banquetear. Aqueles ovos que eclodem têm de sobreviver aos ataques de animais a quem servem de refeição. Por sua vez, os que conseguem alcançar a água, durante os primeiros anos de vida estão muito vulneráveis devido ao seu tamanho diminuto, tornando-se presas fáceis para muitos predadores. Para além destes perigos naturais a que as tartarugas sempre estiveram sujeitas mas que conseguiram superar, ainda há aqueles com os quais o Homem está directamente relacionado, como as redes de pesca e a pesca acessória. Têm ainda de lidar com a poluição, cada vez maior, do seu habitat. Para lhe dar um exemplo mais concreto, pode-se referir que a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) tem como base da sua dieta alimentar as medusas. Sim! Aquelas que estamos habituados a ver na praia e que nos causam aquelas alergias terríveis. Esta tartaruga está perfeitamente adaptada a esta dieta venenosa. Agora imagine um saco plástico a boiar no oceano e a atravessar-se em frente desta tartaruga. Não parecerá algo apetitoso para a tartaruga? As alterações climáticas também estão a ter implicações sérias nestas espécies. Entre inúmeros problemas pode-se referir apenas este: é a temperatura a que os ovos são incubados que vai determinar o sexo das crias. Temperaturas mais altas dão origem a mais fêmeas, enquanto que mais baixas originam mais machos. Sabe-se que um dos problemas relacionados com as alterações climáticas prende-se com o aumento global de temperaturas. Percebemos então o que isso implica... Para além de tudo isto, e entre outros factores, pode-se ainda referir o desenvolvimento costeiro, que está a destruir as praias de nidificação, ou a caça dirigida para consumo da carne ou confecção de produtos elaborados a partir da carapaça. À velocidade a que isto acontece, parece-me que, ao contrário da história da lebre e da tartaruga de La Fontaine, estas tartarugas estão realmente a ficar para trás. Actualmente inúmeros projectos, como o Projecto TAMAR, no Brasil, procuram alertar e envolver, com sucesso, a comunidade local para a necessidade da conservação destes animais. Todos nós, de alguma maneira, podemos contribuir para ajudar estes animais com uma história evolutiva tão longa. Ao ajudarmos o ecossistema das tartarugas estamos a contribuir para melhorar o habitat de tantos outros animais, e a ajudar a preservar um mundo que é tanto nosso como deles.
As plantas dominantes desta época eram as gimnospérmicas (plantas com as sementes expostas), entre as quais se destacavam as coníferas, os ginkgos, actualmente representada apenas pelo Gingko biloba, as cicadas e as benetitales (grupo actualmente extinto).
Resposta à pergunta do dia 2009/07/06: O Período Triássico (que ocorreu de 248 a 206 milhões de anos), juntamente com o Jurássico e o Cretácico, insere-se na era Mesozóica ou “Idade dos Répteis”.