We are glorious accidents of an unpredictable process with no drive to complexity, not the expected results of evolutionary principles that yearn to produce a creature capable of understanding the mode of its own necessary construction.
Stephen Jay Gould (1941-2002). Conceituado paleontólogo e biólogo evolucionista americano. Autor de inúmeras obras de divulgação científica, é hoje reconhecido como um dos mais lidos e conhecidos escritores da sua geração.
Campo de Trabalho Científico sobre o Controlo de Plantas Invasoras
Irá decorrer de 25 de Julho a 1 de Agosto de 2009, na Mata do Desterro, em Seia, no âmbito do projecto Invader II, um Campo de Trabalho Científico sobre o Controlo de Plantas Invasoras, organizado pelo Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra (CEF), Centro de Estudos de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade (CERNAS) da Escola Superior Agrária de Coimbra e o Município de Seia, e o Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE).
Para mais informações consulte a seguinte página electrónica do projecto.
A esta velocidade... elas vão ficando para trás! Isa Pinho, educadora ambiental São sete... as maravilhas do mundo! Os dias da semana! Os centros de energia do corpo humano! O número de dias e noites que Sidharta Gautama meditou debaixo de uma árvore! Os pecados mortais! Os anões da história da Bela Adormecida! As cores do arco-íris! As notas musicais... ou mesmo o número da camisola do Figo. Certamente que agora inúmeras analogias começam a passar pela sua mente... Elas, embora passem despercebidas à maioria de nós, também são sete! Refiro-me às sete espécies de tartarugas marinhas existentes: tartaruga-comum (Caretta caretta), tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), tartaruga-de-pente (Eritmochelys imbricata), tartaruga-de-Kemp (Lepidochelys kempii), tartaruga-olivacea (Lepidochelys olivacea), tartaruga-de-carapaça-achatada (Natator depressus), e a tartaruga-verde (Chelonia mydas). Lembrou-se delas? São animais com uma história evolutiva com cerca de 200 milhões de anos, que já existiam mesmo antes dos dinossáurios e que conseguiram sobreviver à sua extinção. Contudo, e devido aos inúmeros perigos que enfrentam actualmente, todas as sete espécies estão ameaçadas de extinção! Estes animais enfrentam inúmeros perigos desde a chegada da fêmea à praia para a postura dos ovos, o que vai levar a que em 100 ovos colocados apenas uma pequena minoria chegue à idade adulta. Depois do ninho feito, há uma grande probabilidade deste ser pilhado por outros animais que se vão banquetear. Aqueles ovos que eclodem têm de sobreviver aos ataques de animais a quem servem de refeição. Por sua vez, os que conseguem alcançar a água, durante os primeiros anos de vida estão muito vulneráveis devido ao seu tamanho diminuto, tornando-se presas fáceis para muitos predadores. Para além destes perigos naturais a que as tartarugas sempre estiveram sujeitas mas que conseguiram superar, ainda há aqueles com os quais o Homem está directamente relacionado, como as redes de pesca e a pesca acessória. Têm ainda de lidar com a poluição, cada vez maior, do seu habitat. Para lhe dar um exemplo mais concreto, pode-se referir que a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) tem como base da sua dieta alimentar as medusas. Sim! Aquelas que estamos habituados a ver na praia e que nos causam aquelas alergias terríveis. Esta tartaruga está perfeitamente adaptada a esta dieta venenosa. Agora imagine um saco plástico a boiar no oceano e a atravessar-se em frente desta tartaruga. Não parecerá algo apetitoso para a tartaruga? As alterações climáticas também estão a ter implicações sérias nestas espécies. Entre inúmeros problemas pode-se referir apenas este: é a temperatura a que os ovos são incubados que vai determinar o sexo das crias. Temperaturas mais altas dão origem a mais fêmeas, enquanto que mais baixas originam mais machos. Sabe-se que um dos problemas relacionados com as alterações climáticas prende-se com o aumento global de temperaturas. Percebemos então o que isso implica... Para além de tudo isto, e entre outros factores, pode-se ainda referir o desenvolvimento costeiro, que está a destruir as praias de nidificação, ou a caça dirigida para consumo da carne ou confecção de produtos elaborados a partir da carapaça. À velocidade a que isto acontece, parece-me que, ao contrário da história da lebre e da tartaruga de La Fontaine, estas tartarugas estão realmente a ficar para trás. Actualmente inúmeros projectos, como o Projecto TAMAR, no Brasil, procuram alertar e envolver, com sucesso, a comunidade local para a necessidade da conservação destes animais. Todos nós, de alguma maneira, podemos contribuir para ajudar estes animais com uma história evolutiva tão longa. Ao ajudarmos o ecossistema das tartarugas estamos a contribuir para melhorar o habitat de tantos outros animais, e a ajudar a preservar um mundo que é tanto nosso como deles.
As plantas dominantes desta época eram as gimnospérmicas (plantas com as sementes expostas), entre as quais se destacavam as coníferas, os ginkgos, actualmente representada apenas pelo Gingko biloba, as cicadas e as benetitales (grupo actualmente extinto).
Resposta à pergunta do dia 2009/07/06: O Período Triássico (que ocorreu de 248 a 206 milhões de anos), juntamente com o Jurássico e o Cretácico, insere-se na era Mesozóica ou “Idade dos Répteis”.
À medida que surgem novas tecnologias e metodologias, alguns dados que se pensavam ser verdadeiros caem por terra. É frequente depararmo-nos com notícias que rectificam factos anteriormente aceites pela comunidade científica.
Há muito que se acreditava que a principal “arma” do dragão-de-Komodo (Varanus komodoensis) eram as bactérias altamente tóxicas, encontradas na sua cavidade bucal. No entanto, um estudo recentemente realizado revelou que este lagarto tem, afinal, uma “arma secreta”.
Tal como outras espécies de lagartos, esta também é capaz de produzir veneno. Ao contrário das cobras que injectam o veneno directamente na suas presas, o dragão-de-Komodo espalha, através de um mecanismo próprio, a toxina nas lacerações provocadas pelos dentes.
O veneno do maior lagarto do nosso Planeta causa, nas suas presas, a diminuição da pressão sanguínea, hemorragias internas e a entrada em choque. Um conjugação de factores que as torna alvos fáceis para este réptil.
Grupo de moluscos da classe Cephalopoda, parcialmente extinto, que se caracteriza por ter uma concha externa de aragonite (mineral carbonatado de cálcio). O interior da concha é compartimentado em pequenas câmaras, que o animal enche com gás para controlar a sua flutuabilidade. O tamanho podia variar entre apenas alguns milímetros de diâmetro, a cerca de dois metros. Tem no Nautilus o seu único parente vivo.
Scientific knowledge is in perpetual evolution; it finds itself changed from one day to the next.
Jean Piaget (1896-1980). Psicólogo suíço, estudou a evolução do pensamento até a adolescência, procurando entender os mecanismos mentais que o indivíduo utiliza para interpretar o mundo. Ficou conhecido por organizar o desenvolvimento cognitivo num conjunto de estágios do desenvolvimento mental.
A EDIA - Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva, promove até 1 de Setembro de 2009 um concurso de fotografia focado nos recursos naturais Água e Biodiversidade, que assinalará as comemorações do Dia Mundial da Monitorização da Água, a celebrar no próximo dia 18 de Outubro. Assinala ainda os 10 anos dos Trabalhos de Biologia promovidos pela EDIA antes da construção da barragem de Alqueva e que permitiram conhecer a diversidade de diferentes grupos biológicos na área que envolve a actual albufeira do Alqueva.
A inscrição é gratuita e o concurso está aberto a todos os interessados. Os resultados serão divulgados no dia 19 de Outubro do corrente ano, sendo atribuídos prémios em material fotográfico no valor de 1.500 euros, 1.000 euros e 750 euros ao primeiro, segundo e terceiro classificado, respectivamente.
O regulamento deste concurso está disponível na página electrónica daquela entidade, na área 'Ambiente' no subtema 'Concurso de fotografia Água e Biodiversidade'. Os interessados poderão ainda solicitar informações adicionais através do correio electrónico.
Acabo de regressar de dois dias fantásticos... no mar.
Zarpámos bem cedo do pequeno porto de Machico a bordo do veleiro Ziphius, uma embarcação pertencente ao Museu da Baleia – Madeira.
Os objectivos para os dois dias eram percorrer as áreas ou sectores entre a Madeira e o Porto Santo e também à volta do Porto Santo, no sentido de estimar abundâncias de cetáceos e áreas-chave para a conservação destes animais nesta região do Atlântico. Regularmente a equipa do Museu da Baleia sai para o mar para estes census – à volta da Ilha da Madeira e Porto Santo e tambémIlhas Desertase, mais raramente, das longínquas Ilhas Selvagens, extremo sul do território Português – objectivos estes que integram um vasto programa científico e educacional sobre os cetáceos nos mares da Madeira desenvolvido pelo Museu da Baleia. Por vezes, algum elemento da equipa não pode sair para o mar e alguns voluntários entram em acção. Foi nesse papel que embarquei desta vez.
As previsões prometiam bom tempo. E assim foi: mar chão em pleno oceano aberto. Como se diz por aqui... mar largado, mar de senhoras. Mas também mar de tartarugas... e cetáceos, muitos. Os dois dias revelaram-se surpreendentes, com um recorde de avistamentos de cetáceos para esta área, considerada 'pobre' em relação a outras áreas mais junto à Madeira, muito provavelmente porque as batimétricas entre a Madeira e o Porto Santo chegam a ultrapassar os 3500 metros, e algumas das espécies preferem áreas mais costeiras.
Os 'encontros-imediatos' foram muitos: roazes Tursiops truncatus, golfinho-pintado Stenella frontalis, baleias-piloto Globicephala macrorhyncus (1, 2), um cachalote-pigmeu Kogia breviceps ao longe e tartarugas-comuns Caretta caretta bem perto, entre outros não identificados. As aves marinhas também passavam junto ao barco: cagarrras Calonectris diomedea, um ou outro garajau Sterna hirundo mais junto de costa e também 2 raras freiras Pterodroma sp.. A distinção entre a freira-da-Madeira e a freira-do-Bugio é francamente difícil, apenas os especialistas as distinguem em voo. Mas as espécies raras ou ameaçadas não recebem atenção em exclusivo, porque até o lixo observado a boiar é registado – infelizmente mais frequente do que seria de prever em zonas tão distantes das grandes aglomerações populacionais costeiras.
Em função das espécies observadas existem objectivos específicos: os roazes e as baleias-piloto, por exemplo, são metodicamente fotografados para posterior foto-identificação, o que permitirá caracterizar as eventuais populações que vivem nestas áreas. Ocasionalmente, são também colocados pequenos transmissores nalguns indivíduos com o objectivo de melhor conhecer a ecologia da espécie, nomeadamente o seu comportamento de mergulho.
Mas a grande surpresa aconteceu na alvorada do segundo dia, à saída do Porto Santo: não teriam passado mais de 30 segundos depois de um dos elementos da equipa ter subido ao seu posto de observação, quando a expressão 'avistamento!' se fez ouvir. Toda a equipa estava a postos e, se alguém ainda não tinha acordado completamente, a agitação a bordo fez com que tudo e todos acordassem de vez.
Após alguns momentos de hesitação e discussão, o diagnóstico era incontestável: eram mesmo 4 indivíduos das esquivas e pouco conhecidas baleias-de-bico Mesoplodon densirostris. Os animais estavam muito perto e aproximaram-se da embarcação, curiosos e a fazer-nos companhia à proa. Este comportamento é raro e deixou todos os elementos a bordo fascinados. A transparência e a calma das águas permitia observar os animais em todo o seu detalhe.
Dada a escassez de conhecimento desta espécie a oportunidade afigurava-se única para investigar o seu comportamento. Optou-se por 'marcar' um dos indivíduos, i.e., colocar um pequeno transmissor acoplado a um TDR (Time-Depth-Recorder) que permite conhecer melhor o comportamento de mergulho dos animais. Estes pequenos aparelhos libertam-se algumas horas depois e, através de sinais de rádio, podem então ser recuperados pelos investigadores e os preciosos dados obtidos. Apesar de, neste momento, o transmissor ainda não ter sido recuperado, só o facto de se ter conseguido colocar um transmissor num indivíduo desta espécie constitui já uma pequena vitória. A alegria a bordo foi grande no momento em que a ventosa se colou ao animal.
Curiosamente, tudo isto se passava ao mesmo tempo que a reunião anual da Comissão Baleeira Internacional (IWC – International Whaling Comission) reunia no Funchal para discutir os destinos dos cetáceos de todo o mundo, com a participação de delegados governamentais, observadores, organizações inter-governamentais, organizações não governamentais (ONG's) e imprensa. Quaisquer que tenham sido as conclusões dessas reuniões, é certo que há sempre concessões a fazer de parte a parte – afinal, são negociações ... mas será o regresso à 'caça à baleia' o caminho, nomeadamente quando se tratam de povos cujas necessidades alimentares básicas não estão em causa e há espécies de cetáceos em sério risco de extinção? Uma coisa é certa: da leitura de vários artigos publicados na comunicação social aquando da abertura das sessões de trabalhos na passada segunda-feira, concluiu-se que a desinformação e a confusão jornalística é muita e grave – com versões completamente diferentes nas várias fontes; caso para pensar que os jornalistas estavam em lugares diferentes do planeta? Ora isso é lamentável, pois esta é a única fonte de informação para o cidadão comum e muitas vezes incauto relativamente aos erros jornalísticos, intencionais ou não, dos vários agentes da comunicação social.
Os encontros imediatos com outras espécies ficam marcados para uma próxima oportunidade... na top list estão o tubarão-baleia Rhincodon typus e a tartaruga-de-couro Dermochelys coriacea, espécies raras mas já observadas noutros anos nos mares da Madeira, mas também outros 'gigantes dos mares'.
É verdade que já tive oportunidades fantásticas no mar – mas esta viagem ficará na memória por muito tempo. Há dias assim, lá fora no azul – deep, deep blue.