"ln the end we will conserve only what we love. We love only what we understand. We will understand only what we are taught."
Baba Dioum, 1968




Olimpíadas do Ambiente




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2009-07-08
Um Autor Convidado

Out @ c
Cláudia Delgado, bióloga marinha

Acabo de regressar de dois dias fantásticos... no mar.

Zarpámos bem cedo do pequeno porto de Machico a bordo do veleiro Ziphius, uma embarcação pertencente ao Museu da Baleia Madeira.

Os objectivos para os dois dias eram percorrer as áreas ou sectores entre a Madeira e o Porto Santo e também à volta do Porto Santo, no sentido de estimar abundâncias de cetáceos e áreas-chave para a conservação destes animais nesta região do Atlântico. Regularmente a equipa do Museu da Baleia sai para o mar para estes census – à volta da Ilha da Madeira e Porto Santo e também Ilhas Desertas e, mais raramente, das longínquas Ilhas Selvagens, extremo sul do território Português – objectivos estes que integram um vasto programa científico e educacional sobre os cetáceos nos mares da Madeira desenvolvido pelo Museu da Baleia. Por vezes, algum elemento da equipa não pode sair para o mar e alguns voluntários entram em acção. Foi nesse papel que embarquei desta vez.

As previsões prometiam bom tempo. E assim foi: mar chão em pleno oceano aberto. Como se diz por aqui... mar largado, mar de senhoras. Mas também mar de tartarugas... e cetáceos, muitos. Os dois dias revelaram-se surpreendentes, com um recorde de avistamentos de cetáceos para esta área, considerada 'pobre' em relação a outras áreas mais junto à Madeira, muito provavelmente porque as batimétricas entre a Madeira e o Porto Santo chegam a ultrapassar os 3500 metros, e algumas das espécies preferem áreas mais costeiras.

Os 'encontros-imediatos' foram muitos: roazes Tursiops truncatus, golfinho-pintado Stenella frontalis, baleias-piloto Globicephala macrorhyncus (1, 2), um cachalote-pigmeu Kogia breviceps ao longe e tartarugas-comuns Caretta caretta bem perto, entre outros não identificados. As aves marinhas também passavam junto ao barco: cagarrras Calonectris diomedea, um ou outro garajau Sterna hirundo mais junto de costa e também 2 raras freiras Pterodroma sp.. A distinção entre a freira-da-Madeira e a freira-do-Bugio é francamente difícil, apenas os especialistas as distinguem em voo. Mas as espécies raras ou ameaçadas não recebem atenção em exclusivo, porque até o lixo observado a boiar é registado infelizmente mais frequente do que seria de prever em zonas tão distantes das grandes aglomerações populacionais costeiras.

Em função das espécies observadas existem objectivos específicos: os roazes e as baleias-piloto, por exemplo, são metodicamente fotografados para posterior foto-identificação, o que permitirá caracterizar as eventuais populações que vivem nestas áreas. Ocasionalmente, são também colocados pequenos transmissores nalguns indivíduos com o objectivo de melhor conhecer a ecologia da espécie, nomeadamente o seu comportamento de mergulho.

Mas a grande surpresa aconteceu na alvorada do segundo dia, à saída do Porto Santo: não teriam passado mais de 30 segundos depois de um dos elementos da equipa ter subido ao seu posto de observação, quando a expressão 'avistamento!' se fez ouvir. Toda a equipa estava a postos e, se alguém ainda não tinha acordado completamente, a agitação a bordo fez com que tudo e todos acordassem de vez.

Após alguns momentos de hesitação e discussão, o diagnóstico era incontestável: eram mesmo 4 indivíduos das esquivas e pouco conhecidas baleias-de-bico Mesoplodon densirostris. Os animais estavam muito perto e aproximaram-se da embarcação, curiosos e a fazer-nos companhia à proa. Este comportamento é raro e deixou todos os elementos a bordo fascinados. A transparência e a calma das águas permitia observar os animais em todo o seu detalhe.

Dada a escassez de conhecimento desta espécie a oportunidade afigurava-se única para investigar o seu comportamento. Optou-se por 'marcar' um dos indivíduos, i.e., colocar um pequeno transmissor acoplado a um TDR (Time-Depth-Recorder) que permite conhecer melhor o comportamento de mergulho dos animais. Estes pequenos aparelhos libertam-se algumas horas depois e, através de sinais de rádio, podem então ser recuperados pelos investigadores e os preciosos dados obtidos. Apesar de, neste momento, o transmissor ainda não ter sido recuperado, só o facto de se ter conseguido colocar um transmissor num indivíduo desta espécie constitui já uma pequena vitória. A alegria a bordo foi grande no momento em que a ventosa se colou ao animal.

Curiosamente, tudo isto se passava ao mesmo tempo que a reunião anual da Comissão Baleeira Internacional (IWC International Whaling Comission) reunia no Funchal para discutir os destinos dos cetáceos de todo o mundo, com a participação de delegados governamentais, observadores, organizações inter-governamentais, organizações não governamentais (ONG's) e imprensa. Quaisquer que tenham sido as conclusões dessas reuniões, é certo que há sempre concessões a fazer de parte a parte – afinal, são negociações ... mas será o regresso à 'caça à baleia' o caminho, nomeadamente quando se tratam de povos cujas necessidades alimentares básicas não estão em causa e há espécies de cetáceos em sério risco de extinção? Uma coisa é certa: da leitura de vários artigos publicados na comunicação social aquando da abertura das sessões de trabalhos na passada segunda-feira, concluiu-se que a desinformação e a confusão jornalística é muita e grave – com versões completamente diferentes nas várias fontes; caso para pensar que os jornalistas estavam em lugares diferentes do planeta? Ora isso é lamentável, pois esta é a única fonte de informação para o cidadão comum e muitas vezes incauto relativamente aos erros jornalísticos, intencionais ou não, dos vários agentes da comunicação social.

Os encontros imediatos com outras espécies ficam marcados para uma próxima oportunidade... na top list estão o tubarão-baleia Rhincodon typus e a tartaruga-de-couro Dermochelys coriacea, espécies raras mas já observadas noutros anos nos mares da Madeira, mas também outros 'gigantes dos mares'.

É verdade que já tive oportunidades fantásticas no mar – mas esta viagem ficará na memória por muito tempo. Há dias assim, lá fora no azul – deep, deep blue.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2009-07-07
Curiosidades da Fauna e Flora

"Sangue frio"

Durante o Período Triássico, os animais ectotérmicos (de sangue frio) adaptaram-se melhor às condições existentes que os endotérmicos (de sangue quente). Desta forma, os répteis tornaram-se mais abundantes e mais diversificados. Nos mares aparecem os primeiros répteis marinhos, como os ictiossáurios, e as tartarugas. Surgem também os primeiros crocodilianos e répteis voadores.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2009-07-06
Uma Questão de Educação

O Triássico é o primeiro período geológico de que era?

1. Pré-Câmbrica;
2. Paleozóica;
3. Mesozóica;
4. Cenozóica.

Resposta à pergunta do dia 2009/06/29:
O Pérmico marca o final da Era Paleozóica, pelo que a Era subsequente é o Mesozóico.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2009-07-05
Ao Sabor da Corrente

Flora de Portugal em perigo de extinção

Segundo o Plano Nacional de Conservação da Flora em Perigo, 8 plantas, das quais 7 são endemismos, estão classificadas como espécies "em perigo crítico" de extinção.

O relatório final da primeira fase deste Plano, que data de Março de 2007, indica que as seguintes 7 espécies só existem em Portugal: Corriola-do-Espichel (Convolvulus fernandesii), Linaria ricardoi, Narciso-do-Mondego (Narcisus scaberulus), Miosótis-das-praias (Omphalodes kuzinskyanae), Diabelha-do-Algarve (Plantago algarbiensis), Diabelha-do-Almograve (Plantago almogravensis) e Álcar-do-Algarve (Tuberaria major).

A oitava planta, conhecida como Trevo-de-quatro-folhas (Marsilea quadrifolia), existe em vários países, mas a sua ocorrência tem vindo a regredir no nosso país.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2009-07-04
Palavras com Sentido

Pangeia

Supercontinente existente no período Triássico que começou a separar-se durante esta época. A Norte do continente estava a Laurásia, que era formada pela América do Norte, a Europa e a Ásia. A Sul encontrava-se o Gondwana, composto pela América do Sul, a África, a Antárctica, a Índia e a Austrália. O continente encontrava-se rodeado pelo oceano Pantalassa e mar de Tethys.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2009-07-03
Alguém o Pensou

If the path be beautiful, let us not ask where it leads.

Anatole France (1844-1924). Escritor francês, autor de romances e contos que obtiveram grande sucesso e que lhe valeram o Prémio Nobel da Literatura em 1921. Alguns dos títulos mais conhecidos são "0 Crime de Silvestre Bonnard", premiado pela Academia francesa, "0 Lírio Vermelho", "O poço de Santa Clara" ou "A revolta dos anjos".

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2009-07-02
O DE do ZM Recomenda

Conferência BIOLIEF

Entre os dias 26 e 30 de Outubro de 2009, terá lugar no Porto a "World Conference on Biological Invasions and Ecosystem Functioning" (BIOLIEF).

Esta conferência tem como temática central a biologia, ecologia e dinâmica populacional das invasões biológicas.

Para mais informações os interessados poderão consultar a página electrónica oficial do BIOLIEF.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2009-07-01
Um Autor Convidado

A Espiral Dourada
José Luís Pereira, matemático

Há algum tempo atrás escrevi neste mesmo espaço um pequeno texto sobre a Espiral Logarítmica – um objecto matemático capaz de estabelecer uma ligação profunda entre o crescimento celular e a formação de uma galáxia. Para além desta capacidade de
modelar fenómenos naturais tão distintos (pelo menos numa perspectiva antropocêntrica), a Espiral Equiangular, como também é conhecida esta curva (1), possui uma relação maravilhosa com a razão de ouro. A melhor forma de intuir essa relação é construir uma aproximação à chamada Espiral Dourada. O processo de construção é muito simples (cerca de 5 min.) e para fazê-lo basta uma folha formato A4, um lápis e um esquadro (também é possível organizar um concurso entre amigos para ver quem faz a espiral mais encaracolada.)

A razão de ouro é usualmente simbolizada pela letra phi
, tem um valor de cerca de 1,618..., e foi o tema do artigo anterior a este. Para chegar à espiral dourada começamos com a razão de ouro para construir um rectângulo de ouro. Quem estiver interessado pode seguir as instruções da Fig. 1 para uma construção rigorosa, senão basta desenhar, mais ou menos no centro da folha, um rectângulo com lados 1 cm e 1,6 cm. Afinal de contas, um rectângulo de ouro é qualquer rectângulo cuja razão entre o lado maior e o lado menor é igual à proporção áurea.

Juntemos agora um quadrado ao lado maior do rectângulo inicial, para obter outro rectângulo maior. Este rectângulo também é de ouro! (Os mais experimentalistas podem medir os lados do novo rectângulo e dividir o comprimento do lado maior pelo
comprimento do lado menor. O valor encontrado deve ser muito próximo de 1,618). Podemos agora adicionar outro quadrado ao lado maior do novo rectângulo para obter um rectângulo ainda maior. Este rectângulo é também de ouro (porquê?). É agora óbvio que podemos continuar a acumular rectângulos de ouro cada vez maiores, pelo menos até que a folha acabe.

Depois de desenhar um número suficiente de rectângulos e quadrados, fixando o compasso nos sucessivos vértices de cada quadrado, é possível unir os vértices adjacentes com um quarto de circunferência. A união desses arcos resulta então numa curva que é uma excelente aproximação à espiral dourada. (ver Fig. 2
).

As espirais logarítmicas formam uma família de curvas que se distinguem umas das outras apenas pelos valores específicos de dois parâmetros, usualmente designados por a e b. A espiral dourada que acabámos de aproximar é simplesmente um elemento dessa família, onde a é um certo número positivo (que depende do tamanho do rectângulo inicial) e b = 0.0053468... .

Eis então que as ideias por detrás da espiral logarítmica e da razão de ouro acabam por se tocar. Porém, devemos ter cuidado e não assumir imediatamente que, onde quer que surja um dos objectos, deverá estar o outro. A título de exemplo, aqui ficam dois factos resultantes de um olhar mais pormenorizado sobre a nossa construção:
• À partida, nada fazia esperar que uma aglomeração de rectângulos dourados resultasse numa aproximação a uma espiral do tipo logarítmico (existem muitos tipos de espirais). O processo de construção deve portanto emular, em certa medida, as condições naturais que geram fenómenos físicos passíveis de serem modelados pela Espiral Dourada. Isto pode levar a uma compreensão mais profunda de tais fenómenos e a melhores modelos.
• Ao contrário daquilo que parece ser usualmente aceite, medições amostrais realizadas em conchas de nautilus resultam num valor empírico para o parâmetro b suficientemente afastado de 0.0053468... para negar a hipótese de que a espiral logarítmica aí presente seja uma Espiral Dourada. Logo, a concha de nautilus, apesar de modelada por uma espiral logarítmica, não se encontra relacionada com a razão de ouro.

Para saber mais:
http://en.wikipedia.org/wiki/Golden_ratio

http://en.wikipedia.org/wiki/Golden_rectangle
http://en.wikipedia.org/wiki/Golden_spiral
http://demonstrations.wolfram.com/topic.html?topic=Golden+Ratio&limit=20
http://demonstrations.wolfram.com/GoldenSpiral/

(1) Vide o artigo “A Espiral Logarítmica” publicado em http://zoomarine.blogdrive.com/archive/cm-05_cy-2009_m-05_d-06_y-2009_o-0.html

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2009-06-30
Curiosidades da Fauna e Flora

E as sementes ganharam importância...

Há medida que as condições climáticas do Pérmico se tornavam cada vez mais quentes e secas, a ocupação dos nichos ecológicos terrestres, por parte de uma grande variedade de plantas, teve, neste período, uma grande expressão.

Esta variabilidade vegetal ficou bem marcada pelo aparecimento de  muitas espécies produtoras de sementes, entre elas vários géneros de coníferas (Walchia spp, Ernestiodendron spp), cicas (Taeniopteris spp, Russellites spp), gigantopterídeos (Gigantopteridium spp, Cathaysiopteris spp, Zeilleropteris spp, etc.), e callipterídeos (Autunia spp, Rachiphyllum spp).

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2009-06-29
Uma Questão de Educação

O Período Pérmico marca o final de uma Era geológica e o início de uma outra. Que Eras são estas?

1. Paleozóico e Mesozóico;
2. Paleozóico e Eocénico;
3. Mesozóico e Quaternário;
4. Mesozóico e Triássico.

Resposta à pergunta do dia 2009/06/22:
As duas grandes massas de água que rodeavam o supercontinente Pangea eram o oceano Panthalassa e o mar de Tethys. O primeiro ocupava praticamente toda a área da superfície aquática e o segundo, bem mais pequeno, estaria no lado Este do continente Pangeia.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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