"ln the end we will conserve only what we love. We love only what we understand. We will understand only what we are taught."
Baba Dioum, 1968




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2006-07-19
Um Autor Convidado

Será possível salvar os albatrozes da extinção?
José Xavier, biólogo marinho

Após esta pergunta, as primeiras questões que nos vêm à cabeça, serão "o que são albatrozes e por que razão estão eles em extinção?"

Os albatrozes são das maiores aves marinhas do mundo (podem chegar aos 3 metros de asa a asa), e literalmente passam toda a sua vida no mar. A única excepção a esse estilo de vida é quando têm de se reproduzir, que pode ocorrer em algumas espécies em cada 2 anos. Ou seja, o macho e a fêmea só se vêem de 2 em 2 anos! Se os albatrozes falassem, a palavra "saudade" teria sido inventada por eles.

Na sua grande maioria reproduzem-se em ilhas, como o caso da Ilha da Georgia do Sul, uma remota ilha no Oceano Antárctico.

Na primeira vez que lá fui, eu julgava ser o primeiro português a estudar albatrozes, mas cheguei 500 anos tarde demais. Quando os navegadores portugueses se aventuraram pelas costas de África pela primeira vez, encontraram umas aves marinhas de grandes dimensões, pretas e brancas, às quais chamaram "alcatrazes", que nos séc. XV e XVI significaria grande ave marinha; mais tarde, os navegadores ingleses corromperam esta palavra para "albatroz". Estou a estudar aspectos da sua dieta e ecologia comportamental, algo que não poderia ser feito há 500 anos, e que poderá contribuir para os salvar da extinção. Isto fez-me sentir melhor…

O trabalho de campo era extremamente interessante...

"José, um albatroz acabou de chegar!" disse Dafydd, um colega biólogo marinho do British Antarctic Survey, a entrar em pânico à medida que o rádio receptor captava o sinal. Já tínhamos feito esta rotina muitas vezes, mas os nossos corações sempre aceleravam com a adrenalina quando um albatroz chegava à Geórgia do Sul. Em segundos, pusemos as cinco camadas de roupa, emergimos da nossa base para um ar cortante a -10 °C, colocámos os skis e dirigimo-nos para a colónia, monte acima, onde albatrozes se têm reproduzido durante séculos.

Apesar de ter feito este trajecto muitas vezes, sempre o vi como mais um passo para a realização do meu sonho, fazer ciência numa ilha remota e, mais importante ainda, contribuir para a conservação destas aves marinhas fascinantes. Os albatrozes são as maiores aves marinhas do mundo, podendo chegar aos três metros de asa a asa, reproduzindo-se cada dois anos na Geórgia do Sul. Depois de criarem o seu filhote, os albatrozes fazem uma viagem única no reino animal em torno da Antárctida, pela Austrália, pelo Oceano Índico e regressando à Geórgia do Sul pelo Oceano Pacífico. Neste momento, eles estão aqui e eu rodeado por eles. Dafydd e eu chegámos ao topo do monte e identificámos imediatamente o albatroz com que estávamos a trabalhar, com mais do dobro da minha idade. Estava mesmo junto ao ninho, onde o seu filhote o chamava.

A maioria destas aves marinhas nunca viu um ser humano antes. Olham para os humanos com curiosidade e, se nos aproximarmos, não fogem. Depois de capturar esta ave de 12 kg, identificada como BL07 pelo anel que se encontrava na sua perna, e posto confortavelmente no colo do Dafydd, eu recuperei o aparelho de rasterio via satélite que se encontrava nas suas costas.

Enquanto o albatroz se encontrava no mar, o aparelho enviou sinais para um satélite, que nos informava onde o albatroz se encontrava geograficamente. Todos os dias, recebi um e-mail a dizer onde o albatroz tinha estado, algumas vezes tão distante como o Brasil, uns milhares de quilómetros a norte. Uma das suas viagens pode demorar 50 dias. Daí ter exclamado numerosas vezes, com um sorriso estampado na cara, para os meus colegas na base "o albatroz está a caminho de casa, deve chegar amanhã!" Com esta informação, poderei responder a questões a que a comunidade científica debate há muito tempo, tais como onde os albatrozes se alimentam, de que se alimentam e como podem ser afectados pela pesca comercial. Neste momento, os albatrozes estão em vias de extinção. As fêmeas são apanhadas frequentemente pelos anzóis da pesca do palangre, atraídas pelo isco, que opera nas águas da América do Sul, enquanto os machos são ameaçados pela pesca costeira na Geórgia do Sul, ao pé da sua colónia.

Para ajudar na conservação destes animais magníficos, Portugal vai participar no Ano Polar Internacional 2007-08 (API), um programa internacional cientifico e educacional para as regiões polares. Cientistas portugueses vão fazer ciência que, directa ou indirectamente, vai ser usada para compreender melhor os comportamentos dos albatrozes, e sugerir maneiras de minimizar a mortalidade dos albatrozes. Por exemplo, estudos já desenvolvidos mostraram que, ao usarem-se linhas de anzol mais pesadas, estas afundam mais rapidamente impossibilitando os albatrozes de apanharem o isco. Outro exemplo, é colocar os anzóis só à noite, de modo aos albatrozes terem mais dificuldade em verem os iscos. Estas são duas medidas simples, mas extremamente benéficas, que poderão ajudar os albatrozes.

Espero que, daqui a 500 anos, quando os meus descendentes vierem à Geórgia do Sul, também eles tenham a oportunidade de ver albatrozes e que sintam o privilégio e a felicidade de estar aqui... tal como eu.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-07-18
Curiosidades da Fauna e Flora

Navegação pelo tacto!

Quando os morcegos voam, o ar passa por entre minúsculos pêlos inseridos em saliências receptoras nas asas.

Se as asas não possuírem uma determinada curvatura durante o voo, provocarão atrito. Os pêlos detectam o atrito e transmitem essa informação ao cérebro. Desta forma, estes mamíferos são capazes de corrigir a sua rota, evitar colisões desastrosas e capturar as presas de que se alimentam.

O professor de neurociências, John Zook, testou esta teoria aplicando creme depilatório nas asas dos morcegos. Os morcegos depilados apenas conseguiam voar em linha recta, mas sempre que tentavam curvar, caíam ou subiam subitamente. Assim que os pêlos voltavam a crescer, os morcegos recuperavam a capacidade de curvar...

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-07-17
Uma Questão de Educação

Quais os ecossistemas mais produtivos e mais antigos do nosso planeta?

1. Desertos
2. Rios
3. Planícies abissais
4. Recifes de coral

Resposta à pergunta do dia 10/07/2006:
Ao examinar as presas (dentes caninos superiores que, à semelhança dos elefantes, sobressaem) das crias, que contém informação química sobre a sua dieta, os paleontólogos determinaram que os mamutes amamentavam as crias durante, pelo menos, cinco anos.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-07-16
Ao Sabor da Corrente

O segredo é remover...

A remoção de alguns ovos dos ninhos pode ser, segundo os cientistas, a única forma de salvar a população ameaçada de grous-americanos (Grus americana).

Este é o método defendido pelos cientistas que ajudarão a salvar estas aves da extinção.

Em 1942, existiam apenas 16 indivíduos desta espécie e todos nidificavam no Parque Nacional de Wood Buffalo, no Canadá. Actualmente, e graças aos esforços de conservação, mais de 450 vivem no Canadá e nos Estados Unidos da América.

Os grous fazem posturas de dois ovos, criando apenas uma cria; uma das crias, geralmente a mais débil, é morta pelo irmão ou por predadores.

Segundo um estudo publicado na revista científica Biological Conservation, a remoção do 2º ovo para a criação da ave sob cuidados humanos aumenta as possibilidades de sobrevivência de ambas as crias, até porque uma só cria no ninho atrairá menor atenção por parte de eventuais predadores.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-07-15
Uma Peça do Puzzle da Vida

Nº 1 em velocidade

Considerado o animal terrestre mais rápido do planeta, a chita (Acinonyx jubatus) é relativamente diferente dos outros felinos, com um corpo magro de pernas longas, que lhe garante velocidades da ordem dos 110 km/h. No entanto, a sua rapidez tem um preço: mandíbulas fracas e dentes pequenos, que não lhe permite defender a sua caça ou a sua ninhada de predadores maiores que ela.

Distribui-se por quase todo o Continente Africano e Norte do Irão, nas zonas de savana. Actualmente, existem cerca de 12.400 indivíduos em África, dos quais apenas 2.500 no selvagem, e cerca de 100 a 200 no Irão.

As fêmeas vivem sozinhas ou com as suas pequenas crias, que ensinam a caçar e protegem até aos 18 meses de idade, altura que as abandonam. A mortalidade das crias é muito elevada. Caso a ninhada de 4 ou 5 crias atinja essa idade, junta-se então a outros grupos de crias, por um período de mais 6 meses, após o qual as jovens fêmeas abandonam o grupo.

A chita é um caçador por excelência, obtendo sucesso em cerca de 50% das suas perseguições. Alimenta-se principalmente de pequenos antílopes, javalis, coelhos, impalas, aves de rapina e lebres.

Actualmente, a perda de habitat, a competição com predadores de maiores dimensões, a perseguição de caçadores e a perda de diversidade genética são as principais ameaças deste animal; as sucessivas tentativas de reprodução em ambientes controlados pelo Homem não têm, até à data, dado resultados positivos concretos.

Esta espécie é considerada Vulnerável (VU) pela IUCN, estando a subespécie africana classificada como "Em Perigo" (EN) e a subespécie asiática como "Criticamente em Perigo" (CR), e está incluída no Apêndice I da CITES.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-07-14
Alguém o Pensou

Every scrap of Biological Diversity is priceless to be learned and cherished and never to be surrendered without a struggle

E.O. Wilson. Entomólogo, professor na Universidade de Harvard e autor da teoria da sociobiologia. Por muitos considerado o "pai" da biodiversidade, autor de obras como "Sociobiology: The New Synthesis" (1975) ou "The Diversity of Life" (1992).

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-07-13
O DE do ZM Recomenda

Questionário da União Europeia

A sua opinião também conta!

A União Europeia está actualmente a proceder a uma consulta aos cidadãos europeus sobre o melhoramento do bem-estar dos animais utilizados para fins experimentais e outros fins científicos. Esta consulta está disponível na página oficial do questionário.

Este é um assunto polémico mas que sem dúvida merece toda a nossa atenção!

Tartarugas marinhas na Europa

Euroturtle é um excelente recurso online onde poderá explorar o mundo das tartarugas marinhas!

É o primeiro website educacional da Europa que aborda a conservação e biologia das tartarugas marinhas. Os seus conteúdos são periodicamente actualizados e tem sido recomendado por muitas instituições internacionais, tendo contribuído para o conhecimento do grupo e das suas principais ameaças.

Pela sua qualidade já recebeu alguns prémios e foi considerado pela União Europeia como um dos seis melhores websites de educação ambiental da Europa.

Aproveite e fique a conhecer o trabalho da MEDASSET na conservação das diferentes espécies de tartarugas marinhas e dos seus habitats no Mediterrâneo, através do apoio a projectos de investigação, educação ambiental e outras actividades.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-07-12
Um Autor Convidado

A culpa não é do Hitchcock…
João Neves, biólogo

Certamente muitos de Vós se recordam de filmes que marcaram a carreira do realizador inglês Alfred Hitchcock, entre os quais eu destaco "Psico", "Vertigo" ou "Os Pássaros".

De título original "Alfred Hitchcock's The Birds" (em português "Os Pássaros"), este genial realizador reproduziu um clima de profundo suspense, numa pequena vila piscatória do Norte da Califórnia, EUA, através de um aumento abrupto, e sem explicação aparente, do número de gaivotas (que nem são invulgares numa qualquer vila piscatória), originando um autêntico pandemónio na vida de todos os habitantes.

É este filme, realizado em 1963, que me leva a escrever este pequeno texto, não tanto pelo seu conteúdo (do qual admito, desde já, que sou fã), mas sim por um preciosismo (associado à minha (de)formação profissional) que gostaria de partilhar.

Centremo-nos, então, na tradução para português do título deste filme.

"Os pássaros" foi o título escolhido em português para o filme "The Birds", talvez por razões de marketing ou simplesmente porque nos habituámos a chamar pássaros a todas as aves. Mas uma coisa não quer dizer a outra. E porquê?

Biologicamente, todas as espécies animais estão organizadas segundo um sistema de classificação em "degraus" (sistema taxonómico), hierarquicamente dependentes uns dos outros. Estes "degraus" (taxon, plural taxa) são, em ordem decrescente: Filo, Classe, Ordem, Família, Género e Espécie.

Esta foi a forma encontrada (originalmente criada por Carl von Linnaeus, no século XVIII) para organizar toda a biodiversidade na Terra, através das semelhanças entre os seres vivos.

Nesta organização, observamos que as aves estão num taxon acima dos pássaros.

As aves são uma classe (Classe Aves) que tem várias Ordens subordinadas, consoante um conjunto de semelhanças previamente estabelecidas entre si (anatómicas, genéticas, bioquímicas, ecológicas, etc.).

Os pássaros pertencem à Ordem Passeriformes (uma das mais de vinte Ordens dentro da Classe Aves). É certo também que esta ordem representa, em termos de número de espécies, mais de metade das aves existentes.

Desta forma, será correcto usar o termo pássaro para generalizar qualquer tipo de ave? Não. O termo generalista correcto é, efectivamente, aves.

Aves são as águias, os abutres, as avestruzes, as galinhas, os patos, os pardais, as gaivotas, entre tantas outras espécies nossas conhecidas. Pássaros são, no geral, aves de pequena dimensão, canoras, com alimentação baseada em sementes, frutos e pequenos invertebrados. Os vulgares pardais (Passer domesticus) são o exemplo cabal de uma espécie pertencente a esta Ordem. Os maiores pássaros actualmente existentes são os corvos (Corvus corax).

E as gaivotas? Aquelas que aparecem no filme e que despoletaram toda esta conversa?

Estas aves marinhas pertencem à Ordem Charadriiformes, não estando aparentadas com aquelas outras denominadas pássaros.

Afinal, porque tinha o Hitchcock razão?

Porque ele, correctamente, chamou na língua de Shakespeare, "The Birds", o que na língua de Camões deveria ser chamado de "As Aves".

Este é apenas um pequeno exemplo (talvez sem qualquer importância, num contexto fora da biologia), mas por vezes ao não chamarmos as coisas pelos seus nomes, incorremos no risco de ser mal interpretados.

E sabendo de antemão que o saber não ocupa espaço, não custa nada aprender…

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-07-11
Curiosidades da Fauna e Flora

Mais um exemplo de selecção natural

Algumas doenças sexualmente transmissíveis parecem ter um papel importante no controlo populacional de insectos.

Os investigadores observaram que um grupo de joaninhas (família Coccinellidae) acasalava de dois em dois dias sempre com um novo parceiro. Este comportamento disseminou um ácaro transmitido sexualmente que se alimenta de joaninhas. Em vez de exterminar a população, os ácaros actuavam na esterilização das fêmeas infectadas, controlando assim a densidade populacional.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-07-10
Uma Questão de Educação

Estudos recentes de paleontologia, indicam que os mamutes permaneciam perto das progenitoras e eram amamentados por um período de:

1. 5 meses
2. 12 meses
3. 3 anos
4. 5 anos

Resposta à pergunta do dia 03/07/2006:
A protogenia é um hermafroditismo sequencial no qual um indivíduo passa de fêmea a macho. Este fenómeno está presente em algumas espécies de peixes-papagaio, pertencentes à família Scaridae, sendo que todos os indivíduos nascem fêmeas e os machos são produzidos por reversão sexual de fêmea para macho.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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