Nos próximos dias 15 a 17 de Setembro de 2006, irá decorrer o 1º EETA - Encontro de Educação e Turismo Ambientais, em Arganil, organizado pela SETA (Sociedade Portuguesa para o Desenvolvimento da Educação e do Turismo Ambiental).
O principal objectivo deste encontro é o desenvolvimento da Educação e do Turismo Ambientais, contribuindo para a promoção de um desenvolvimento sustentável e a Conservação da Natureza.
Este evento dirige-se sobretudo aos agentes envolvidos no processo educativo, Turismo sustentável e na Conservação da Natureza, e que se encontrem integrados em Escolas, Áreas Protegidas, Autarquias e Operadores de Turismo Ambiental Sustentável.
Considerar-se-ão temas transversais a questões relativas às alterações climáticas, ao desenvolvimento regional integrado de raiz endógena e a aplicabilidade dos processos no âmbito da Lusofonia.
Segue-se uma programação de que fará parte uma Visita de Estudo (na região de Arganil), Conferências / Debate, apresentações de experiências positivas e Trabalho de Grupo.
As inscrições posteriores a 27 de Julho ficarão dependentes do número de vagas existentes.
Para mais informações, consultar o site da SETA, pelo telefone 96-4517120 ou pelo correio electrónico.
Visita ao Vale do Guadiana
No âmbito do projecto "Sustentabilidades", o CEAI irá promover uma Visita ao Vale do Guadiana nos dias 8 e 9 de Julho.
Com o objectivo de dar a conhecer o património natural e cultural do local, bem como de promover o convívio e as actividades de ar livre, o programa contempla visitas de interpretação da paisagem, uma visita à vila de Mértola, uma descida de rio em canoa e um piquenique nas margens do rio.
Esta organização dedica-se à conservação dos oceanos e dos seus habitantes.
Através de projectos de investigação e de educação ambiental, a Ocean Conservancy pretende sensibilizar e levar o público a tomar medidas no sentido de preservar um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta.
Aqui poderá obter informação sobre politicas de conservação e acções que decorrem no mundo inteiro, com o intuito de salvaguardar habitats e populações, em que poderá participar e dar o seu contributo para a protecção do ambiente marinho e seus recursos.
O nosso fantasioso e criativo imaginário animal Margarida Monarca, educadora ambiental
As espécies animais (leia-se, não racionais), na sua vertente doméstica, na maioria dos casos, ou, para alguns felizardos especialistas, numa vertente menos comum, mais "selvagem", estão presentes e representadas em (quase) todas as etapas da nossa vida como seres humanos, desde crianças até à velhice.
A maioria de nós guarda no coração um lugar especial para aqueles companheiros de casa que nos dão carinho e bons momentos em troca de alimento e alguns cuidados com pitadas de ternura. Por exemplo, ao perguntarmos a uma turma de crianças quantas possuem um animal de estimação os braços no ar e as vozes elevadas numa alegria indisfarçável demonstram bem que uma grande percentagem de nós dedica uma afeição sincera aos animais que convivem connosco.
As espécies animais estão presentes no nosso planeta desde há tempos imemoriais, antes do ser humano ter começado a povoar a Terra. Há séculos que partilhamos habitats e ecossistemas com estes nossos semelhantes, numa convivência nem sempre muito saudável ou pacífica. O nosso imaginário popular está recheado de histórias fantásticas, contadas entre gerações, e que chegaram a nós pela boca de avós e bisavós, que atribuem características fantasiosas ou temíveis a espécies que nada possuem delas, mas que muitas vezes (infelizmente) sofreram na pele as consequências destas crenças.
É fácil encontrar exemplos deste facto.
As cinzas de salamandras eram utilizadas na medicina antiga para cicatrização de úlceras; hoje em dia ainda se crê que podem curar feridas produzidas pelo veneno de serpentes.
Os morcegos são protagonistas em muitos contos de folclore popular. Por exemplo, a presença de um destes mamíferos dentro de casa significa a morte de alguém que ali habite, ou de um parente. Reza a lenda, em Washington, que o infortúnio ocorrerá dentro de um ano; menos optimistas, os restantes estados dos Estados Unidos prevêem um período inferior a 6 meses. No Novo México, no entanto, a previsão é totalmente negra – os habitantes da moradia têm apenas 8 dias para se preparar...
As aves também têm lugar cativo no nosso imaginário popular. Em relação a corvos, "um é mau, dois é sorte, três saúde, quatro riqueza, cinco doença, seis a morte". Por outro lado, as penas de algumas aves apresentam vantagens consideráveis a jovens casadoiras: coser penas de cisne na almofada do marido assegura a sua fidelidade pelo tempo em que se mantiverem nesse local de repouso! (atenção: não vale ir já torturar o primeiro cisne que encontrar).
Naturalmente, estas e outras lendas populares chegam à maioria de nós já diluídas de sentido. No entanto, não nos podemos esquecer que muitas das povoações que vivem em locais mais isolados continuam a, pelo sim pelo não, pôr em prática alguns conselhos antigos. Conselhos que, muitas vezes, resultam numa perseguição dos animais vítimas das histórias, ou simplesmente numa fobia e temores que os mais crentes desenvolvem em relação a determinadas espécies animais.
Não pretendo ser especialista no assunto das lendas populares aplicadas a animais. Muito menos ferir susceptibilidades daqueles que passaram (quase) toda a sua vida a escutar ditados dos mais velhos, referindo cautelas e cuidados a ter em encontros fortuitos (ou nem tanto assim) com os animais das nossas terras. Queria apenas aproveitar para alertar para os efeitos que, muitas vezes, a crença nestes "diz-que-disse" provocam no bem-estar de certas espécies que, geralmente, têm mais receio de se cruzar com os seres humanos do que nós de os encontrar pelo caminho...
Porque, para os olhos da maioria das espécies, nós somos gigantes de pernas altas, um Golias em formato humano, que ocupa muitos dos territórios onde, antigamente, apenas se podia encontrar espaços naturais intocados pela mão do Homem. Talvez devessemos procurar aprender com estes nossos "irracionais semelhantes" o seu modo inato de interagir com a Natureza!
O inquilinismo é uma forma de relação estabelecida entre indivíduos de espécies diferentes na qual um deles procura abrigo no corpo do outro, mas sem o prejudicar.
Uma forma de inquilinismo presente na natureza é a que se pode estabelecer entre a holotúria, ou pepino-do-mar (classe Holothuroidea) e o peixe-agulha (género Fierasfer), na qual este último, um peixe de corpo fino e alongado, penetra no corpo do hospedeiro – a holotúria – para se abrigar dos seus predadores, e só se retira da sua "casa" alugada para procurar alimento.
Curiosamente, este procedimento do peixe não prejudica a vida do senhorio seja de que maneira for!
1. Uma regressão genética 2. Hermafroditismo sequencial no qual um indivíduo passa de fêmea a macho 3. Um mecanismo de reprodução primitivo 4. Deficiência congénita no aparelho reprodutor
Resposta à pergunta do dia 26/06/06: A onça-pintada (Panthera onca), também chamada de onça ou jaguar, é o maior felino actualmente existente no continente americano. Este belo felino pode pesar até 150 kg, habitando florestas ou campos cerrados. A sua distribuição está muito reduzida principalmente devido à destruição do seu habitat para explorações agropecuárias.
Hidrofones desenvolvidos para detectar ruídos de sismos detectaram aquilo que parecem ser diálogos entre baleias. Os biólogos detectaram tons e padrões que variam consoante as águas por onde as baleias navegam: as baleias-azuis (Balaenoptera musculus) do Pacífico produzem sons diferentes das da Antárctida.
Os cientistas acreditam que estes dialectos podem ajudar a coordenar o movimento dos grupos de baleias e evitar a consanguinidade. Investigações complementares estão a ser efectuadas de forma a revelar se os dialectos fazem parte de uma linguagem comum, se são transmitidos geneticamente ou se resultam de um processo de aprendizagem.
Os peixes-cirurgião são peixes tropicais muito apreciados pela beleza das suas cores e pelo seu interessante comportamento.
Pertencentes à família Acanthuridae são facilmente reconhecidos pelo facto de possuírem espigões afiados no corpo que utilizam como âncora quando dormem, na defesa do seu território e contra predadores. Estas estruturas, semelhante a lâminas (daí o seu nome comum), resultam de uma escama altamente modificada e estão presentes em cada um dos lados do pedúnculo caudal (região que antecede a barbatana caudal). Geralmente os espigões encontram-se retraídos mas, se o peixe for perturbado, poderá erguê-los e usá-los contra potenciais inimigos.
Habitam os recifes coralinos da maioria das faixas oceânicas tropicais e sub-tropicais nadando, frequentemente, durante o dia, em grandes cardumes. Dependendo da espécie, alimentam-se de zooplâncton, pequenos invertebrados e de algas, limpando o recife e mantendo o seu equilíbrio. Possuem uma boca curta e dentes serrilhados que lhes facilitam a tarefa de "raspar" as algas que crescem na superfície da rocha.
Algumas espécies mudam de coloração quando passam de juvenis a adultos, embora a maioria mantenha a mesma coloração ao longo da sua vida. Outras espécies possuem ainda a impressionante capacidade de comunicar mudando de cor de acordo com o seu estado emocional ou durante a época de reprodução.
Os acanturídeos organizam-se em vários sistemas sociais em diversas alturas. Podem ser observados em pares monogâmicos, haréns ou grupos enormes de alimentação e desova.
Os machos exibem competição intra-específica quando defendem os seus haréns e/ou territórios.
O Aquário Vasco da Gama propõe um Verão diferente a crianças e jovens que o visitem nos meses de maior calor, com a realização de actividades vocacionadas para estes grupos etários e que lhes permitem um maior contacto com as espécies em exposição no Aquário.
Ateliers de desenho, participação em sessões de alimentação, palestras educativas e a observação directa das tarefas de alguns dos técnicos que trabalham no Aquário são as actividades programadas para crianças e jovens entre os 3 e os 16 anos, que se realizam entre as 10 e as 18 horas, em dias úteis.
Para a participação nestas actividades é necessária uma marcação prévia.
Um jornal destinado a professores do ensino básico e secundário, a cientistas e educadores na área da Ciência, assim como a simples curiosos e/ou interessados. O Science in School é um projecto recente que pretende encorajar a comunicação entre todos os envolvidos com a Ciência.
Disponível online e em versão impressa (de quatro em quatro meses), este jornal inclui artigos sobre avanços científicos, entrevistas, material educativo, sugestões para visitas escolares, cursos de formação e críticas a livros, filmes e websites, convidando igualmente o leitor ao envio de material para publicação, em qualquer língua.
Uma interessante iniciativa, a descobrir no site do Science in School.
ASPEA – Associação Portuguesa de Educação Ambiental
A ASPEA é uma associação sem fins lucrativos, fundada em 1990, que tem como objectivo principal o desenvolvimento da Educação Ambiental. Para tal, desenvolve diversas acções de formação e actividades de forma a promover o seu objectivo e a formar profissionais que actuem na área ambiental.
No website pode obter um conjunto detalhado de informação relativa a eventos, nacionais e internacionais, projectos desenvolvidos e a desenvolver, convívios na natureza, jogos e actividades que poderá utilizar como recursos para fomentar a Educação Ambiental e muito mais.
Não deixe de conhecer as actividades desenvolvidas nas Oficinas de Arte e Ambiente, onde muito se faz com a reciclagem de materiais numa perspectiva de Educação Ambiental bem criativa!
A importância dos intermédios Omphale la Blanche, biólogo
Li há dias uma frase muito simples, da autoria de Miguel Esteves Cardoso, que brilhantemente (como é seu apanágio) explorou a forma como vemos duas (para mim das mais belas) estações do ano:
"A Primavera e o Outono não existem. A Primavera é o Verão que ainda não chegou e o Outono é o Verão que já acabou"
Esta é, creio eu, a forma como encaramos cada vez mais estas estações (leia-se Primavera e Outono); a preparação para o tão ambicionado calor (sinónimo, para muitos, de praia e férias) ou para o frio e a chuva (e as consequentes constipações). E raramente lhes reconhecemos a devida importância.
Talvez (garantidamente, acho eu) os mais velhos e experientes e aqueles que estão, de algum modo, ligados à terra e sentem "na pele" os constantes caprichos da Natureza, não encarem assim as estações, mas a muitos de nós, a vida citadina vai-nos "cegando" aos poucos, com toda a exuberância dos seus Shoppings, dos ares condicionados e dos carros desportivos.
Findo o desabafo, vejamos o que são, na realidade, as estações do ano.
As estações são caracterizadas pelos seus diferentes padrões climáticos, que por sua vez têm origem no movimento de translação da terra em relação ao Sol. As suas características climáticas resultam da distância do Sol e ângulo de incidência dos raios solares na Terra. E desde os tempos mais remotos que esta é uma sabedoria empírica, de onde os próprios nomes das estações provêm.
Primavera deriva do latim primo vere, que significa princípio de boa estação, fazendo jus ao início de um período de boas condições climáticas, com o aumento de temperatura e dias maiores.
Verão deriva de veranum tempus, que significa tempo da frutificação, período em que a chuva é escassa e os dias são mais longos.
Outono teve a sua origem em tempus autumnus, tempo de ocaso, em que os dias ficam progressivamente mais curtos e se aproxima o tempo mais frio e instável.
Por fim, Inverno, tempus hibernus, ou tempo de hibernar, quando o tempo se caracteriza por chuva e frio. Atrevo-me a dizer que o seu nome é quase auto-explicativo.
Estas quatro estações são, no entanto, mais sentidas nas regiões temperadas como a nossa (Portugal), em que há uma nítida variação da duração do dia ao longo do ano. Nas regiões mais setentrionais e equatoriais do globo, as estações resumem-se a duas, geralmente a estação quente e a estação fria.
Mas para o que nos diz respeito, é importante que possamos contar com as quatro estações, quer do ponto de vista económico (para toda a sazonalidade de culturas ou para o turismo), quer do ponto de vista biológico.
A região ecológica da Bacia Mediterrânica (na qual grande parte de Portugal se insere) é predominantemente caracterizada (ao contrário do que muitos poderão pensar) pela sua biodiversidade vegetal, perfeitamente adaptada às variações climáticas que caracterizam a região. As quatro estações, a desaparecer, levarão, inevitavelmente, a uma profunda mudança na paisagem e, consequentemente, em toda a diversidade biológica (florística e faunística). Para muitas espécies de animais, como para alguns anfíbios, a Primavera e o Outono são, precisamente, as alturas em que estão mais activos, pelas suas características climáticas menos extremadas (menos frio ou menos calor, respectivamente).
E o futuro, a este ritmo, não parece risonho. Parece incontornável que, a médio prazo, viveremos num Portugal a duas estações, em que as diferenças climáticas serão cada vez mais significativas; ou muito calor e seco; ou muito frio e dilúvios. E em nada beneficiará a biodiversidade de que tanto nos podemos orgulhar.
Correndo o risco de ser uma repetição de algo que muitas vezes ouvimos, arrisco ainda assim em apontar uma origem para esta mudança – a influência que o Homem tem nos ciclos normais da água, carbono, etc., assim como a contínua e crescente libertação de CO2 e outros gases de estufa para a atmosfera, que estão a alterar as dinâmicas e equilíbrios de todo o planeta.
Cabe, portanto, a todos nós uma pequena fatia de responsabilidade com a qual devemos e temos (!) de aprender a lidar. Podemos, através daqueles pequenos actos "ambientalmente conscientes", começar a inverter esta tendência, de forma a continuar a contemplar esta tão saudável heterogeneidade de condições climáticas com que a Natureza nos brinda todos os anos.
Existem rãs que vivem toda a sua vida em ambientes extremamente secos e quentes. No entanto, a sua pele não pode ficar seca.
Para evitar esta situação, rãs da espécie Cyclorana platycephala reduzem a perda de água por evaporação, espalhando por todo o corpo ceras e gordura produzidas por glândulas especiais que possuem na pele, formando uma capa protectora contra a perda de água.