A importância de uma "medalha olímpica"... verde
Marco Bragança, Biólogo
Não, não vos vou falar dos prodígios de Michael Phelps na natação, nem de Nelson Évora no triplo salto. Os atletas que brevemente entrarão nas finais olímpicas a caminho de uma medalha, pouco ou nada terão que correr ou saltar, mas muito terão que pensar. Falo-vos das Olimpíadas do Ambiente, cuja Final Nacional principiará no Porto no próximo dia 1 de Maio.
Mas qual o meu objectivo em abordar esse assunto? Em particular quando os meus colegas que directamente trabalham no projecto com muita facilidade o fariam e com melhor conhecimento de causa. Bem, porque o meu objectivo não é explicar a importância deste evento, através dos olhos de quem o organiza. Pretendo sim procurar interpretar, juntamente com o leitor e numa perspectiva exterior ao projecto, o impacto que esta iniciativa pode ter não só naqueles que nela participam, mas também no futuro do nosso planeta.
Mas afinal o que é que eu vejo como importante nas Olimpíadas do Ambiente (OA)?
É certo que o Ambiente é uma temática que já não é estranha a cada um de nós, muito menos às camadas mais jovens. No entanto, e como em todas as temáticas que geram debates apaixonados, a informação que nos chega através dos seus mais variados veículos traz, muitas vezes, a interpretação pessoal de quem está contra ou favor de determinado assunto. É complicado receber uma informação sem o cunho pessoal de quem a transmite. Torna-se cada vez mais importante estudar um determinado tema para que possamos tomar uma posição informada.
Uma das mais valias que encontro nas OA é a de mobilizar milhares de alunos que, com a ajuda dos seus professores e durante vários meses, se dedicam a pensar, investigar e debater ambiente, como preparação para as provas que constituem as eliminatórias e a final desta iniciativa. Todo este trabalho de fundo, o contacto com outros jovens e professores, com outras realidades, com outras ideias e interpretações do ambiente, promove um crescimento pessoal enorme, no terreno fértil para a aprendizagem que constitui a adolescência.
E se é verdade que todos nós já nos apercebemos que, ao sensibilizarmos as camadas mais jovens para determinados assuntos estamos a definir o que será a humanidade do futuro, imaginem então o potencial que é dotarmos essa mesma juventude de ferramentas que lhes permitam um conhecimento integrado de uma temática tão essencial para o futuro do ser humano como é o ambiente.
E como sabemos o conhecimento não se fica por aqui. Todos estes factos e conceitos que este jovens procurarão conhecer, como preparação para as suas provas, constituirão importantes bases de argumentação quando procurarem mudar a mentalidade daqueles que os rodeiam. Falo daqueles comportamentos já tão enraizados no nosso dia-a-dia que não nos apercebemos o quão fáceis são de alterar e que podem ter um impacto tão positivo no planeta. Mesmo aqueles que, como eu, consideram ter alguma sensibilidade para questões ambientais não estão livres de serem alertados para darem mais um passo em frente, para alterarem mais um comportamento, para abdicarem de mais uma rotina supérflua, que em nada nos afecta mas que em muito prejudica o ambiente.
É que enquanto muitos de nós, em particular aqueles com cargos políticos ou decisórios, procuram integrar factos e conceitos, muitas vezes fora da nossa área de formação, como quem percorre um campo de obstáculos na direcção de uma posição informada sobre questões ambientais; estes jovens atiraram-se, nos últimos meses e nos próximos dias, a essa tarefa com a leveza de quem corre os 100 metros barreiras. Porque afinal, atrás da meta está uma tão almejada "medalha"... verde.