Alexandre Rodrigues Ferreira, naturalista luso-brasileiro, nasceu na Bahia, a 27 de Abril de 1756. Após os seus estudos iniciais na sua cidade natal, viajou para Portugal, tendo-se bacharelado em Coimbra aos 22 anos, prosseguindo os seus estudos nesta instituição, obtendo o grau de doutor em 1779, e tendo então iniciado funções no Museu Real da Ajuda.
Em 1783 demitiu-se do seu cargo no Museu Real da Ajuda para embarcar numa viagem de descoberta ao centro-norte do Brasil, a pedido da Rainha D. Maria I, e na sua qualidade de naturalista. Embarcado em Outubro desse ano, fez-se acompanhar por Joaquim Codina e Joaquim Freire, desenhistas, e por Joaquim do Cado, um jardineiro botânico.
Durante os nove anos em que decorreu a sua viagem pelas Capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá, Rodrigues Ferreira explorou diversas zonas, recolhendo informação e amostras de vegetação, animais e minerais.
Regressou a Lisboa em 1793, tendo então sido nomeado Oficial da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos. Em 1794 foi condecorado com a Ordem de Cristo e ocupou o cargo de director interino do Real Gabinete de História Natural e Jardim Botânico. Um ano mais tarde passou a vice-presidente desta instituição, sendo também nomeado Administrador das Reais Quintas e Deputado da Real Junta do Comércio.
Apostando na diversidade e na oportunidade de estender a todos um maior contacto com a vida selvagem, a SPEA, em colaboração com a Associação de Cegos e Amblíopes (ACAPO), a Associação Promotora do Ensino dos Cegos (APEC) e a Associação dos Deficientes das forças Armadas (ADFA) promovem, nos dias 3, 4, 10 e 11 de Junho de 2006, um Curso de Identificação de Aves para Pessoas com Deficiência Visual.
Este interessante curso, que aborda temáticas como biologia e hábitos das aves, identificação do seu canto, identificação do local onde as aves podem ser encontradas, bem como duas sessões práticas, está aberto ao público em geral, embora seja dada preferência a deficientes visuais, no caso de se esgotarem as vagas disponíveis.
Mais informações e inscrições podem ser encontradas no site da SPEA.
Projecto Tyto Tagus
O LabOr – Laboratório de Ornitologia da Universidade de Évora está a iniciar o Projecto Tyto Tagus, que visa estudar a dispersão da Coruja-das-torres (Tyto alba) no troço superior do estuário do Tejo. Para tal, solicitam a comunicação de quaisquer informações relativas à existência de ninhos ou poisos daquela espécie em terrenos dos municípios de Alenquer, Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Coruche, Santarém, Salvaterra de Magos e Vila Franca de Xira.
Os dados sobre a localização de ninhos e/ou poisos de Coruja-das-torres (data de observação, nome do monte/lugar, freguesia e concelho) devem ser preferencialmente enviados por e-mail para o coordenador do Projecto, João E. Rabaça, ou para Inês Roque.
Para mais informações sobre o Projecto, consultar o site do mesmo, em Destaques.
Uma Casa Natural
A Escola de Campo "O Carvalhal" irá realizar, durante os meses de Maio a Setembro, uma iniciativa dedicada a jovens que procurem soluções mais ecológicas a nível de construção, e que queiram embarcar num desafio diferente.
Este projecto tem como objectivo a construção de uma Casa de Brincar Redonda Ecológica, com 3 metros de diâmetro e 1,5 metros de altura, uma réplica miniatura de uma casa maior a construir posteriormente.
Mais informações sobre esta iniciativa podem ser encontradas na página web do projecto.
Fotografar a vida selvagem
O Parque Biológico de Gaia convida à participação de todos os fotógrafos, amadores e profissionais, amantes da vida selvagem, no concurso nacional de fotografia "Parques e Vida Selvagem" a terminar até 1 de Outubro de 2006.
De inscrição gratuita e participação com exemplares em número ilimitado, desde que correctamente identificados, este concurso pretende incentivar um olhar mais atento ao património natural no nosso país, que tanto de belo tem para oferecer.
Para todos os interessados, mais informações sobre como participar poderão ser obtidas através do site do Parque Biológico de Gaia.
A Primavera do Verão Élio Vicente, biólogo marinho
O Verão já chegou! Sim, é certo!, ainda não estamos a 21 de Junho; mas a verdade é que muitas pessoas facilmente argumentarão que o Verão, na realidade, não nos abandonou verdadeiramente no ano passado... Quase que poderíamos dizer que, depois de Setembro de 2005, continuámos numa serena e reconfortante "Primavera Invernal", sem especial frio, sem enormes chuvadas e com magníficos dias de passeios!
Entretanto, há quem tenha saudades dos tempos em que ditados como "Em Abril, águas mil" andavam na boca de toda a gente... Mas ainda há quem se lembra de "Março marçagão, de manhã Inverno, de tarde... Verão"???... Só se forem as gerações (bem) mais velhas - porque as mais novas lembrar-se-ão de mais Marços soalheiros do que invernosos.
E é óbvio que recordar "Dos Santos ao Natal, ou bem chover ou bem nevar" já não parece fazer muito sentido em Portugal (a não ser em curiosos e muito pontuais fenómenos que fazem ocorrer milhares de pessoas à rua e à Serra de Monchique, como aconteceu, no passado dia 29 de Janeiro - um mês depois do período a que se refere o ditado). E presumo que todos estamos de acordo que "Quando Outubro for erveiro, guarda para Março o palheiro" é um ditado perfeitamente desactualizado...
A infeliz realidade é que, como muitas outras coisas, o tempo mudou - como o confirma (empiricamente) o crescente número de pessoas que, tardiamente na vida, desenvolveram alergias ao polén, por exemplo, resultado dos maiores e mais recorrentes blooms de polén que circula por todo a Europa, nestes dias (fruto do aumento da temperatura e do efeito imediato que tal causa nas plantas que geram flor...).
Entretanto, se atentarmos nas temperaturas médias durante os tradicionais meses de Outono e Inverno e, claro!, se analisarmos os valores de precipitação dos últimos 36 meses, facilmente percebemos que muitas das características do meses de veraneio (baixa precipitação, tempo quente e seco, etc.) há muito que nos fazem companhia. O clima já não é o que era... E "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades": já não precisamos de esperar pelos meses de Junho, Julho, Agosto e Setembro para andarmos de t-shirt, calções e chinelos, para bebermos bebidas frescas e para dormirmos sem cobertores.
Ora, isso é bom para o Turismo! Logo, é bom para a Economia. Ou seja, é bom para os Portugueses... O que significa que é bom para Portugal!
Ou será que não?...
A verdade é que não é possível ter "Sol na Eira e Chuva no Nabal". E se alguns de nós beneficiamos com o quente tempo e seco (que convida para passeios, mergulhos nos mar e descansos na praia), a verdade é que todos nós saímos prejudicados ambientalmente... E quando se perde na área do ambiente... perde-se em todo o lado!
Nos dias que correm, só os muito distraídos poderão não ter noção das graves consequências de um prolongado período de seca, inerente a todos estes fenómenos climáticos. E, infelizmente, Portugal continua a atravessar um dos mais fortes e "dolorosos" períodos de seca da sua história recente. E os próximos meses "prometem" ser ainda mais parcos em pluviosidade...
E como é que a nossa Fauna e Flora reage a estas mudanças? Como os humanos: alguns bem, outros razoavelmente, e outros (muito) mal! Claro que muitas espécies (especialmente, de vertebrados) têm grandes capacidades adaptativas e podem mudar de hábitos e/ou de habitats - nem sempre para melhor, mas podem mudar. Mas muitas espécies evoluíram de tal forma que muito dificilmente (por limitações fisiológicas e/ou temporais) se adaptarão ou conseguirão um novo nicho ecológico ou habitat. E isso significa que muitas plantas e muito animais (grupos familiares, populações e, por vezes, espécies inteiras) poderão ser irremediavelmente (por vezes, fatalmente) afectadas. Quem fala em fauna e flora não se pode esquecer dos fungos - igualmente fundamentais para o equilíbrio ecológico do nosso planeta.
E não sejamos ingénuos: se os fungos, se a fauna e se a flora mudam, nós também somos obrigados a mudar. E mesmo que pareça o contrário, raramente mudamos para melhor...
Pois é, as tradições mudam. A cultura evoluiu. Perdem-se oportunidades...
Mas... também nascem oportunidades! Como, por exemplo, as crescentes iniciativas de sequestro de carbono. Simples, fácil e muito, muito útil! Num mundo cada vez mais global e onde as nossas acções têm um cada vez maior e mais prolongado impacto, é reconfortante verificar que vão nascendo iniciativas cientificamente equilibradas e socialmente justas, que se preocupam em difundir e aplicar novos valores ecológicos, novas dinâmicas operacionais e mais fortes posturas éticas - e nos facilitam, a título individual, a minimizar o nosso impacto. A um ritmo cada vez maior, já se vêem em Portugal equipas e projectos que activamente contribuem para criar comunidades melhor informadas, mais determinadas a ajudar e mais activas. Embora estas dinâmicas ainda sejam notoriamente insuficientes, não sejamos pessimistas: todos os esforços, por mais pequenos que possam parecer, ajudam - porque "grão a grão, enche a galinha o papo".
E porque "ditado puxa ditado", fazemos votos que o crescente envolvimento e consciencialização ambiental dos Portugueses se fortaleça, contribuindo activamente para que a nossa sociedade mude (para melhor), ecologicamente, e de modo a garantir que não se cumpra, em termos ambientais, o bem velho mas também bem verdadeiro ditado "Quem semeia ventos, colhe tempestades"...
Contrariamente ao esperado, as lulas são progenitoras atentas e cuidadosas... A espécie Gonatus onyx, uma espécie relativamente comum nas águas profundas do Monterey Canyon ao largo da Califórnia, foi observada por um grupo de investigadores do Monterey Aquarium Research Institute a transportar grandes sacos de ovos entre os seus braços, protegendo-os e oxigenando-os durante 6 a 9 meses até que a prole nasça.
Esta é uma descoberta inesperada, uma vez que este comportamento protector era desconhecido dos biólogos marinhos que julgavam, até há data, que as fêmeas abandonavam os ovos à sorte no fundo do mar após a postura.
O que vive dentro dos pólipos dos corais e usa a luz solar para a produção de alimento?
1. O peixe-anjo (Pterophyllum sp.) 2. Algas chamadas zooxantelas 3. O cavalo-marinho (Hippocampus hippocampus) 4. O peixe-palhaço (Amphiprion percula)
Resposta à pergunta do dia 15/05/2006: Os golfinhos conseguem "ver" o mundo através do som por intermédio da ecolocalização. Este sistema consiste na emissão de sons de alta frequência, que ao embaterem nos objectos retornam ao animal sob a forma de eco, sendo posteriormente interpretados e fornecendo ao golfinho informações como a dimensão, estrutura e distância do objecto.
A Comissão Europeia iniciou, em Dezembro passado, um processo de infracção contra Portugal e outros 7 Estados-Membros por incumprimento de actividades de protecção de cetáceos nas suas águas, bem como por falta de vigilância, no caso de algumas espécies.
Uma vez que todas as espécies de cetáceos são consideradas de "interesse comunitário", estão sujeitas a medidas de protecção rigorosas, inseridas na Directiva Habitats da União Europeia. Relativamente ao golfinho-roaz (Tursiops truncatus) e ao boto (Inia geoffrensis), esta directiva obriga ainda à criação de zonas especiais de conservação.
Nativo das estepes da zona leste da Ásia, o camelo-bactriano (Camelus bactrianus), termo não ofensivo para a espécie, está completamente adaptado à vida em regiões áridas, onde as temperaturas variam entre - 29º C no Inverno e 38º C no Verão.
Naturalmente, e tal como nos diz a famosa canção, o aspecto mais conhecido da espécie é a presença de duas bossas, que o elevam à altura de uns impressionantes 213 cm. A função destes estranhos apêndices é a de armazenar gordura para alturas de escassez de alimento, contrariamente ao que a maioria das pessoas acredita, ou seja, que é a de armazenar água. Cada uma destas "bolsas" é capaz de guardar 36 kg de alimento, em forma de matéria gorda, que vai decrescendo à medida que é metabolizada segundo as necessidades do animal.
Os camelos movem-se constantemente à mesma velocidade, conseguindo-o ao movimentar as duas patas do mesmo lado simultaneamente. As suas crias são capazes de se suster em pé sozinhas logo após o parto e conseguem correr poucas horas depois do seu nascimento.
Estes são animais herbívoros, podendo alimentar-se de vegetação seca, salgada e/ou amarga, mas em alturas de escassez de alimento ingerem igualmente ossos e pele de animais, bem como carne. Em situações realmente extremas, optam por alimentar-se de corda, sandálias ou até mesmo tendas, o que lhes permite resistir em zonas de vegetação esparsa.
Actualmente, quase todas as populações de camelos existentes estão domesticadas, restando poucos indivíduos selvagens. Muito popular, o camelo-bactriano é utilizado como animal de carga e de transporte, sendo também consumida a sua carne e leite. A gordura das bossas é usada na confecção de alimentos, e o pêlo para vestuário, cobertores e tendas. A pele é também aproveitada, para fazer produtos em couro, tais como sapatos.
O camelo-bactriano está listado como Vulnerável (Vu) na IUCN Red List.
Ignorance more frequently begets confidence than does knowledge: it is those who know little, and not those who know much, who so positively assert that this or that problem will never be solved by science.
Charles Darwin (1809-1882). Naturalista britânico e autor da teoria da selecção natural. Autor do livro "A origem das Espécies", em 1859, onde salientou a evolução dos seres vivos a partir de um ancestral comum através da selecção natural.
Seminário Litoral Norte – Perspectivas para um futuro
Sete anos após a publicação do Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) do troço Caminha-Espinho, O Parque Biológico de Gaia (Avintes) irá realizar, nos dias 20 e 21 de Maio, um seminário onde se pretende lançar um olhar crítico sobre a evolução recente e a situação actual do Litoral Norte, bem como, através de uma discussão alargada, contribuir para a definição e comparação de cenários de evolução nas vertentes natural, cultural e socio-económica.
Para o efeito, o programa proposto incluirá conferências temáticas por especialistas convidados (Sábado 20) e uma visita ao terreno para observação de situações concretas (Domingo 21).
O seminário destina-se a decisores, técnicos, investigadores, estudantes e, em geral, a todos os que se interessam pela preservação da orla costeira e dos seus valores naturais e culturais.
Com vista a fomentar a informação e formação dos cidadãos em matéria de ambiente e construir novos modelos de desenvolvimento mais equitativos, irá decorrer nos próximos dias 26 e 27 de Maio, em Paredes de Coura, um congresso intitulado "A Educação e o Desenvolvimento Sustentável".
Este congresso, que reunirá diversos especialistas nacionais e que se realizará num concelho em que o desenvolvimento pressupõe a conservação da natureza, pretende contribuir para que os grandes objectivos associados à sustentabilidade futura dos recursos naturais sejam de facto atingidos.
São destinatários deste congresso professores, técnicos de educação ambiental, autarcas, dirigentes e técnicos de áreas protegidas, técnicos de turismo, investigadores em ciências do ambiente, etc.
Para mais informações sobre o programa e inscrições, consulte a página web do congresso.
Biodeterioração e Conservação do Património Cultural
A Universidade dos Açores irá realizar, de 20 a 23 de Junho de 2006, um curso sob a temática "Biodeterioração e Conservação do Património Cultural", no qual serão abordados o diagnóstico, a prevenção e a resolução de situações de biodegradação do património cultural.
Este curso, que se destina principalmente a conservadores de museus, restauradores, responsáveis de bibliotecas e arquivos, biólogos e estudantes de Biologia, História e Arte, mas também a quaisquer outros interessados, aborda materiais tão diversos como o papel, pedra, madeira e tela, entre outros.
Para mais informações e inscrições consulte o site do curso.
O Bico do Tentilhão – Uma história da evolução dos nossos tempos
Este livro relata a história de uma casal de biólogos (Peter e Rosemary Grant) que, durante mais de vinte anos estudou os tentilhões de uma ilha das Galápagos (aquelas aves que inspiraram o génio de Charles Darwin a desenvolver a teoria da evolução). O trabalho deste casal revelou que a evolução, através da selecção natural, não é necessariamente um processo lento que se desenrola ao longo de milhares de anos, mas que ocorre diariamente, isto é, num intervalo de tempo que o leitor comum consegue facilmente absorver.
Este livro, aclamado por muitos é, sem dúvida, um veículo de divulgação científica, capaz de suscitar debates e informar os cidadãos e, porventura, capaz de inspirar jovens a seguirem uma carreira científica.
Aquando da primeira edição, em 1994, este recebeu o prestigiado prémio Pulitzer na categoria de não-ficção, onde figuram nomes como Carl Sagan ou Edward O. Wilson. Foi também premiado com o Los Angeles Times Book prize for Science, sendo o seu autor actualmente comparado a autores como Stephen J. Gould ou Richard Dawkins.