Contrariamente ao esperado, as lulas são progenitoras atentas e cuidadosas... A espécie Gonatus onyx, uma espécie relativamente comum nas águas profundas do Monterey Canyon ao largo da Califórnia, foi observada por um grupo de investigadores do Monterey Aquarium Research Institute a transportar grandes sacos de ovos entre os seus braços, protegendo-os e oxigenando-os durante 6 a 9 meses até que a prole nasça.
Esta é uma descoberta inesperada, uma vez que este comportamento protector era desconhecido dos biólogos marinhos que julgavam, até há data, que as fêmeas abandonavam os ovos à sorte no fundo do mar após a postura.
O que vive dentro dos pólipos dos corais e usa a luz solar para a produção de alimento?
1. O peixe-anjo (Pterophyllum sp.) 2. Algas chamadas zooxantelas 3. O cavalo-marinho (Hippocampus hippocampus) 4. O peixe-palhaço (Amphiprion percula)
Resposta à pergunta do dia 15/05/2006: Os golfinhos conseguem "ver" o mundo através do som por intermédio da ecolocalização. Este sistema consiste na emissão de sons de alta frequência, que ao embaterem nos objectos retornam ao animal sob a forma de eco, sendo posteriormente interpretados e fornecendo ao golfinho informações como a dimensão, estrutura e distância do objecto.
A Comissão Europeia iniciou, em Dezembro passado, um processo de infracção contra Portugal e outros 7 Estados-Membros por incumprimento de actividades de protecção de cetáceos nas suas águas, bem como por falta de vigilância, no caso de algumas espécies.
Uma vez que todas as espécies de cetáceos são consideradas de "interesse comunitário", estão sujeitas a medidas de protecção rigorosas, inseridas na Directiva Habitats da União Europeia. Relativamente ao golfinho-roaz (Tursiops truncatus) e ao boto (Inia geoffrensis), esta directiva obriga ainda à criação de zonas especiais de conservação.
Nativo das estepes da zona leste da Ásia, o camelo-bactriano (Camelus bactrianus), termo não ofensivo para a espécie, está completamente adaptado à vida em regiões áridas, onde as temperaturas variam entre - 29º C no Inverno e 38º C no Verão.
Naturalmente, e tal como nos diz a famosa canção, o aspecto mais conhecido da espécie é a presença de duas bossas, que o elevam à altura de uns impressionantes 213 cm. A função destes estranhos apêndices é a de armazenar gordura para alturas de escassez de alimento, contrariamente ao que a maioria das pessoas acredita, ou seja, que é a de armazenar água. Cada uma destas "bolsas" é capaz de guardar 36 kg de alimento, em forma de matéria gorda, que vai decrescendo à medida que é metabolizada segundo as necessidades do animal.
Os camelos movem-se constantemente à mesma velocidade, conseguindo-o ao movimentar as duas patas do mesmo lado simultaneamente. As suas crias são capazes de se suster em pé sozinhas logo após o parto e conseguem correr poucas horas depois do seu nascimento.
Estes são animais herbívoros, podendo alimentar-se de vegetação seca, salgada e/ou amarga, mas em alturas de escassez de alimento ingerem igualmente ossos e pele de animais, bem como carne. Em situações realmente extremas, optam por alimentar-se de corda, sandálias ou até mesmo tendas, o que lhes permite resistir em zonas de vegetação esparsa.
Actualmente, quase todas as populações de camelos existentes estão domesticadas, restando poucos indivíduos selvagens. Muito popular, o camelo-bactriano é utilizado como animal de carga e de transporte, sendo também consumida a sua carne e leite. A gordura das bossas é usada na confecção de alimentos, e o pêlo para vestuário, cobertores e tendas. A pele é também aproveitada, para fazer produtos em couro, tais como sapatos.
O camelo-bactriano está listado como Vulnerável (Vu) na IUCN Red List.
Ignorance more frequently begets confidence than does knowledge: it is those who know little, and not those who know much, who so positively assert that this or that problem will never be solved by science.
Charles Darwin (1809-1882). Naturalista britânico e autor da teoria da selecção natural. Autor do livro "A origem das Espécies", em 1859, onde salientou a evolução dos seres vivos a partir de um ancestral comum através da selecção natural.
Seminário Litoral Norte – Perspectivas para um futuro
Sete anos após a publicação do Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) do troço Caminha-Espinho, O Parque Biológico de Gaia (Avintes) irá realizar, nos dias 20 e 21 de Maio, um seminário onde se pretende lançar um olhar crítico sobre a evolução recente e a situação actual do Litoral Norte, bem como, através de uma discussão alargada, contribuir para a definição e comparação de cenários de evolução nas vertentes natural, cultural e socio-económica.
Para o efeito, o programa proposto incluirá conferências temáticas por especialistas convidados (Sábado 20) e uma visita ao terreno para observação de situações concretas (Domingo 21).
O seminário destina-se a decisores, técnicos, investigadores, estudantes e, em geral, a todos os que se interessam pela preservação da orla costeira e dos seus valores naturais e culturais.
Com vista a fomentar a informação e formação dos cidadãos em matéria de ambiente e construir novos modelos de desenvolvimento mais equitativos, irá decorrer nos próximos dias 26 e 27 de Maio, em Paredes de Coura, um congresso intitulado "A Educação e o Desenvolvimento Sustentável".
Este congresso, que reunirá diversos especialistas nacionais e que se realizará num concelho em que o desenvolvimento pressupõe a conservação da natureza, pretende contribuir para que os grandes objectivos associados à sustentabilidade futura dos recursos naturais sejam de facto atingidos.
São destinatários deste congresso professores, técnicos de educação ambiental, autarcas, dirigentes e técnicos de áreas protegidas, técnicos de turismo, investigadores em ciências do ambiente, etc.
Para mais informações sobre o programa e inscrições, consulte a página web do congresso.
Biodeterioração e Conservação do Património Cultural
A Universidade dos Açores irá realizar, de 20 a 23 de Junho de 2006, um curso sob a temática "Biodeterioração e Conservação do Património Cultural", no qual serão abordados o diagnóstico, a prevenção e a resolução de situações de biodegradação do património cultural.
Este curso, que se destina principalmente a conservadores de museus, restauradores, responsáveis de bibliotecas e arquivos, biólogos e estudantes de Biologia, História e Arte, mas também a quaisquer outros interessados, aborda materiais tão diversos como o papel, pedra, madeira e tela, entre outros.
Para mais informações e inscrições consulte o site do curso.
O Bico do Tentilhão – Uma história da evolução dos nossos tempos
Este livro relata a história de uma casal de biólogos (Peter e Rosemary Grant) que, durante mais de vinte anos estudou os tentilhões de uma ilha das Galápagos (aquelas aves que inspiraram o génio de Charles Darwin a desenvolver a teoria da evolução). O trabalho deste casal revelou que a evolução, através da selecção natural, não é necessariamente um processo lento que se desenrola ao longo de milhares de anos, mas que ocorre diariamente, isto é, num intervalo de tempo que o leitor comum consegue facilmente absorver.
Este livro, aclamado por muitos é, sem dúvida, um veículo de divulgação científica, capaz de suscitar debates e informar os cidadãos e, porventura, capaz de inspirar jovens a seguirem uma carreira científica.
Aquando da primeira edição, em 1994, este recebeu o prestigiado prémio Pulitzer na categoria de não-ficção, onde figuram nomes como Carl Sagan ou Edward O. Wilson. Foi também premiado com o Los Angeles Times Book prize for Science, sendo o seu autor actualmente comparado a autores como Stephen J. Gould ou Richard Dawkins.
Sejamos humildes mas nem tanto João Neves, Biólogo
Não é novidade ouvirmos dizer que Portugal é um país de brandos costumes. Também a nossa história recente nos prova que somos um povo suficientemente humilde para nos conformamos com "certas e determinadas coisas" e, sem quase nos apercebermos disso, somos frequentemente ultrapassados. E resignamo-nos…
Um facto real, que provavelmente muita gente não sabe, é que afinal somos um país muito rico. Não me refiro à riqueza cultural, arquitectónica ou qualquer outra fruto das aventuras transfronteiriças de que tanto nos orgulhamos. Refiro-me, sim, à riqueza "dada" pela Natureza, essa riqueza de que raramente nos damos conta e que embeleza Portugal de norte a sul. Que permite que vejamos os anúncios como "Vá para fora cá dentro" e que me enche a alma com toda a beleza daquelas imagens. Nem parece Portugal…
Mas enganam-se todos os que pensam que tudo é mau ou assim-assim, porque neste sentido, estamos mais do que bem servidos, fazendo parte integrante da rede mundial dehotspots.
Mas então, o que é um hotspot de biodiversidade?
O conceito de hotspot ("ponto quente") de biodiversidade, nasceu da necessidade de hierarquizar as diferentes zonas (ecossistemas) do planeta, tendo em conta a pertinência da sua conservação. Estes "pontos quentes" significam áreas riquíssimas em espécies endémicas, albergando, em geral, uma enorme diversidade de fauna e flora. Apesar disto, estas áreas estão sujeitas a um conjunto de pressões que poderão condicionar a futura sustentabilidade de toda a sua biodiversidade.
Acima de 50% das espécies vegetais no mundo e cerca de 42% das espécies de vertebrados terrestres são endémicas dos hotspots. Se juntarmos todas estas áreas do planeta, teremos apenas 2,3% da superfície da Terra. São no total 34 hotspots em todo o planeta e o nosso humilde país faz parte integrante de um, definido como Bacia Mediterrânica.
A Bacia Mediterrânica estende-se desde Portugal até à Jordânia, circundando o Mediterrâneo, quer na costa europeia, como na africana. Em termos biológicos, é caracterizada essencialmente pela sua diversidade florística. Estão identificadas cerca de 22 500 espécies de plantas vasculares endémicas, sendo este número 4 vezes superior ao verificado no resto da Europa!!! E cerca de metade não é encontrada em mais nenhuma parte do mundo.
Este hotspot alberga também uma diversidade muito significativa de répteis endémicos, aves e mamíferos, embora não tão significativa como noutros pontos.
A pressão urbanística e a fragmentação de habitats são algumas das grandes condicionantes à conservação destas espécies. A condição de espécies criticamente ameaçadas como a foca-monge-do-Mediterrâneo (Monachus monachus) ou o lince-ibérico (Linx pardinus) torna imperiosa a tomada de medidas sérias a curto prazo.
Por tudo isto, creio que devemos dar muito valor ao que temos e fazer os possíveis para que as gerações vindouras possam usufruir desta nossa biodiversidade, oxalá em melhores condições que as que hoje observamos.
Que o olfacto de determinadas espécies animais, como os cães, era extremamente apurado, já se sabia. Mas que houvessem espécies capazes de detectar doenças tão específicas como o cancro de pulmão, em pacientes humanos, quais "médicos caninos", é realmente uma novidade!
Cientistas de uma clínica californiana vieram a público afirmar que treinaram cinco cães – três labradores e dois cães-de-água portugueses – para detectar, através do hálito de pacientes, a existência de cancro de pulmão, com uma precisão de 95%.
A detecção de cancro de pele através deste método era já conhecida da comunidade científica, sabendo-se que os tumores libertam pequenas quantidades de alcanos e derivados de benzenos que são detectáveis por estes animais, e que não existem numa pele saudável. A notícia de que esta detecção também é possível noutros casos de cancro está a intrigar os cientistas, que se mantêm cépticos, mas dispostos a aprofundar a investigação. Uma vez que consideram ser biologicamente possível que tal aconteça, esta poderá ser uma notícia revolucionária a nível médico.
Como é que os golfinhos "vêem" o mundo através do som?
1. Focalização 2. Ecolocalização 3. Linha lateral 4. Bexiga natatória
Resposta à pergunta do dia 08/05/2006: Os mamíferos monotremados apenas possuem um orifício para todas as excreções, a cloaca. Pertencem à Ordem Monotremata (do grego Monos para único e Trêma para orifício), a mais primitiva dos mamíferos actualmente vivos. Estes mamíferos primitivos possuem características peculiares como a presença de cloaca, testículos abdominais e pénis que conduz apenas esperma. As fêmeas são ovíparas, desprovidas de útero ou vagina, com as glândulas mamárias sem tetas. O ornitorrinco (Ornithorhynchus anatitus) e as equidnas (Tachyglossus aculeatus, Zaglossus attenboroughi, Zaglossus brujini ) são os únicos representantes vivos destes mamíferos primitivos.
Um criador de bovinos de São Francisco, nos Estados Unidos, tem estado a usar os dejectos das 270 vacas leiteiras que possui para alimentar um gerador de electricidade, reduzindo o seu consumo energético em cerca de dois terços!
Uma vaca bem alimentada produz, diariamente, cerca de 55 kg de estrume.
O vaqueiro canaliza estes detritos para uma série de tanques cobertos (em circuito fechado), onde a digestão anaeróbica produz gás metano, que é usado para alimentar um gerador. Este método quase não produz derivados e não adiciona metano à atmosfera.
Este é um dos muitos projectos de energia alternativa que os Estados Unidos apoiam de forma a combater a crise de electricidade que se acentuou em 2001.