Nativo das estepes da zona leste da Ásia, o camelo-bactriano (Camelus bactrianus), termo não ofensivo para a espécie, está completamente adaptado à vida em regiões áridas, onde as temperaturas variam entre - 29º C no Inverno e 38º C no Verão.
Naturalmente, e tal como nos diz a famosa canção, o aspecto mais conhecido da espécie é a presença de duas bossas, que o elevam à altura de uns impressionantes 213 cm. A função destes estranhos apêndices é a de armazenar gordura para alturas de escassez de alimento, contrariamente ao que a maioria das pessoas acredita, ou seja, que é a de armazenar água. Cada uma destas "bolsas" é capaz de guardar 36 kg de alimento, em forma de matéria gorda, que vai decrescendo à medida que é metabolizada segundo as necessidades do animal.
Os camelos movem-se constantemente à mesma velocidade, conseguindo-o ao movimentar as duas patas do mesmo lado simultaneamente. As suas crias são capazes de se suster em pé sozinhas logo após o parto e conseguem correr poucas horas depois do seu nascimento.
Estes são animais herbívoros, podendo alimentar-se de vegetação seca, salgada e/ou amarga, mas em alturas de escassez de alimento ingerem igualmente ossos e pele de animais, bem como carne. Em situações realmente extremas, optam por alimentar-se de corda, sandálias ou até mesmo tendas, o que lhes permite resistir em zonas de vegetação esparsa.
Actualmente, quase todas as populações de camelos existentes estão domesticadas, restando poucos indivíduos selvagens. Muito popular, o camelo-bactriano é utilizado como animal de carga e de transporte, sendo também consumida a sua carne e leite. A gordura das bossas é usada na confecção de alimentos, e o pêlo para vestuário, cobertores e tendas. A pele é também aproveitada, para fazer produtos em couro, tais como sapatos.
O camelo-bactriano está listado como Vulnerável (Vu) na IUCN Red List.
Ignorance more frequently begets confidence than does knowledge: it is those who know little, and not those who know much, who so positively assert that this or that problem will never be solved by science.
Charles Darwin (1809-1882). Naturalista britânico e autor da teoria da selecção natural. Autor do livro "A origem das Espécies", em 1859, onde salientou a evolução dos seres vivos a partir de um ancestral comum através da selecção natural.
Seminário Litoral Norte – Perspectivas para um futuro
Sete anos após a publicação do Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) do troço Caminha-Espinho, O Parque Biológico de Gaia (Avintes) irá realizar, nos dias 20 e 21 de Maio, um seminário onde se pretende lançar um olhar crítico sobre a evolução recente e a situação actual do Litoral Norte, bem como, através de uma discussão alargada, contribuir para a definição e comparação de cenários de evolução nas vertentes natural, cultural e socio-económica.
Para o efeito, o programa proposto incluirá conferências temáticas por especialistas convidados (Sábado 20) e uma visita ao terreno para observação de situações concretas (Domingo 21).
O seminário destina-se a decisores, técnicos, investigadores, estudantes e, em geral, a todos os que se interessam pela preservação da orla costeira e dos seus valores naturais e culturais.
Com vista a fomentar a informação e formação dos cidadãos em matéria de ambiente e construir novos modelos de desenvolvimento mais equitativos, irá decorrer nos próximos dias 26 e 27 de Maio, em Paredes de Coura, um congresso intitulado "A Educação e o Desenvolvimento Sustentável".
Este congresso, que reunirá diversos especialistas nacionais e que se realizará num concelho em que o desenvolvimento pressupõe a conservação da natureza, pretende contribuir para que os grandes objectivos associados à sustentabilidade futura dos recursos naturais sejam de facto atingidos.
São destinatários deste congresso professores, técnicos de educação ambiental, autarcas, dirigentes e técnicos de áreas protegidas, técnicos de turismo, investigadores em ciências do ambiente, etc.
Para mais informações sobre o programa e inscrições, consulte a página web do congresso.
Biodeterioração e Conservação do Património Cultural
A Universidade dos Açores irá realizar, de 20 a 23 de Junho de 2006, um curso sob a temática "Biodeterioração e Conservação do Património Cultural", no qual serão abordados o diagnóstico, a prevenção e a resolução de situações de biodegradação do património cultural.
Este curso, que se destina principalmente a conservadores de museus, restauradores, responsáveis de bibliotecas e arquivos, biólogos e estudantes de Biologia, História e Arte, mas também a quaisquer outros interessados, aborda materiais tão diversos como o papel, pedra, madeira e tela, entre outros.
Para mais informações e inscrições consulte o site do curso.
O Bico do Tentilhão – Uma história da evolução dos nossos tempos
Este livro relata a história de uma casal de biólogos (Peter e Rosemary Grant) que, durante mais de vinte anos estudou os tentilhões de uma ilha das Galápagos (aquelas aves que inspiraram o génio de Charles Darwin a desenvolver a teoria da evolução). O trabalho deste casal revelou que a evolução, através da selecção natural, não é necessariamente um processo lento que se desenrola ao longo de milhares de anos, mas que ocorre diariamente, isto é, num intervalo de tempo que o leitor comum consegue facilmente absorver.
Este livro, aclamado por muitos é, sem dúvida, um veículo de divulgação científica, capaz de suscitar debates e informar os cidadãos e, porventura, capaz de inspirar jovens a seguirem uma carreira científica.
Aquando da primeira edição, em 1994, este recebeu o prestigiado prémio Pulitzer na categoria de não-ficção, onde figuram nomes como Carl Sagan ou Edward O. Wilson. Foi também premiado com o Los Angeles Times Book prize for Science, sendo o seu autor actualmente comparado a autores como Stephen J. Gould ou Richard Dawkins.
Sejamos humildes mas nem tanto João Neves, Biólogo
Não é novidade ouvirmos dizer que Portugal é um país de brandos costumes. Também a nossa história recente nos prova que somos um povo suficientemente humilde para nos conformamos com "certas e determinadas coisas" e, sem quase nos apercebermos disso, somos frequentemente ultrapassados. E resignamo-nos…
Um facto real, que provavelmente muita gente não sabe, é que afinal somos um país muito rico. Não me refiro à riqueza cultural, arquitectónica ou qualquer outra fruto das aventuras transfronteiriças de que tanto nos orgulhamos. Refiro-me, sim, à riqueza "dada" pela Natureza, essa riqueza de que raramente nos damos conta e que embeleza Portugal de norte a sul. Que permite que vejamos os anúncios como "Vá para fora cá dentro" e que me enche a alma com toda a beleza daquelas imagens. Nem parece Portugal…
Mas enganam-se todos os que pensam que tudo é mau ou assim-assim, porque neste sentido, estamos mais do que bem servidos, fazendo parte integrante da rede mundial dehotspots.
Mas então, o que é um hotspot de biodiversidade?
O conceito de hotspot ("ponto quente") de biodiversidade, nasceu da necessidade de hierarquizar as diferentes zonas (ecossistemas) do planeta, tendo em conta a pertinência da sua conservação. Estes "pontos quentes" significam áreas riquíssimas em espécies endémicas, albergando, em geral, uma enorme diversidade de fauna e flora. Apesar disto, estas áreas estão sujeitas a um conjunto de pressões que poderão condicionar a futura sustentabilidade de toda a sua biodiversidade.
Acima de 50% das espécies vegetais no mundo e cerca de 42% das espécies de vertebrados terrestres são endémicas dos hotspots. Se juntarmos todas estas áreas do planeta, teremos apenas 2,3% da superfície da Terra. São no total 34 hotspots em todo o planeta e o nosso humilde país faz parte integrante de um, definido como Bacia Mediterrânica.
A Bacia Mediterrânica estende-se desde Portugal até à Jordânia, circundando o Mediterrâneo, quer na costa europeia, como na africana. Em termos biológicos, é caracterizada essencialmente pela sua diversidade florística. Estão identificadas cerca de 22 500 espécies de plantas vasculares endémicas, sendo este número 4 vezes superior ao verificado no resto da Europa!!! E cerca de metade não é encontrada em mais nenhuma parte do mundo.
Este hotspot alberga também uma diversidade muito significativa de répteis endémicos, aves e mamíferos, embora não tão significativa como noutros pontos.
A pressão urbanística e a fragmentação de habitats são algumas das grandes condicionantes à conservação destas espécies. A condição de espécies criticamente ameaçadas como a foca-monge-do-Mediterrâneo (Monachus monachus) ou o lince-ibérico (Linx pardinus) torna imperiosa a tomada de medidas sérias a curto prazo.
Por tudo isto, creio que devemos dar muito valor ao que temos e fazer os possíveis para que as gerações vindouras possam usufruir desta nossa biodiversidade, oxalá em melhores condições que as que hoje observamos.
Que o olfacto de determinadas espécies animais, como os cães, era extremamente apurado, já se sabia. Mas que houvessem espécies capazes de detectar doenças tão específicas como o cancro de pulmão, em pacientes humanos, quais "médicos caninos", é realmente uma novidade!
Cientistas de uma clínica californiana vieram a público afirmar que treinaram cinco cães – três labradores e dois cães-de-água portugueses – para detectar, através do hálito de pacientes, a existência de cancro de pulmão, com uma precisão de 95%.
A detecção de cancro de pele através deste método era já conhecida da comunidade científica, sabendo-se que os tumores libertam pequenas quantidades de alcanos e derivados de benzenos que são detectáveis por estes animais, e que não existem numa pele saudável. A notícia de que esta detecção também é possível noutros casos de cancro está a intrigar os cientistas, que se mantêm cépticos, mas dispostos a aprofundar a investigação. Uma vez que consideram ser biologicamente possível que tal aconteça, esta poderá ser uma notícia revolucionária a nível médico.
Como é que os golfinhos "vêem" o mundo através do som?
1. Focalização 2. Ecolocalização 3. Linha lateral 4. Bexiga natatória
Resposta à pergunta do dia 08/05/2006: Os mamíferos monotremados apenas possuem um orifício para todas as excreções, a cloaca. Pertencem à Ordem Monotremata (do grego Monos para único e Trêma para orifício), a mais primitiva dos mamíferos actualmente vivos. Estes mamíferos primitivos possuem características peculiares como a presença de cloaca, testículos abdominais e pénis que conduz apenas esperma. As fêmeas são ovíparas, desprovidas de útero ou vagina, com as glândulas mamárias sem tetas. O ornitorrinco (Ornithorhynchus anatitus) e as equidnas (Tachyglossus aculeatus, Zaglossus attenboroughi, Zaglossus brujini ) são os únicos representantes vivos destes mamíferos primitivos.
Um criador de bovinos de São Francisco, nos Estados Unidos, tem estado a usar os dejectos das 270 vacas leiteiras que possui para alimentar um gerador de electricidade, reduzindo o seu consumo energético em cerca de dois terços!
Uma vaca bem alimentada produz, diariamente, cerca de 55 kg de estrume.
O vaqueiro canaliza estes detritos para uma série de tanques cobertos (em circuito fechado), onde a digestão anaeróbica produz gás metano, que é usado para alimentar um gerador. Este método quase não produz derivados e não adiciona metano à atmosfera.
Este é um dos muitos projectos de energia alternativa que os Estados Unidos apoiam de forma a combater a crise de electricidade que se acentuou em 2001.
O grupo das tartarugas é um dos mais ameaçados de extinção do mundo. Tanto o é, que todas as espécies de tartarugas terrestres, marinhas e cágados enfrentam constantemente perigos (maioritariamente de origem antropogénica) que ameaçam a sua sobrevivência.
São o grupo de répteis mais afectado pelo comércio de animais exóticos/de companhia, mas também alvo da captura humana para satisfazer o comércio da medicina tradicional e ainda, em algumas partes do mundo, para garantir a sobrevivência de povos que dependem deles como fonte de proteína animal.
Para alertar a população mundial para esta problemática, a American Tortoise Rescue, uma organização fundada em 1990 em Malibu, na California, que visa a protecção, reabilitação e conservação decidiu celebrar desde 2000, o Dia Mundial das Tartarugas, a 23 de Maio.
Entretanto saiba o que pode fazer para ajudar a preservar estes animais através do seguinte site.
For most of the wild things on Earth, the future must depend upon the conscience of mankind.
Dr. Archie Carr, 1909-1987. Zoólogo e "pai" da biologia e conservação de tartarugas marinhas. Co-fundador da Caribbean Conservation Corporation, uma organização responsável pela conservação das tartarugas marinhas.
Passeio Pedestre aos Sítios Classificados de Monfurado e Cabrela
No âmbito do projecto "Sustentabilidades" o CEAI
(Centro de Estudos da Avifauna Ibérica) irá promover, no próximo dia 20
de Maio, um passeio pedestre aos Sítios Classificados de Monfurado e
Cabrela.
A
visita, guiada por Rui Ribeiro, pretende dar a conhecer alguns dos
habitats e as características da flora e vegetação tão particulares
destes locais, que permitiram a sua classificação na Rede Natura 2000.
As
inscrições têm o prazo limite de 15 de Maio, sendo a taxa de inscrição
7€ para associados do CEAI e 10€ para não associados. Para mais
informações, contactar o CEAI através do email ou pelo telefone 266 746 102.
VII Congresso Nacional de Etologia
O VII Congresso Nacional de Etologia realizar-se-á na Universidade de Coimbra, nos dias 2 e 3 de Junho de 2006.
Os
Congressos Nacionais de Etologia cumprem as funções de reunir e
actualizar a crescente actividade de investigação na área de
comportamento animal feita em Portugal, e de proporcionar um contacto
produtivo entre cientistas e alunos interessados nesta área. Neste
congresso pretendem-se reunir contribuições na área da Etologia,
juntamente com trabalhos em áreas afins, como Ecologia, Evolução,
Psicologia ou Fisiologia, com uma ligação forte à compreensão do
comportamento animal ou humano.
As informações relativas a inscrições, submissão de comunicações, programa e outras estão disponíveis em www.uc.pt/etologia.
Seminário - Gestão e Conservação de Habitats Prioritários no Sítio Serra da Estrela
A
Associação de Produtores Florestais do Paul irá organizar uma acção
integrada na divulgação dos resultados do Projecto LIFE Natureza "Serra
da Estrela: Gestão e Conservação de Habitats Prioritários" no dia 18 de
Maio, no Auditório 8.1 da Universidade da Beira Interior, na Covilhã.
Esta acção pretende definir linhas estratégicas para o futuro da Serra
da Estrela e associar-se às comemorações dos 30 anos do Parque Natural
da Serra da Estrela.
Este
Seminário destina-se a técnicos e gestores de entidades públicas e
privadas com responsabilidade na gestão do território, bem como a
pessoas interessadas na conservação da natureza.
As inscrições são grátis e estão limitadas a 150 participantes, sendo a data limite de recepção o dia 15 de Maio de 2006.