Seminário Litoral Norte – Perspectivas para um futuro
Sete anos após a publicação do Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) do troço Caminha-Espinho, O Parque Biológico de Gaia (Avintes) irá realizar, nos dias 20 e 21 de Maio, um seminário onde se pretende lançar um olhar crítico sobre a evolução recente e a situação actual do Litoral Norte, bem como, através de uma discussão alargada, contribuir para a definição e comparação de cenários de evolução nas vertentes natural, cultural e socio-económica.
Para o efeito, o programa proposto incluirá conferências temáticas por especialistas convidados (Sábado 20) e uma visita ao terreno para observação de situações concretas (Domingo 21).
O seminário destina-se a decisores, técnicos, investigadores, estudantes e, em geral, a todos os que se interessam pela preservação da orla costeira e dos seus valores naturais e culturais.
Com vista a fomentar a informação e formação dos cidadãos em matéria de ambiente e construir novos modelos de desenvolvimento mais equitativos, irá decorrer nos próximos dias 26 e 27 de Maio, em Paredes de Coura, um congresso intitulado "A Educação e o Desenvolvimento Sustentável".
Este congresso, que reunirá diversos especialistas nacionais e que se realizará num concelho em que o desenvolvimento pressupõe a conservação da natureza, pretende contribuir para que os grandes objectivos associados à sustentabilidade futura dos recursos naturais sejam de facto atingidos.
São destinatários deste congresso professores, técnicos de educação ambiental, autarcas, dirigentes e técnicos de áreas protegidas, técnicos de turismo, investigadores em ciências do ambiente, etc.
Para mais informações sobre o programa e inscrições, consulte a página web do congresso.
Biodeterioração e Conservação do Património Cultural
A Universidade dos Açores irá realizar, de 20 a 23 de Junho de 2006, um curso sob a temática "Biodeterioração e Conservação do Património Cultural", no qual serão abordados o diagnóstico, a prevenção e a resolução de situações de biodegradação do património cultural.
Este curso, que se destina principalmente a conservadores de museus, restauradores, responsáveis de bibliotecas e arquivos, biólogos e estudantes de Biologia, História e Arte, mas também a quaisquer outros interessados, aborda materiais tão diversos como o papel, pedra, madeira e tela, entre outros.
Para mais informações e inscrições consulte o site do curso.
O Bico do Tentilhão – Uma história da evolução dos nossos tempos
Este livro relata a história de uma casal de biólogos (Peter e Rosemary Grant) que, durante mais de vinte anos estudou os tentilhões de uma ilha das Galápagos (aquelas aves que inspiraram o génio de Charles Darwin a desenvolver a teoria da evolução). O trabalho deste casal revelou que a evolução, através da selecção natural, não é necessariamente um processo lento que se desenrola ao longo de milhares de anos, mas que ocorre diariamente, isto é, num intervalo de tempo que o leitor comum consegue facilmente absorver.
Este livro, aclamado por muitos é, sem dúvida, um veículo de divulgação científica, capaz de suscitar debates e informar os cidadãos e, porventura, capaz de inspirar jovens a seguirem uma carreira científica.
Aquando da primeira edição, em 1994, este recebeu o prestigiado prémio Pulitzer na categoria de não-ficção, onde figuram nomes como Carl Sagan ou Edward O. Wilson. Foi também premiado com o Los Angeles Times Book prize for Science, sendo o seu autor actualmente comparado a autores como Stephen J. Gould ou Richard Dawkins.
Sejamos humildes mas nem tanto João Neves, Biólogo
Não é novidade ouvirmos dizer que Portugal é um país de brandos costumes. Também a nossa história recente nos prova que somos um povo suficientemente humilde para nos conformamos com "certas e determinadas coisas" e, sem quase nos apercebermos disso, somos frequentemente ultrapassados. E resignamo-nos…
Um facto real, que provavelmente muita gente não sabe, é que afinal somos um país muito rico. Não me refiro à riqueza cultural, arquitectónica ou qualquer outra fruto das aventuras transfronteiriças de que tanto nos orgulhamos. Refiro-me, sim, à riqueza "dada" pela Natureza, essa riqueza de que raramente nos damos conta e que embeleza Portugal de norte a sul. Que permite que vejamos os anúncios como "Vá para fora cá dentro" e que me enche a alma com toda a beleza daquelas imagens. Nem parece Portugal…
Mas enganam-se todos os que pensam que tudo é mau ou assim-assim, porque neste sentido, estamos mais do que bem servidos, fazendo parte integrante da rede mundial dehotspots.
Mas então, o que é um hotspot de biodiversidade?
O conceito de hotspot ("ponto quente") de biodiversidade, nasceu da necessidade de hierarquizar as diferentes zonas (ecossistemas) do planeta, tendo em conta a pertinência da sua conservação. Estes "pontos quentes" significam áreas riquíssimas em espécies endémicas, albergando, em geral, uma enorme diversidade de fauna e flora. Apesar disto, estas áreas estão sujeitas a um conjunto de pressões que poderão condicionar a futura sustentabilidade de toda a sua biodiversidade.
Acima de 50% das espécies vegetais no mundo e cerca de 42% das espécies de vertebrados terrestres são endémicas dos hotspots. Se juntarmos todas estas áreas do planeta, teremos apenas 2,3% da superfície da Terra. São no total 34 hotspots em todo o planeta e o nosso humilde país faz parte integrante de um, definido como Bacia Mediterrânica.
A Bacia Mediterrânica estende-se desde Portugal até à Jordânia, circundando o Mediterrâneo, quer na costa europeia, como na africana. Em termos biológicos, é caracterizada essencialmente pela sua diversidade florística. Estão identificadas cerca de 22 500 espécies de plantas vasculares endémicas, sendo este número 4 vezes superior ao verificado no resto da Europa!!! E cerca de metade não é encontrada em mais nenhuma parte do mundo.
Este hotspot alberga também uma diversidade muito significativa de répteis endémicos, aves e mamíferos, embora não tão significativa como noutros pontos.
A pressão urbanística e a fragmentação de habitats são algumas das grandes condicionantes à conservação destas espécies. A condição de espécies criticamente ameaçadas como a foca-monge-do-Mediterrâneo (Monachus monachus) ou o lince-ibérico (Linx pardinus) torna imperiosa a tomada de medidas sérias a curto prazo.
Por tudo isto, creio que devemos dar muito valor ao que temos e fazer os possíveis para que as gerações vindouras possam usufruir desta nossa biodiversidade, oxalá em melhores condições que as que hoje observamos.
Que o olfacto de determinadas espécies animais, como os cães, era extremamente apurado, já se sabia. Mas que houvessem espécies capazes de detectar doenças tão específicas como o cancro de pulmão, em pacientes humanos, quais "médicos caninos", é realmente uma novidade!
Cientistas de uma clínica californiana vieram a público afirmar que treinaram cinco cães – três labradores e dois cães-de-água portugueses – para detectar, através do hálito de pacientes, a existência de cancro de pulmão, com uma precisão de 95%.
A detecção de cancro de pele através deste método era já conhecida da comunidade científica, sabendo-se que os tumores libertam pequenas quantidades de alcanos e derivados de benzenos que são detectáveis por estes animais, e que não existem numa pele saudável. A notícia de que esta detecção também é possível noutros casos de cancro está a intrigar os cientistas, que se mantêm cépticos, mas dispostos a aprofundar a investigação. Uma vez que consideram ser biologicamente possível que tal aconteça, esta poderá ser uma notícia revolucionária a nível médico.
Como é que os golfinhos "vêem" o mundo através do som?
1. Focalização 2. Ecolocalização 3. Linha lateral 4. Bexiga natatória
Resposta à pergunta do dia 08/05/2006: Os mamíferos monotremados apenas possuem um orifício para todas as excreções, a cloaca. Pertencem à Ordem Monotremata (do grego Monos para único e Trêma para orifício), a mais primitiva dos mamíferos actualmente vivos. Estes mamíferos primitivos possuem características peculiares como a presença de cloaca, testículos abdominais e pénis que conduz apenas esperma. As fêmeas são ovíparas, desprovidas de útero ou vagina, com as glândulas mamárias sem tetas. O ornitorrinco (Ornithorhynchus anatitus) e as equidnas (Tachyglossus aculeatus, Zaglossus attenboroughi, Zaglossus brujini ) são os únicos representantes vivos destes mamíferos primitivos.
Um criador de bovinos de São Francisco, nos Estados Unidos, tem estado a usar os dejectos das 270 vacas leiteiras que possui para alimentar um gerador de electricidade, reduzindo o seu consumo energético em cerca de dois terços!
Uma vaca bem alimentada produz, diariamente, cerca de 55 kg de estrume.
O vaqueiro canaliza estes detritos para uma série de tanques cobertos (em circuito fechado), onde a digestão anaeróbica produz gás metano, que é usado para alimentar um gerador. Este método quase não produz derivados e não adiciona metano à atmosfera.
Este é um dos muitos projectos de energia alternativa que os Estados Unidos apoiam de forma a combater a crise de electricidade que se acentuou em 2001.
O grupo das tartarugas é um dos mais ameaçados de extinção do mundo. Tanto o é, que todas as espécies de tartarugas terrestres, marinhas e cágados enfrentam constantemente perigos (maioritariamente de origem antropogénica) que ameaçam a sua sobrevivência.
São o grupo de répteis mais afectado pelo comércio de animais exóticos/de companhia, mas também alvo da captura humana para satisfazer o comércio da medicina tradicional e ainda, em algumas partes do mundo, para garantir a sobrevivência de povos que dependem deles como fonte de proteína animal.
Para alertar a população mundial para esta problemática, a American Tortoise Rescue, uma organização fundada em 1990 em Malibu, na California, que visa a protecção, reabilitação e conservação decidiu celebrar desde 2000, o Dia Mundial das Tartarugas, a 23 de Maio.
Entretanto saiba o que pode fazer para ajudar a preservar estes animais através do seguinte site.
For most of the wild things on Earth, the future must depend upon the conscience of mankind.
Dr. Archie Carr, 1909-1987. Zoólogo e "pai" da biologia e conservação de tartarugas marinhas. Co-fundador da Caribbean Conservation Corporation, uma organização responsável pela conservação das tartarugas marinhas.
Passeio Pedestre aos Sítios Classificados de Monfurado e Cabrela
No âmbito do projecto "Sustentabilidades" o CEAI
(Centro de Estudos da Avifauna Ibérica) irá promover, no próximo dia 20
de Maio, um passeio pedestre aos Sítios Classificados de Monfurado e
Cabrela.
A
visita, guiada por Rui Ribeiro, pretende dar a conhecer alguns dos
habitats e as características da flora e vegetação tão particulares
destes locais, que permitiram a sua classificação na Rede Natura 2000.
As
inscrições têm o prazo limite de 15 de Maio, sendo a taxa de inscrição
7€ para associados do CEAI e 10€ para não associados. Para mais
informações, contactar o CEAI através do email ou pelo telefone 266 746 102.
VII Congresso Nacional de Etologia
O VII Congresso Nacional de Etologia realizar-se-á na Universidade de Coimbra, nos dias 2 e 3 de Junho de 2006.
Os
Congressos Nacionais de Etologia cumprem as funções de reunir e
actualizar a crescente actividade de investigação na área de
comportamento animal feita em Portugal, e de proporcionar um contacto
produtivo entre cientistas e alunos interessados nesta área. Neste
congresso pretendem-se reunir contribuições na área da Etologia,
juntamente com trabalhos em áreas afins, como Ecologia, Evolução,
Psicologia ou Fisiologia, com uma ligação forte à compreensão do
comportamento animal ou humano.
As informações relativas a inscrições, submissão de comunicações, programa e outras estão disponíveis em www.uc.pt/etologia.
Seminário - Gestão e Conservação de Habitats Prioritários no Sítio Serra da Estrela
A
Associação de Produtores Florestais do Paul irá organizar uma acção
integrada na divulgação dos resultados do Projecto LIFE Natureza "Serra
da Estrela: Gestão e Conservação de Habitats Prioritários" no dia 18 de
Maio, no Auditório 8.1 da Universidade da Beira Interior, na Covilhã.
Esta acção pretende definir linhas estratégicas para o futuro da Serra
da Estrela e associar-se às comemorações dos 30 anos do Parque Natural
da Serra da Estrela.
Este
Seminário destina-se a técnicos e gestores de entidades públicas e
privadas com responsabilidade na gestão do território, bem como a
pessoas interessadas na conservação da natureza.
As inscrições são grátis e estão limitadas a 150 participantes, sendo a data limite de recepção o dia 15 de Maio de 2006.
Turismo…e se for na Natureza? Susana Vidal, Bióloga
Foi em 1998 que se testemunhou a criação do Programa Nacional de Turismo de Natureza (RCM nº112/98 e no Dec. Lei nº47/99). Com esta sinergia entre a Secretaria de Estado do Ambiente e a da Economia, o país deu os primeiros passos para a "dinamização de actividades turísticas dentro das Áreas Protegidas nacionais, impulsionando a promoção e afirmação dos valores e potencialidades que estes espaços naturais encerram e concebendo novos produtos turísticos enquadrados nos objectivos de conservação da natureza". Dados publicados recentemente em diversos artigos de investigação na área do turismo, revelam que o Turismo de Natureza a nível mundial está a aumentar a uma taxa anual que varia entre os 10 e 30%, cerca de 6 vezes mais que o turismo dito convencional. Já para não falar no perfil deste tipo de turistas: indivíduos maioritariamente oriundos de países ditos desenvolvidos, principalmente Alemanha e Holanda; detentores de um elevado poder de compra; com preocupações ambientais e de saúde que os levam a escolher alternativas à praia e que optam preferencialmente por contrariar a sazonalidade. Pois por cá, temos todos os ingredientes necessários para os receber: um clima fenomenal ao longo de todo o ano, história, tradição e cultura com fortes raízes, uma riqueza paisagista singular e uma série de recursos naturais que servem de "actores" e impulsionadores do Turismo de Natureza.
Quem já ouviu falar nos santuários de aves aquáticas que existem no nosso país? Nas rotas migratórias que se fazem sentir na Costa Vicentina entre Setembro e Novembro e onde podemos testemunhar um rodopio de diversas espécies de aves que ali se concentram para rumarem às regiões mais a Sul? Nas orquídeas selvagens que despoletam no início da Primavera? Naquela ou na outra espécie de planta que só existe aqui ou ali? Pois provavelmente pouquíssima gente... Mas garanto-vos que da minoria de turistas que visitam o Algarve e que se encaixam no perfil do turista de natureza atrás referido – que se estima serem aproximadamente 10% dos turistas que nos visitam durante a época alta de Junho a Agosto (não conhecendo dados relativos à época baixa) – todos eles procuram estes "detalhes" e estas "pequenas" maravilhas da natureza e mais importante ainda, não se importam de pagar para as conhecer, para ouvir o que há para dizer delas e inevitavelmente para contribuir para a sua conservação.
Cada vez mais o ambiente e a natureza serão também tratados como qualquer outro bem económico. As Áreas Protegidas dependem sobretudo da sua justificação relativamente aos custos económicos associados. O auto-financiamento torna-se crucial, vital e urgente para o seu sucesso e futuro. E porque não utilizar mais seriamente esta actividade turística como financiador da conservação e preservação da natureza? E porque não tirar lucro disso? E porque não contribuir para educação ambiental de crianças, jovens e também de adultos? E acima de tudo, porque não contribuir para o desenvolvimento sustentável? (já que é uma expressão tão em voga hoje em dia).
Estes factores parecem no entanto não ser suficientemente convincentes ao ponto de incentivar mais afincadamente o empreendedorismo e a promoção deste sector de actividade económica, bem como a promoção justa e mais eficiente dos nossos recursos naturais. É claro que neste últimos três anos, e já passaram 8 anos desde a criação do Programa Nacional de Turismo de Natureza, o interesse generalizado neste sector tem sido cada vez maior, mas questiono-me porque estamos ainda tão longe de ser, para os operadores especializados, agências de turismo e ecoturistas, um destino de férias verdes… Enfim, um sonho que espero tornar realidade.
Certamente já nos questionámos, a certa altura, como alguns pequenos répteis como as osgas, se conseguem sustentar em superfícies como o vidro ou mesmo nos tectos, em que a gravidade parece não os afectar.
Segundo estudos recentes, estes pequenos répteis, pertencentes à família Gekkonidae, apresentam a superfície inferior dos dedos repleta de minúsculas cerdas ou setas. Estas pequenas estruturas originam atracções eléctricas nas superfícies de contacto, que literalmente os "cola" onde quer que eles se encontrem. A força combinada de milhares destas fracas atracções eléctricas, semelhante às forças de van der Waals, permitem a estes pequenos répteis se sustentarem inclusive em superfícies tão lisas como o vidro polido.
Após estudos realizados na Universidade da Califórnia, calculou-se que a capacidade de aderência destes répteis às superfícies ultrapassa em muito (cerca de 10 vezes) a necessária para a sua sustentação.
Actualmente, a comunidade científica tenta a sua aplicação em novas gerações de materiais como fita-adesiva seca, robôs e até músculos artificiais.