Turismo…e se for na Natureza? Susana Vidal, Bióloga
Foi em 1998 que se testemunhou a criação do Programa Nacional de Turismo de Natureza (RCM nº112/98 e no Dec. Lei nº47/99). Com esta sinergia entre a Secretaria de Estado do Ambiente e a da Economia, o país deu os primeiros passos para a "dinamização de actividades turísticas dentro das Áreas Protegidas nacionais, impulsionando a promoção e afirmação dos valores e potencialidades que estes espaços naturais encerram e concebendo novos produtos turísticos enquadrados nos objectivos de conservação da natureza". Dados publicados recentemente em diversos artigos de investigação na área do turismo, revelam que o Turismo de Natureza a nível mundial está a aumentar a uma taxa anual que varia entre os 10 e 30%, cerca de 6 vezes mais que o turismo dito convencional. Já para não falar no perfil deste tipo de turistas: indivíduos maioritariamente oriundos de países ditos desenvolvidos, principalmente Alemanha e Holanda; detentores de um elevado poder de compra; com preocupações ambientais e de saúde que os levam a escolher alternativas à praia e que optam preferencialmente por contrariar a sazonalidade. Pois por cá, temos todos os ingredientes necessários para os receber: um clima fenomenal ao longo de todo o ano, história, tradição e cultura com fortes raízes, uma riqueza paisagista singular e uma série de recursos naturais que servem de "actores" e impulsionadores do Turismo de Natureza.
Quem já ouviu falar nos santuários de aves aquáticas que existem no nosso país? Nas rotas migratórias que se fazem sentir na Costa Vicentina entre Setembro e Novembro e onde podemos testemunhar um rodopio de diversas espécies de aves que ali se concentram para rumarem às regiões mais a Sul? Nas orquídeas selvagens que despoletam no início da Primavera? Naquela ou na outra espécie de planta que só existe aqui ou ali? Pois provavelmente pouquíssima gente... Mas garanto-vos que da minoria de turistas que visitam o Algarve e que se encaixam no perfil do turista de natureza atrás referido – que se estima serem aproximadamente 10% dos turistas que nos visitam durante a época alta de Junho a Agosto (não conhecendo dados relativos à época baixa) – todos eles procuram estes "detalhes" e estas "pequenas" maravilhas da natureza e mais importante ainda, não se importam de pagar para as conhecer, para ouvir o que há para dizer delas e inevitavelmente para contribuir para a sua conservação.
Cada vez mais o ambiente e a natureza serão também tratados como qualquer outro bem económico. As Áreas Protegidas dependem sobretudo da sua justificação relativamente aos custos económicos associados. O auto-financiamento torna-se crucial, vital e urgente para o seu sucesso e futuro. E porque não utilizar mais seriamente esta actividade turística como financiador da conservação e preservação da natureza? E porque não tirar lucro disso? E porque não contribuir para educação ambiental de crianças, jovens e também de adultos? E acima de tudo, porque não contribuir para o desenvolvimento sustentável? (já que é uma expressão tão em voga hoje em dia).
Estes factores parecem no entanto não ser suficientemente convincentes ao ponto de incentivar mais afincadamente o empreendedorismo e a promoção deste sector de actividade económica, bem como a promoção justa e mais eficiente dos nossos recursos naturais. É claro que neste últimos três anos, e já passaram 8 anos desde a criação do Programa Nacional de Turismo de Natureza, o interesse generalizado neste sector tem sido cada vez maior, mas questiono-me porque estamos ainda tão longe de ser, para os operadores especializados, agências de turismo e ecoturistas, um destino de férias verdes… Enfim, um sonho que espero tornar realidade.
Certamente já nos questionámos, a certa altura, como alguns pequenos répteis como as osgas, se conseguem sustentar em superfícies como o vidro ou mesmo nos tectos, em que a gravidade parece não os afectar.
Segundo estudos recentes, estes pequenos répteis, pertencentes à família Gekkonidae, apresentam a superfície inferior dos dedos repleta de minúsculas cerdas ou setas. Estas pequenas estruturas originam atracções eléctricas nas superfícies de contacto, que literalmente os "cola" onde quer que eles se encontrem. A força combinada de milhares destas fracas atracções eléctricas, semelhante às forças de van der Waals, permitem a estes pequenos répteis se sustentarem inclusive em superfícies tão lisas como o vidro polido.
Após estudos realizados na Universidade da Califórnia, calculou-se que a capacidade de aderência destes répteis às superfícies ultrapassa em muito (cerca de 10 vezes) a necessária para a sua sustentação.
Actualmente, a comunidade científica tenta a sua aplicação em novas gerações de materiais como fita-adesiva seca, robôs e até músculos artificiais.
1. Possui uma única cauda 2. É um mamífero tramado para os seus congéneres 3. Pertence à Ordem mais evoluída dos mamíferos 4. Possui apenas um orifício para todas as excreções
Resposta à pergunta do dia 01/05/2006: A bioluminescência tem a função, entre várias outras, de evitar e confundir predadores. Esta funcionalidade serve também para atrair presas (como observado em alguns peixes como o tamboril, Lophius piscatorius) ou ainda atrair parceiros para reprodução (como os peixes-lanterna, Notoscopelus kroyeri).
Os cientistas crêem que a saliva nos defende de organismos hostis. Como?
Até há decada de 50, pouco se sabia sobre esta substância. Apenas se sabia que servia para emulsionar os alimentos aquando da mastigação dos mesmos e que continha enzimas que os começavam a digerir. Actualmente os cientistas descobriram muitos mais constituintes!
Algumas proteínas inibem a transmissão do vírus da sida; outras permitem que bactérias inócuas adiram aos dentes e gengivas, evitando infecções graves.
Actualmente, investigam-se formas de encontrar sintomas de doenças na saliva. Os investigadores procuram na saliva hormonas causadoras de stress e indicadores associados a doenças cardíacas, à sida e à osteoporose.
A saliva é igualmente importante para outros animais. Para alguns morcegos, neutraliza o veneno da pele das rãs e ajuda na cicatrização das feridas de ratos. Carraças, sanguessugas, morcegos-vampiro, mosquitos e outros sugadores de sangue, conhecidos como hematófagos, usam a saliva como anticoagulante quando se alimentam de sangue. Além disto, a saliva é igualmente um instrumento de comunicação. Nos porcos, contém substâncias que indicam disponibilidade sexual.
Apesar de constituída por 99% de água, possui todas estas características.
E não esqueçamos que engolimos quase um litro de saliva por dia!
Com um comprimento máximo de 9m e um conjunto de poderosos músculos, a anaconda (Eunectes murinus), habitante da América do Sul, é a maior serpente do Mundo. Apresenta uma coloração verde bastante escura e prefere águas paradas ou pouco movimentadas, sendo também encontrada enrolada nos ramos das árvores exposta ao Sol.
Está completamente adaptada ao meio aquático, onde é capaz de se mover com extrema rapidez, tornando-se, no entanto, mais lenta quando em terra.
Possui hábitos nocturnos, utilizando métodos de caça muito semelhantes ao dos jacarés: espera pacientemente que a sua presa se dirija para a água para saciar a sede, aproximando-se então dela e capturando-a. Os seus poderosos músculos entram então em acção, impedindo a presa de respirar. A sua alimentação passa por diferentes espécies de vertebrados, especialmente peixes, anfíbios, outras serpentes e mamíferos. O seu sistema digestivo é lento, pelo que, após uma refeição, leva algum tempo a digerir a presa, estendendo-se ao Sol, não necessitando de se alimentar durante semanas ou até meses.
Apesar da sua fama, são poucos os ataques conhecidos a seres humanos; nenhuma morte foi registada até ao presente
As anacondas são caçadas pelo tráfico de pele, embora a pequena escala. Por outro lado, são muitas vezes mortas por medo dos habitantes das redondezas do seu habitat.
Esta espécie está inserida no Apêndice II da CITES – Convention on International Trade in Endangered Species of wild Fauna and Flora.
No âmbito do projecto "Sustentabilidades", o CEAI (Centro de Estudos da Avifauna Ibérica) irá promover, no dia 13 de Maio, um passeio pedestre na zona dos Mármores de Orada, Borba, acompanhado pelo Mestre Salgueiro, seguido de um colóquio alusivo ao tema. Este passeio terá início pelas 9 horas e prolongar-se-á até às 13 horas, sendo que o colóquio terá inicio às 15 horas na Casa do Povo de Orada e terá espaço a debate público sobre o tema.
Para mais informações, contactar o CEAI através do email ou pelo telefone 266 746 102, sendo que o prazo limite para aceitação das inscrições será o dia 12 de Maio.
A decorrer em Vila Nova de Santo André, de 2 a 4 de Junho de 2006, este evento funcionará também como o 1º encontro formal do grupo PLANET – Portuguese Lagoons Network, que terá lugar no último dia do seminário.
Para mais informações consultar a página web da SPEA.
Um pequeno (grande) contributo João Neves, Biólogo
Como noticiado há cerca de um mês, um manatim (Trichechus manatus)
chegou ao Zoomarine, sendo actualmente o único exemplar da espécie na
Península Ibérica. O que me leva a escrever este pequeno texto é
precisamente a presença desta singularidade no nosso país, facto que me
instigou alguma curiosidade sobre a biologia e ecologia destes
mamíferos marinhos.
Pessoalmente,
pouco sabia acerca destes animais, tão especiais pela sua aparência e
comportamento e pelo facto de serem os únicos mamíferos marinhos cuja
alimentação se constitui quase exclusivamente por vegetação aquática.
Na pesquisa por mais informação acerca destes animais, e entre muitos
factos curiosos, deparei-me com uma notícia interessante relacionada
com a evolução destes mamíferos, especialmente com a transição do
ambiente terrestre para o aquático e que gostaria de partilhar, tendo
em conta a novidade desta espécie para muitos de nós.
É aceite (até prova em contrário) que os primeiros mamíferos tiveram origem num grupo extinto de répteis terapsídeos
(também chamados mamíferos reptilianos), que possuíam, como
características aproximadas aos mamíferos primitivos, um esqueleto e
dentição característica daqueles mamíferos e a capacidade de manutenção
da temperatura corporal interna.
Na
sua origem, estes mamíferos primitivos partilhavam o seu território com
outros répteis, como os dinossáurios. Devido à grande extinção,
ocorrida no fim do Cretácico,
quando se deu o desaparecimento de grande parte dos dinossáurios,
aqueles mamíferos tiveram oportunidade para ocupar os nichos ecológicos
anteriormente pertencentes aos desaparecidos répteis, permitindo-lhes
uma grande diversificação específica. E foi nesta sequência de especiação, que alguns mamíferos se adaptaram aos ambientes aquáticos.
Presentemente,
encontramos cinco grandes grupos de mamíferos marinhos, pertencentes a
três ordens distintas: as baleias, cachalotes e golfinhos, pertencentes
à Ordem Cetacea; os pinípedes (focas, leões-marinhos e otárias), as
lontras e o urso-polar, todos pertencentes à Ordem Carnivora; e por
fim, os manatins, pertencentes à Ordem Sirenia.
Em termos adaptativos, os sirenídeos e os cetáceos não apresentam membros posteriores. Têm, no entanto, como estrutura vestigial,
pequenos ossos localizados na porção posterior do corpo. Como
adaptação, os membros posteriores regrediram e surgiu a barbatana
caudal, estrutura que lhes permite a propulsão na água. Os membros
posteriores (pernas) dos mamíferos terrestres e a barbatana caudal são,
na realidade, estruturas análogas. Ambas têm como função principal a
deslocação do animal.
Mas o porquê deste pequeno preâmbulo?
Porque a notícia,
datada de 2001, dá conta da descoberta de um esqueleto de manatim com
cerca de 50 milhões de anos, pertencente a uma espécie, actualmente
extinta, com características singulares: a presença de membros
posteriores (pernas) que possibilitariam a locomoção em terra. Este é o
fóssil mais primitivo dos antepassados directos dos manatins actuais e
permite completar, segundo a equipa de investigação responsável pelo
achado, o quadro da transição de um ancestral completamente terrestre
para as espécies actualmente existentes, integramente aquáticas.
Associada
a esta descoberta, a compreensão da transição terra/água ganha cada vez
mais sentido. À excepção dos manatins (e da tartaruga-verde), não
existem actualmente outros animais de grande envergadura que explorem a
vegetação marinha para alimentação, motivo pelo qual estas espécies se
terão adaptado num sentido divergente ao contexto alimentar "normal".
E
assim, mais um pequeno contributo foi dado em função da teoria da
evolução, tão sobejamente conhecida e tantas vezes contestada. Com
certeza que outras descobertas seguirão esta, num rumo, que creio,
irreversível.
Partilho
esta notícia porque, além de muito interessante, acredito que são estas
pequenas (grandes) descobertas que, com muito esforço e dedicação por
parte dos investigadores, vão permitindo completar o fantástico puzzle
que é a Natureza, possibilitando às gerações vindouras uma percepção
mais fácil e integrada da vida no nosso planeta.
O Smithsonian's National Zoo, em Washington, assistiu pela segunda vez apenas nos seus 116 anos de história ao nascimento de uma ave da espécie Apteryx mantelli – uma espécie rara de Kiwi.
Esta pequena ave nasceu no dia 13 de Fevereiro deste ano, com 275 gramas, após uma monitorização diária por parte do pessoal técnico do zoo, que acompanhou o seu desenvolvimento embrionário.
O primeiro indivíduo desta espécie a nascer no Smithsonian tem actualmente 30 anos (nascido em 1975) e encontra-se ainda em exibição neste zoo.
A espécie Apteryx mantelli, endémica da Nova Zelândia, está ameaçada de extinção, estando classificada como "Em perigo" pela IUCN.
A bioluminescência tem várias funções biológicas e ecológicas, das quais podemos destacar:
1. Iluminar a água quando anoitece 2. Evitar e confundir predadores 3. Chamar a atenção para predadores 4. Nenhuma das anteriores
Resposta à pergunta do dia 24/04/2006: Os manatins apresentam uma característica única entre os mamíferos marinhos: são essencialmente herbívoros. Desta forma, um manatim adulto pode comer cerca de 45 kg de vegetação aquática por dia.