"ln the end we will conserve only what we love. We love only what we understand. We will understand only what we are taught."
Baba Dioum, 1968




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2006-05-03
Um Autor Convidado

Um pequeno (grande) contributo
João Neves, Biólogo

Como noticiado há cerca de um mês, um manatim (Trichechus manatus) chegou ao Zoomarine, sendo actualmente o único exemplar da espécie na Península Ibérica. O que me leva a escrever este pequeno texto é precisamente a presença desta singularidade no nosso país, facto que me instigou alguma curiosidade sobre a biologia e ecologia destes mamíferos marinhos.

Pessoalmente, pouco sabia acerca destes animais, tão especiais pela sua aparência e comportamento e pelo facto de serem os únicos mamíferos marinhos cuja alimentação se constitui quase exclusivamente por vegetação aquática. Na pesquisa por mais informação acerca destes animais, e entre muitos factos curiosos, deparei-me com uma notícia interessante relacionada com a evolução destes mamíferos, especialmente com a transição do ambiente terrestre para o aquático e que gostaria de partilhar, tendo em conta a novidade desta espécie para muitos de nós.

É aceite (até prova em contrário) que os primeiros mamíferos tiveram origem num grupo extinto de répteis terapsídeos (também chamados mamíferos reptilianos), que possuíam, como características aproximadas aos mamíferos primitivos, um esqueleto e dentição característica daqueles mamíferos e a capacidade de manutenção da temperatura corporal interna.

Na sua origem, estes mamíferos primitivos partilhavam o seu território com outros répteis, como os dinossáurios. Devido à grande extinção, ocorrida no fim do Cretácico, quando se deu o desaparecimento de grande parte dos dinossáurios, aqueles mamíferos tiveram oportunidade para ocupar os nichos ecológicos anteriormente pertencentes aos desaparecidos répteis, permitindo-lhes uma grande diversificação específica. E foi nesta sequência de especiação, que alguns mamíferos se adaptaram aos ambientes aquáticos.

Presentemente, encontramos cinco grandes grupos de mamíferos marinhos, pertencentes a três ordens distintas: as baleias, cachalotes e golfinhos, pertencentes à Ordem Cetacea; os pinípedes (focas, leões-marinhos e otárias), as lontras e o urso-polar, todos pertencentes à Ordem Carnivora; e por fim, os manatins, pertencentes à Ordem Sirenia.

Em termos adaptativos, os sirenídeos e os cetáceos não apresentam membros posteriores. Têm, no entanto, como estrutura vestigial, pequenos ossos localizados na porção posterior do corpo. Como adaptação, os membros posteriores regrediram e surgiu a barbatana caudal, estrutura que lhes permite a propulsão na água. Os membros posteriores (pernas) dos mamíferos terrestres e a barbatana caudal são, na realidade, estruturas análogas. Ambas têm como função principal a deslocação do animal.

Mas o porquê deste pequeno preâmbulo?

Porque a notícia, datada de 2001, dá conta da descoberta de um esqueleto de manatim com cerca de 50 milhões de anos, pertencente a uma espécie, actualmente extinta, com características singulares: a presença de membros posteriores (pernas) que possibilitariam a locomoção em terra. Este é o fóssil mais primitivo dos antepassados directos dos manatins actuais e permite completar, segundo a equipa de investigação responsável pelo achado, o quadro da transição de um ancestral completamente terrestre para as espécies actualmente existentes, integramente aquáticas.

Associada a esta descoberta, a compreensão da transição terra/água ganha cada vez mais sentido. À excepção dos manatins (e da tartaruga-verde), não existem actualmente outros animais de grande envergadura que explorem a vegetação marinha para alimentação, motivo pelo qual estas espécies se terão adaptado num sentido divergente ao contexto alimentar "normal".

E assim, mais um pequeno contributo foi dado em função da teoria da evolução, tão sobejamente conhecida e tantas vezes contestada. Com certeza que outras descobertas seguirão esta, num rumo, que creio, irreversível.

Partilho esta notícia porque, além de muito interessante, acredito que são estas pequenas (grandes) descobertas que, com muito esforço e dedicação por parte dos investigadores, vão permitindo completar o fantástico puzzle que é a Natureza, possibilitando às gerações vindouras uma percepção mais fácil e integrada da vida no nosso planeta.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-05-02
Curiosidades da Fauna e Flora

Ave rara

O Smithsonian's National Zoo, em Washington, assistiu pela segunda vez apenas nos seus 116 anos de história ao nascimento de uma ave da espécie Apteryx mantelli uma espécie rara de Kiwi.

Esta pequena ave nasceu no dia 13 de Fevereiro deste ano, com 275 gramas, após uma monitorização diária por parte do pessoal técnico do zoo, que acompanhou o seu desenvolvimento embrionário.

O primeiro indivíduo desta espécie a nascer no Smithsonian tem actualmente 30 anos (nascido em 1975) e encontra-se ainda em exibição neste zoo.

A espécie Apteryx mantelli, endémica da Nova Zelândia, está ameaçada de extinção, estando classificada como "Em perigo" pela IUCN.

Publicado às 09:55 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-05-01
Uma Questão de Educação

A bioluminescência tem várias funções biológicas e ecológicas, das quais podemos destacar:

1. Iluminar a água quando anoitece
2. Evitar e confundir predadores
3. Chamar a atenção para predadores
4. Nenhuma das anteriores

Resposta à pergunta do dia 24/04/2006:
Os manatins apresentam uma característica única entre os mamíferos marinhos: são essencialmente herbívoros. Desta forma, um manatim adulto pode comer cerca de 45 kg de vegetação aquática por dia.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-04-30
Ao Sabor da Corrente

Rãs em apuros...

Os investigadores descobriram uma ligação entre o sobre-aquecimento global e o misterioso desaparecimento de anfíbios. Um artigo publicado na revista Nature defende que a subida das temperaturas propicia e acelera o desenvolvimento de um fungo nocivo.

Há décadas que os investigadores sabem que as populações de anfíbios de todo o mundo estão em apuros. Mas o Global Amphibian Assessment, publicado em 2004, promovido pela Conservation International, revelou dados assustadores... Das 5.700 espécies conhecidas de rãs, sapos, salamandras e afins, cerca de um terço estão ameaçadas e 168 espécies já estão extintas, sendo que a maioria das extinções ocorreu nas últimas duas décadas.

Os problemas globais incluem a perda de habitat, doenças, o excesso de exploração, as alterações climáticas, entre outros factores. A perda de habitat é o factor que mais contribui para este cenário, mas recentemente surgiu um culpado menos conhecido: uma doença causada por um fungo (Batrachochytrium dendrobatidis), introduzido na América e Austrália. O fungo "ataca" a pele e perturba o balanço hídrico.

Pensa-se que este fungo possa ter "viajado" na pele de sapos-africanos, exportados para investigação médica ou através das rãs-touro-americanas, criadas na América-do-Sul e exportadas vivas para os Estados Unidos, onde as suas coxas são tidas como uma iguaria.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-04-29
Grandes Datas, Grandes Nomes

Foi em 1896 que teve início de uma série de campanhas oceanográficas ao largo da costa portuguesa, a bordo do barco real "Amélia", sob comando do rei D. Carlos. Estas campanhas marítimas recolheram importante material zoológico e dados oceanográficos que deram origem à publicação de trabalhos de reconhecido valor científico.

Os resultados dessas investigações receberam rasgados elogios de alguns sábios estrangeiros e constam dos quatro seguintes livros publicados:

- Yacht «Amelia» –
Campanha oceanographica de 1896, Lisboa, 1897.
- Resultados das investigações cientificas feitas a bordo do yacht «Amelia» e sob a direcção de D. Carlos de Bragança Pescas maritimas – I –
A pesca do atum no Algarve em 1898.
- Buletin des Campagnes Scientifiques accomplies sur le yacht «Amelia» par D. Carlos de Bragança.
- Resultado das investigações cientificas feitas a bordo do yacht «Amelia» e sob a direcção de D. Carlos de Bragança – Ichthyologia – II – Esqualos obtidos nas costas de Portugal durante as campanhas de 1896 a 1903.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-04-28
Alguém o Pensou

One of the penalties of an ecological education is that one lives alone in a world of wounds. Much of the damage inflicted on the land is quite invisible to laymen. An ecologist must either harden his shell and make believe that the consequences of science are none of his business, or he must be the doctor who sees the marks of death in a community that believes itself well and does not want to be told otherwise.

Aldo Leopold (1887-1948) (essay "Round River", 1953). Considerado por muitos como o pai da conservação da vida selvagem e do National Wilderness Preservation System nos Estados Unidos da América. Foi conservacionista, filósofo, educador , escritor, entre outros.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-04-27
O DE do ZM Recomenda

Curso de Identificação das Borboletas Diurnas de Portugal Continental

A LPN (Liga para a Protecção da Natureza) está a organizar um curso de Identificação das Borboletas Diurnas de Portugal Continental em parceria com a Tagis – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal. O curso decorrerá nos dias 6 e 7 de Maio, na Sede da LPN em Lisboa e tem com objectivo primordial permitir aos formandos adquirir os conhecimentos necessários que lhes permita identificar, através da observação, as cerca das 135 espécies de borboletas que se podem encontrar em Portugal Continental.

Durante a formação, a cargo de Patrícia Garcia-Pereira, doutorada em Biologia e fundadora da Tagis, serão aprofundadas as características dos lepidópteros e das várias famílias, estando igualmente prevista uma saída de campo para observação de borboletas.

Para mais informações, consulte o folheto aqui disponibilizado.

Conferência Internacional sobre Conservação e Bem-estar Animal

O Instituto Português para a Educação Humanitária (IPEH), The Cambridge e-Learning Institute de Portugal, The British Council, The Jane Goodall Institute e a Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias irão promover uma Conferência Internacional sobre Conservação e Bem-estar Animal a decorrer entre 29 a 31 de Maio de 2006 no Campus da Universidade Lusófona, no Campo Grande em Lisboa.

Este encontro contará com a presença da Dr. Jane Goodall e do Prof. Marc Bekoff, da Universidade do Colorado (EUA), ambos fundadores do grupo Ethologists for the Ethical Treatment of Animals: Citizens for Responsible Animal Behavior Studies.

A conferência abordará maioritariamente assuntos tão diversos como: Bem-Estar Animal, Biologia da Conservação, Ética e Pesquisa e Conservação de Primatas e reunirá especialistas das várias áreas de investigação. Pretende também fomentar uma interacção entre os investigadores de forma a estabelecer uma cooperação em projectos futuros.

Comemore a Primavera e Verão com a Escola de Mar

A empresa Escola de Mar - Investigação, Projectos e Educação em Ambiente e Arte, irá comemorar a chegada da Primavera e Verão com vários eventos. Irão ser realizados programas educacionais nos seguintes dias: Dia Mundial da Terra – 22 de Abril; Dia do Sol – 3 de Maio; Dia Mundial da Criança – 1 de Junho; Dia Mundial do Ambiente – 5 de Junho; Dia Mundial dos Oceanos – 8 de Junho; Dia Nacional da Conservação da Natureza – 28 de Julho; e Dia Internacional da Juventude – 12 de Agosto.

Estes dias serão dinamizados consoante a idade e interesse dos participantes, havendo programas para crianças desde os 5 anos até programas para adultos, sempre relacionados com o mar e a conservação da Natureza.

Para mais informações sobre estas actividades e respectivos preços, consultar a página de internet da Escola de Mar.

Curso de Acústica Submarina 2006

Entre os dias 12 e 14 de Maio, no SiPLAB - Laboratório de Processamento de Sinais da Universidade do Algarve, irá decorrer o curso de Acústica Submarina e deverá ter uma duração de 24 horas efectivas, distribuídas ao longo daqueles 3 dias.

Este curso, de nível pós-graduação, fornece uma abordagem introdutória multifacetada, cobrindo temas da interacção do som com o oceano, com o fundo marinho e com a superfície, a baixa e a alta frequência; sonar activo e passivo; sonar lateral e multifeixe; exploração geoacústica; tomografia acústica oceânica e comunicações de dados através do canal acústico.

Este curso destina-se a licenciados desempenhando funções de investigação ou tarefas ligadas ao mar, nas suas vertentes de observação, intervenção ou estudo nas áreas da biologia marinha, engenharia electrotécnica, oceanografia e geofísica. Destina-se igualmente a oficiais da marinha com interesse nas áreas das tecnologias, armas electrónicas ou de tácticas de defesa.

Para mais informações, consultar a página web do curso, onde encontrarão os objectivos , programa e inscrições.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-04-26
Um Autor Convidado

A importância da recolha de informação de arrojamentos de animais mortos.
Susana Campos, Bióloga - Porto d'Abrigo do Zoomarine

Infelizmente, hoje em dia em Portugal, ainda existe alguma falta de informação nos procedimentos a tomar, aquando de uma ocorrência de animais marinhos mortos, arrojados nas nossas praias.

Nem todas as pessoas ao verem uma tartaruga marinha ou mamífero marinho morto arrojado, sabem que devem chamar as autoridades com o intuito de dar conhecimento da ocorrência. E por isso, muita informação essencial que se podia retirar dessas ocorrências, perde-se.

Contactando a capitania que tutela essa região, também técnicos especializados saberão da ocorrência. As capitanias estão em permanente contacto com a rede, pedindo auxílio a técnicos, tais como os do centro de reabilitação do Zoomarine, para os acompanharem nesses arrojamentos, de modo a poder-se retirar biometrias e amostras para estudos genéticos, populacionais e ecológicos.

Torna-se vital chegarmos à população em geral para nos fazermos conhecer, pelo trabalho que fazemos, de modo a optimizar essa passagem de informação.

Com o acompanhamento dos arrojamentos, por técnicos especializados, contribuiremos um pouco mais para o conhecimento das espécies que podem ocorrer na nossa costa e os problemas que as afligem. Se conseguirmos detectar pelo menos as causas antropogénicas que levam a estas mortes, poderemos alertar a autoridades e orgãos competentes, tentando assim, minimizá-las ao máximo.

A meu ver, já se estão a começar a dar os primeiros trémules passos. Devagarinho as pessoas vão tendo conhecimento do trabalho que é feito em Portugal, e vão estando cada vez mais conscientes e sensibilizadas para este tipo de temáticas. Cada vez mais, recebemos vários telefonemas a relatar a mesma ocorrência, o que é um bom sinal. Fico a acreditar que poucos serão os casos que não temos conhecimento. Será apenas uma esperança?...

Por isso já sabe, se um dia estiver a passear na praia e se deparar com um animal arrojado (vivo ou morto), não o ignore e colabore connosco.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-04-25
Curiosidades da Fauna e Flora

Veneno em forma de planta!

Nativa da Austrália, a Macrozamia moorei pertence à família Cycadaceaea e é uma das plantas mais antigas à face da terra. É uma árvore que tem vindo a sofrer mutações que lhe tem permitido defender-se e sobreviver ao longo dos tempos, tornando-se, por esse motivo, numa planta extremamente venenosa.

As suas sementes e frutos contêm também substâncias tóxicas e cancerígenas, pelo que são um verdadeiro perigo para as diversas espécies.

Por motivos de escassez de alimento, os aborígenes da Austrália consumiam estas plantas, após um método de "purificação" que consistia em mantê-las em água corrente durante uma semana e depois torrá-las em fogueiras.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2006-04-24
Uma Questão de Educação

Quanto come de vegetação aquática, em média, um manatim (Trichechus manatus) adulto por dia?

1. 10 Kg
2. 100 Kg
3. 75 kg
4. 45 Kg

Resposta à pergunta do dia 17/04/2006:
Os corais são animais pertencentes à classe das anémonas-do-mar e das medusas (Filo Cnidaria; Classe Anthozoa) e estão, geralmente, associados a águas límpidas, tropicais, temperadas e pouco profundas. Necessitam, portanto, de temperaturas quentes, salinidade constante e bastante luminosidade de forma a se conseguirem desenvolver.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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