Um pequeno (grande) contributo João Neves, Biólogo
Como noticiado há cerca de um mês, um manatim (Trichechus manatus)
chegou ao Zoomarine, sendo actualmente o único exemplar da espécie na
Península Ibérica. O que me leva a escrever este pequeno texto é
precisamente a presença desta singularidade no nosso país, facto que me
instigou alguma curiosidade sobre a biologia e ecologia destes
mamíferos marinhos.
Pessoalmente,
pouco sabia acerca destes animais, tão especiais pela sua aparência e
comportamento e pelo facto de serem os únicos mamíferos marinhos cuja
alimentação se constitui quase exclusivamente por vegetação aquática.
Na pesquisa por mais informação acerca destes animais, e entre muitos
factos curiosos, deparei-me com uma notícia interessante relacionada
com a evolução destes mamíferos, especialmente com a transição do
ambiente terrestre para o aquático e que gostaria de partilhar, tendo
em conta a novidade desta espécie para muitos de nós.
É aceite (até prova em contrário) que os primeiros mamíferos tiveram origem num grupo extinto de répteis terapsídeos
(também chamados mamíferos reptilianos), que possuíam, como
características aproximadas aos mamíferos primitivos, um esqueleto e
dentição característica daqueles mamíferos e a capacidade de manutenção
da temperatura corporal interna.
Na
sua origem, estes mamíferos primitivos partilhavam o seu território com
outros répteis, como os dinossáurios. Devido à grande extinção,
ocorrida no fim do Cretácico,
quando se deu o desaparecimento de grande parte dos dinossáurios,
aqueles mamíferos tiveram oportunidade para ocupar os nichos ecológicos
anteriormente pertencentes aos desaparecidos répteis, permitindo-lhes
uma grande diversificação específica. E foi nesta sequência de especiação, que alguns mamíferos se adaptaram aos ambientes aquáticos.
Presentemente,
encontramos cinco grandes grupos de mamíferos marinhos, pertencentes a
três ordens distintas: as baleias, cachalotes e golfinhos, pertencentes
à Ordem Cetacea; os pinípedes (focas, leões-marinhos e otárias), as
lontras e o urso-polar, todos pertencentes à Ordem Carnivora; e por
fim, os manatins, pertencentes à Ordem Sirenia.
Em termos adaptativos, os sirenídeos e os cetáceos não apresentam membros posteriores. Têm, no entanto, como estrutura vestigial,
pequenos ossos localizados na porção posterior do corpo. Como
adaptação, os membros posteriores regrediram e surgiu a barbatana
caudal, estrutura que lhes permite a propulsão na água. Os membros
posteriores (pernas) dos mamíferos terrestres e a barbatana caudal são,
na realidade, estruturas análogas. Ambas têm como função principal a
deslocação do animal.
Mas o porquê deste pequeno preâmbulo?
Porque a notícia,
datada de 2001, dá conta da descoberta de um esqueleto de manatim com
cerca de 50 milhões de anos, pertencente a uma espécie, actualmente
extinta, com características singulares: a presença de membros
posteriores (pernas) que possibilitariam a locomoção em terra. Este é o
fóssil mais primitivo dos antepassados directos dos manatins actuais e
permite completar, segundo a equipa de investigação responsável pelo
achado, o quadro da transição de um ancestral completamente terrestre
para as espécies actualmente existentes, integramente aquáticas.
Associada
a esta descoberta, a compreensão da transição terra/água ganha cada vez
mais sentido. À excepção dos manatins (e da tartaruga-verde), não
existem actualmente outros animais de grande envergadura que explorem a
vegetação marinha para alimentação, motivo pelo qual estas espécies se
terão adaptado num sentido divergente ao contexto alimentar "normal".
E
assim, mais um pequeno contributo foi dado em função da teoria da
evolução, tão sobejamente conhecida e tantas vezes contestada. Com
certeza que outras descobertas seguirão esta, num rumo, que creio,
irreversível.
Partilho
esta notícia porque, além de muito interessante, acredito que são estas
pequenas (grandes) descobertas que, com muito esforço e dedicação por
parte dos investigadores, vão permitindo completar o fantástico puzzle
que é a Natureza, possibilitando às gerações vindouras uma percepção
mais fácil e integrada da vida no nosso planeta.
O Smithsonian's National Zoo, em Washington, assistiu pela segunda vez apenas nos seus 116 anos de história ao nascimento de uma ave da espécie Apteryx mantelli – uma espécie rara de Kiwi.
Esta pequena ave nasceu no dia 13 de Fevereiro deste ano, com 275 gramas, após uma monitorização diária por parte do pessoal técnico do zoo, que acompanhou o seu desenvolvimento embrionário.
O primeiro indivíduo desta espécie a nascer no Smithsonian tem actualmente 30 anos (nascido em 1975) e encontra-se ainda em exibição neste zoo.
A espécie Apteryx mantelli, endémica da Nova Zelândia, está ameaçada de extinção, estando classificada como "Em perigo" pela IUCN.
A bioluminescência tem várias funções biológicas e ecológicas, das quais podemos destacar:
1. Iluminar a água quando anoitece 2. Evitar e confundir predadores 3. Chamar a atenção para predadores 4. Nenhuma das anteriores
Resposta à pergunta do dia 24/04/2006: Os manatins apresentam uma característica única entre os mamíferos marinhos: são essencialmente herbívoros. Desta forma, um manatim adulto pode comer cerca de 45 kg de vegetação aquática por dia.
Os investigadores descobriram uma ligação entre o sobre-aquecimento global e o misterioso desaparecimento de anfíbios. Um artigo publicado na revista Nature defende que a subida das temperaturas propicia e acelera o desenvolvimento de um fungo nocivo.
Há décadas que os investigadores sabem que as populações de anfíbios de todo o mundo estão em apuros. Mas o Global Amphibian Assessment, publicado em 2004, promovido pela Conservation International, revelou dados assustadores... Das 5.700 espécies conhecidas de rãs, sapos, salamandras e afins, cerca de um terço estão ameaçadas e 168 espécies já estão extintas, sendo que a maioria das extinções ocorreu nas últimas duas décadas.
Os problemas globais incluem a perda de habitat, doenças, o excesso de exploração, as alterações climáticas, entre outros factores. A perda de habitat é o factor que mais contribui para este cenário, mas recentemente surgiu um culpado menos conhecido: uma doença causada por um fungo (Batrachochytrium dendrobatidis), introduzido na América e Austrália. O fungo "ataca" a pele e perturba o balanço hídrico.
Pensa-se que este fungo possa ter "viajado" na pele de sapos-africanos, exportados para investigação médica ou através das rãs-touro-americanas, criadas na América-do-Sul e exportadas vivas para os Estados Unidos, onde as suas coxas são tidas como uma iguaria.
Foi em 1896 que teve início de uma série de campanhas oceanográficas ao largo da costa portuguesa, a bordo do barco real "Amélia", sob comando do rei D. Carlos. Estas campanhas marítimas recolheram importante material zoológico e dados oceanográficos que deram origem à publicação de trabalhos de reconhecido valor científico.
Os resultados dessas investigações receberam rasgados elogios de alguns sábios estrangeiros e constam dos quatro seguintes livros publicados:
- Yacht «Amelia» – Campanha oceanographica de 1896, Lisboa, 1897. - Resultados das investigações cientificas feitas a bordo do yacht «Amelia» e sob a direcção de D. Carlos de Bragança Pescas maritimas – I – A pesca do atum no Algarve em 1898. - Buletin des Campagnes Scientifiques accomplies sur le yacht «Amelia» par D. Carlos de Bragança. - Resultado das investigações cientificas feitas a bordo do yacht «Amelia» e sob a direcção de D. Carlos de Bragança – Ichthyologia – II – Esqualos obtidos nas costas de Portugal durante as campanhas de 1896 a 1903.
One of the penalties of an ecological education is that one lives alone in a world of wounds. Much of the damage inflicted on the land is quite invisible to laymen. An ecologist must either harden his shell and make believe that the consequences of science are none of his business, or he must be the doctor who sees the marks of death in a community that believes itself well and does not want to be told otherwise.
Aldo Leopold (1887-1948) (essay "Round River", 1953). Considerado por muitos como o pai da conservação da vida selvagem e do National Wilderness Preservation System nos Estados Unidos da América. Foi conservacionista, filósofo, educador , escritor, entre outros.
Curso de Identificação das Borboletas Diurnas de Portugal Continental
A LPN (Liga para a Protecção da Natureza) está a organizar um curso de Identificação das Borboletas Diurnas de Portugal Continental em parceria com a Tagis – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal. O curso decorrerá nos dias 6 e 7 de Maio, na Sede da LPN em Lisboa e tem com objectivo primordial permitir aos formandos adquirir os conhecimentos necessários que lhes permita identificar, através da observação, as cerca das 135 espécies de borboletas que se podem encontrar em Portugal Continental.
Durante a formação, a cargo de Patrícia Garcia-Pereira, doutorada em Biologia e fundadora da Tagis, serão aprofundadas as características dos lepidópteros e das várias famílias, estando igualmente prevista uma saída de campo para observação de borboletas.
Para mais informações, consulte o folheto aqui disponibilizado.
Conferência Internacional sobre Conservação e Bem-estar Animal
Este encontro contará com a presença da Dr. Jane Goodall e do Prof. Marc Bekoff, da Universidade do Colorado (EUA), ambos fundadores do grupo Ethologists for the Ethical Treatment of Animals: Citizens for Responsible Animal Behavior Studies.
A conferência abordará maioritariamente assuntos tão diversos como: Bem-Estar Animal, Biologia da Conservação, Ética e Pesquisa e Conservação de Primatas e reunirá especialistas das várias áreas de investigação. Pretende também fomentar uma interacção entre os investigadores de forma a estabelecer uma cooperação em projectos futuros.
Comemore a Primavera e Verão com a Escola de Mar
A empresa Escola de Mar - Investigação, Projectos e Educação em Ambiente e Arte, irá comemorar a chegada da Primavera e Verão com vários eventos. Irão ser realizados programas educacionais nos seguintes dias: Dia Mundial da Terra – 22 de Abril; Dia do Sol – 3 de Maio; Dia Mundial da Criança – 1 de Junho; Dia Mundial do Ambiente – 5 de Junho; Dia Mundial dos Oceanos – 8 de Junho; Dia Nacional da Conservação da Natureza – 28 de Julho; e Dia Internacional da Juventude – 12 de Agosto.
Estes dias serão dinamizados consoante a idade e interesse dos participantes, havendo programas para crianças desde os 5 anos até programas para adultos, sempre relacionados com o mar e a conservação da Natureza.
Para mais informações sobre estas actividades e respectivos preços, consultar a página de internet da Escola de Mar.
Curso de Acústica Submarina 2006
Entre os dias 12 e 14 de Maio, no SiPLAB - Laboratório de Processamento de Sinais da Universidade do Algarve, irá decorrer o curso de Acústica Submarina e deverá ter uma duração de 24 horas efectivas, distribuídas ao longo daqueles 3 dias.
Este curso, de nível pós-graduação, fornece uma abordagem introdutória multifacetada, cobrindo temas da interacção do som com o oceano, com o fundo marinho e com a superfície, a baixa e a alta frequência; sonar activo e passivo; sonar lateral e multifeixe; exploração geoacústica; tomografia acústica oceânica e comunicações de dados através do canal acústico.
Este curso destina-se a licenciados desempenhando funções de investigação ou tarefas ligadas ao mar, nas suas vertentes de observação, intervenção ou estudo nas áreas da biologia marinha, engenharia electrotécnica, oceanografia e geofísica. Destina-se igualmente a oficiais da marinha com interesse nas áreas das tecnologias, armas electrónicas ou de tácticas de defesa.
Para mais informações, consultar a página web do curso, onde encontrarão os objectivos , programa e inscrições.
A importância da recolha de informação de arrojamentos de animais mortos. Susana Campos, Bióloga - Porto d'Abrigo do Zoomarine
Infelizmente, hoje em dia em Portugal, ainda existe alguma falta de informação nos procedimentos a tomar, aquando de uma ocorrência de animais marinhos mortos, arrojados nas nossas praias.
Nem todas as pessoas ao verem uma tartaruga marinha ou mamífero marinho morto arrojado, sabem que devem chamar as autoridades com o intuito de dar conhecimento da ocorrência. E por isso, muita informação essencial que se podia retirar dessas ocorrências, perde-se.
Contactando a capitania que tutela essa região, também técnicos especializados saberão da ocorrência. As capitanias estão em permanente contacto com a rede, pedindo auxílio a técnicos, tais como os do centro de reabilitação do Zoomarine, para os acompanharem nesses arrojamentos, de modo a poder-se retirar biometrias e amostras para estudos genéticos, populacionais e ecológicos.
Torna-se vital chegarmos à população em geral para nos fazermos conhecer, pelo trabalho que fazemos, de modo a optimizar essa passagem de informação.
Com o acompanhamento dos arrojamentos, por técnicos especializados, contribuiremos um pouco mais para o conhecimento das espécies que podem ocorrer na nossa costa e os problemas que as afligem. Se conseguirmos detectar pelo menos as causas antropogénicas que levam a estas mortes, poderemos alertar a autoridades e orgãos competentes, tentando assim, minimizá-las ao máximo.
A meu ver, já se estão a começar a dar os primeiros trémules passos. Devagarinho as pessoas vão tendo conhecimento do trabalho que é feito em Portugal, e vão estando cada vez mais conscientes e sensibilizadas para este tipo de temáticas. Cada vez mais, recebemos vários telefonemas a relatar a mesma ocorrência, o que é um bom sinal. Fico a acreditar que poucos serão os casos que não temos conhecimento. Será apenas uma esperança?...
Por isso já sabe, se um dia estiver a passear na praia e se deparar com um animal arrojado (vivo ou morto), não o ignore e colabore connosco.
Nativa da Austrália, a Macrozamia moorei pertence à família Cycadaceaea e é uma das plantas mais antigas à face da terra. É uma árvore que tem vindo a sofrer mutações que lhe tem permitido defender-se e sobreviver ao longo dos tempos, tornando-se, por esse motivo, numa planta extremamente venenosa.
As suas sementes e frutos contêm também substâncias tóxicas e cancerígenas, pelo que são um verdadeiro perigo para as diversas espécies.
Por motivos de escassez de alimento, os aborígenes da Austrália consumiam estas plantas, após um método de "purificação" que consistia em mantê-las em água corrente durante uma semana e depois torrá-las em fogueiras.
Quanto come de vegetação aquática, em média, um manatim (Trichechus manatus) adulto por dia?
1. 10 Kg 2. 100 Kg 3. 75 kg 4. 45 Kg
Resposta à pergunta do dia 17/04/2006: Os corais são animais pertencentes à classe das anémonas-do-mar e das medusas (Filo Cnidaria; Classe Anthozoa) e estão, geralmente, associados a águas límpidas, tropicais, temperadas e pouco profundas. Necessitam, portanto, de temperaturas quentes, salinidade constante e bastante luminosidade de forma a se conseguirem desenvolver.