A maior ave voadora da Europa
De nome científico Otis tarda, a abetarda é a maior ave voadora da Europa, podendo os machos atingir pesos de 16 quilos!
Esta espécie, pertencente à Família Otitidae, demonstra algum dimorfismo sexual, sendo que os machos possuem uma plumagem vistosa em tons de castanho-avermelhado, branco e cinza-azulado. As fêmeas possuem uma plumagem menos colorida, que lhes permite permanecerem escondidas no meio da erva alta.
Os machos atingem a maturidade sexual por volta dos 5 anos de idade e as fêmeas por volta dos 3 anos de idade. Durante o acasalamento, os machos juntam-se em arenas, onde fazem exibições e comportamentos de corte para atrair as fêmeas.
Após o acasalamento e gestação, a fêmea nidifica no solo, com uma postura de 2 a 4 ovos que irá incubar durante 21 a 28 dias, não estando o macho envolvido neste processo. Os pintos nascem já com penas e com capacidade de seguir os progenitores. São gregários a maior todo o ano, ocorrendo em bandos com algumas dezena de aves.
Estas aves são essencialmente herbívoras, alimentando-se de folhas tenras, rebentos, flores e sementes. Os juvenis alimentam-se numa primeira fase de insectos e outros invertebrados do solo, e com o crescimento passam gradualmente para a alimentação herbívora.
É uma ave migratória, habitando preferencialmente meios agrícolas de cultura pouco intensiva, sem arbustos e com árvores escassas ou ausentes. Também se encontram em plantações de mosaicos de sequeiro, pastagens e pousios.
A sua distribuição está definida um pouco por toda a Europa e Ásia, sendo que se reproduz, entre muitos países, em Portugal.
As principais ameaças para a Abetarda estão relacionadas com a alteração do uso do solo e com a mortalidade destas por causas não naturais. A intensificação agrícola devido à substituição em larga escala dos mosaicos extensivos por regadio e culturas permanentes; o abandono dos campos, traduzido na florestação das terras agrícolas, fazem desaparecer largas áreas do habitat desta espécie. A mortalidade causada pela colisão com cabos de electricidade e a caça furtiva são localmente muito negativos para os efectivos desta espécie.
Esta espécie apresenta, de acordo com a IUCN, o estatuto de "Vulnerável" a nível internacional, e em Portugal, o estatuto "Em Perigo". Dentro da União Europeia, as maiores populações encontram-se em Espanha e em Portugal.
Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine