Convergência Evolutiva II
A forma como as espécies se adaptam ao ambiente em que vivem depende da pressão que este impõe sobre elas. Desta forma, diferentes grupos de animais têm desenvolvido características anatómicas e fisiológicas semelhantes em resposta a esta pressão do ambiente.
No caso dos mamíferos marinhos, que se alimentam e reproduzem no meio aquático, foi necessário que a sua estrutura anatómica e fisiologia sofresse alterações – o que resultou num processo de convergência evolutiva, a que se chama homoplasia. A convergência evolutiva está frequentemente associada a uma adaptação a ambientes similares. Destacada a convergência da forma do corpo, falamos agora também dos orgãos dos sentidos:
b) Órgãos dos sentidos
A transição para um novo ambiente pressupõe uma modificação dos órgãos dos sentidos. A audição assume um papel por vezes mais importante que a visão na vida das espécies aquáticas, comparativamente às espécies terrestres. Espécies como o golfinho-do-rio-Ganges (Platanista gangetica), que habita em águas turvas e sedimentosas, são quase cegos, uma vez que nestes ambientes a visão será de pouca utilidade. Neste caso, a eco-localização (sonar) tem um papel extremamente importante para a ecologia desta espécie. No entanto, a maioria dos mamíferos marinhos possui uma boa visão dentro de água, especialmente em água límpidas e a curta distância.
O som propaga-se mais rapidamente dentro de água do que no ar (cerca de 5 vezes mais rápido), fazendo com que a audição assuma um papel muito importante na comunicação e navegação destas espécies. As baleias-de-bossa macho (Megaptera novaeangliae) são bem conhecidas pelas suas "canções" que podem ser ouvidas pelas fêmeas a quilómetros de distância.
Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine