Grandes poderes, grandes responsabilidades
Marco Bragança, Porto d'Abrigo do Zoomarine
Desde há muito tempo que o Zoomarine dá apoio às autoridades nacionais no resgate e reabilitação de espécies marinhas (e.g. cetáceos, focas e tartarugas marinhas). No entanto, até há não muito tempo a larga maioria dos Portugueses ainda não sabia quem podia contactar em caso de arrojamento destes animais. Até há bem pouco tempo golfinhos e tartarugas eram reencaminhados para o oceano sem qualquer apoio medico-veterinário, numa tentativa desesperada, de quem os encontrava em dificuldades, de lhes dar uma segunda oportunidade.
Hoje a realidade é diferente. Em situação de clara emergência o Zoomarine é contactado por diversas pessoas e autoridades para uma só ocorrência. Num só arrojamento de golfinho cheguei a ser avisado da situação por 6 pessoas diferentes. Nos dias de hoje pescadores que encontrem tartarugas em apuros nas suas redes telefonam para o Zoomarine para que avaliemos o estado das mesmas, antes que possam ser devolvidas ao mar; nos dias de hoje proprietários de armações de atum dão o alerta às autoridades de que uma baleia se encontra encurralada pela sua armadilha. Nos dias de hoje não só as pessoas estão mais alerta para essa possibilidade, que é o arrojamento de um espécime marinho, como estão mais predispostas a ajudar.
Mas então o que é que mudou de há uns anos para cá? Qual terá sido o veículo de tanta informação e sensibilização junto da população em geral?
A resposta a esta pergunta é apenas uma – comunicação social!
Não pretendo de forma alguma minimizar a capacidade do Zoomarine de tocar as pessoas porque, afinal, acabou por ser isso que aconteceu! Mas não tenho dúvida que seria difícil, senão quase impossível, chegarmos a tantas pessoas, mostrando o nosso trabalho e sensibilizando cada uma para a importância da preservação da vida marinha.
Hoje, quando chego à praia, por vezes é quase impossível convencer a sair da água pessoas que tremem de frio por suportarem um golfinho durante muito tempo, evitando assim que este afunde e não consiga respirar. Recusam-se a ser substituídas, ficando dentro de água até que estejam reunidas as condições para o transporte.
Os profissionais de comunicação social que acompanharam muitas das nossas actividades, construíram o seu trabalho de forma não só a passar informação, mas de uma forma educativa. Existiu uma preocupação em educar, formar as pessoas. Não só na forma como construíram as suas peças e artigos, mas no que nos pediam para mostrar e explicar.
Em cada uma das acções de resgate em que participo noto essa pequena grande mudança que teve lugar nos últimos anos.
Por essa mudança que provocaram na população Portuguesa, por esse grande trabalho, eu vos dou os meus parabéns!