Mamíferos aquáticos como indicadores de qualidade de água
A presença ou ausência de populações de mamíferos aquáticos poderá ajudar a determinar o grau de contaminação da água, uma vez que, indirectamente, informa sobre o actual estado de produtividade numa determinada área.
O motivo pelo que os mamíferos aquáticos são estudados como indicadores de poluentes, deve-se ao facto de serem, geralmente, os consumidores finais da cadeia trófica. Muitas populações destes mamíferos estão expostas a agentes patogénicos e concentram nos seus tecidos os produtos tóxicos (como compostos químicos e metais pesados) resultantes da actividade humana.
Estes compostos, de difícil degradação, acumulam-se ao longo da cadeia trófica, num processo denominado de biomagnificação, alterando o crescimento, desenvolvimento ósseo e reprodução, provocando ainda a inflamação das mucosas e desordens neurológicas, podendo conduzir mesmo à morte dos indivíduos.
Mais grave ainda, é o facto de uma fêmea lactante estar a amamentar a sua cria com leite contaminado por toxinas (que se irão acumular na camada de gordura), estando a contaminá-la desde a primeira etapa da sua vida.
Isto é o que está actualmente a suceder com a população residente de golfinhos-roaz do estuário do Sado. O potencial efeito destes contaminantes nesta população está (entre outros factores) a afectar negativamente o seu estado de conservação, causando distúrbios genéticos, alterações no decorrer da reprodução e no sistema imunitário das crias, levando ao declínio cada vez mais rápido dos poucos indivíduos que ainda sobrevivem.
Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine