A Rápida e Silenciosa Extinção
Alguma vez lhe disseram que cerca de 12 milhões de tartarugas selvagens são vendidas, todos os anos, nos mercados Chineses? Não? Então talvez também não saiba que, na Ásia, não é apenas a China que consome, massivamente, estas espécies!
Se não sabia o anterior, então deverá ficar surpreendido ao saber que cerca de 29 toneladas (vinte e nove mil quilos!!!) de vida selvagem são exportadas, a cada dia, do Vietname para a China. Sim, por dia!... Isso perfaz, anualmente, 10500 toneladas. Destas, 6500 toneladas são tartarugas. Contas feitas, são 17400 tartarugas/dia. Dezassete mil e quatrocentas. Por dia!
E o que dirá se lhe dissermos que para aumentar o seu peso (e, logo, o seu valor de venda), muitas das tartarugas são forçadas a engolir areia ou são submetidas a injecções de água?
Embora pedindo desculpa (porque o quadro já é tão depressivo...), não podemos deixar esquecido o impressionante facto de que, entre o momento da sua captura até ao momento em que são mortas, muitas destas tartarugas passam inúmeras semanas sem se alimentar, empilhadas em sacos (onde não se podem mexer, tal a sua densidade), dentro de caixas e contentores, à mercê das infecções causadas pelos anzóis que lhes ferem a boca, o esófago, o estômago...
Em suma, ainda poucas pessoas sabem que dezenas de milhões de tartarugas morrem anualmente, nos mercados Asiáticos, contribuindo para que, em menos de 50 anos, a maioria das espécies de tartarugas e cágados tenha entrado num processo (que aparenta ser irreversível) de extinção.
E, sim!, estamos a falar de um grupo com mais de 265 espécies e que vive no nosso planeta há quase 250 milhões de anos; um grupo que viu nascer imensas espécies de dinossáurios (e que os viu desaparecer a todos!), que viu as primeiras aves a voar e que até acompanhou o nascimento dos primeiros hominídeos, incluindo o tal Homo que se auto-denominou sapiens...
Mas o consumo de tartarugas (e dos seus ovos) ou a sua venda nos mercados de animais de estimação não é a única fonte de problemas para estas espécies. A rápida (e inexorável) ocupação ou fragmentação dos territórios naturais (associada à agricultura, ao povoamento, aos transportes, ao turismo), a poluição de massas de água (onde muitas vivem), a exaustão dos recursos naturais (que lhes serve de alimento), a introdução de espécies exóticas (mais competitivas ou predadoras), as medicinas alternativas, entre muitos outros factores, contribuem, de forma implacável, para o mesmo destino: o rápido desaparecimento destas belas e extraordinárias criaturas.
Mas que não haja equívocos: as ameaças não estão circunscritas ao Sudeste Asiático. Este é um problema global. Massivo. Nosso!
No entanto, e embora a taxa de reprodução e crescimento das tartarugas seja lenta, e o risco de extinção de muitas destas espécies (marinhas, terrestre e anfíbias) seja extraordinariamente veloz, o seu desaparecimento não é inevitável.
Consciente disso mesmo, a EAZA - European Association of Zoos and Aquaria idealizou e está a implementar a Shellshock Turtle & Tortoise Campaign, que visa alertar para estas graves ameaças. E há espaço (necessidade) para todos os que querem e podem ajudar. Se acha que pode contribuir para este esforço, contacte-nos!
Entretanto, podemos ir pensando também nisto: nos últimos anos, milhões de humanos têm sido deslumbrados e deliciosamente assustados com fantásticas reconstruções digitais de imponentes Tyrannosaurus rex e elegantes Quetzalcoatlus, entre tantos outros, nos seus ambientes do Período Cretácico. Mas não é uma ideia ainda mais assustadora sabermos que muitas espécies de tartarugas, que ainda há trinta anos se contavam em centenas de milhares de indivíduos, brevemente só poderão ser vistas no mesmo tipo de documentários que agora nos deliciam com imagens computorizadas dos há muito extintos lagartos terríveis?...
É um facto incontornável: em menos de 30 anos de forte impacto humano, várias destas provectas e gentis espécies já estão condenadas ao desaparecimento. Será que ainda vamos a tempo de salvar as restantes? E será que já percebemos que extinção significa Para Sempre?...
Élio Vicente, Biólogo Marinho
Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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Ed Hardy Outlet July 23, 2011 08:13 AM PDT
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Finn September 17, 2010 09:25 PM PDT
Very informative post. Thanks for taking the time to share your view with us.
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Espectro #999 January 31, 2005 12:12 AM PST
Amigo Élio Vicente, é com pesar enorme que acabei de ler estas linhas aqui deixadas por alguém que percebe da "poda". Não sabia, ou seja, pelo menos não com essa dimensão. E diz-me [...] o que poderemos nós fazer ?
Convido-te a veres a 'Arte' exposta no meu território e a opinares sobre a mesma, se entenderes que mereça.
Abraço e inté. |
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Joss December 12, 2004 02:53 PM PST
oix ppl!
Ainda no outro dia, estive a ver umas fotos antigas e encontrei uma foto de uma amiga minha em frente a um aquario num restaurante, e fiquei em choque porque estava uma tartaruga!na altura devo ter achado muito bonito, mas agora so fico triste porque na altura nao sabia o que estava mal. no fim so podemos corrigir o que esta mal quando sabemos o que esta mal. E uma lição!
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MP November 15, 2004 01:37 PM PST
Parabéns!
Um espaço que faltava e que , à minha medida vou divulgar.
Abraços. |
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Marco Bragança November 2, 2004 01:28 PM PST
Cara Forminguinha, obrigado pela divulgação desta nossa ferramenta educacional e os parabéns pelo sucesso do seu blogue. |
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Formiguinha October 30, 2004 01:49 AM PDT
Aproveitando que o meu blog está no Top25 do Sapo coloquei o vosso blog em destaque. Cumprimentos |
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