Autodestruição da Globalização António Lima Grilo, Vencedor Nacional da Categoria Sénior das XIII Olimpíadas do Ambiente
Hoje vivemos num T0. Para conhecermos basta queremos. Para encontrarmos basta sair de casa. Pois é: o mesmo planeta que há coisa de 50 anos era enorme e em que era preciso imenso tempo para nos deslocarmos de um local para outro desapareceu. Hoje qualquer distância se faz em pouco tempo. Num dia, que era o tempo de uma viagem norte-sul em Portugal, podemos estar do outro lado do mundo.
A este mundo novo já não chamamos Terra de Vera Cruz, apesar de as potencialidades serem as mesmas. Em escalas diferentes. A este novo mundo chamamos mundo global. Passam a ser possíveis os contactos com todo o mundo por qualquer via e passamos a poder estabelecer contactos com todo o mundo de forma rápida.
A globalização, de que tanto se houve falar, criou uma teia de relações globais tanto no domínio pessoal como social como económico como estatal permitindo um intercâmbio ideológico, intelectual e cultural muitíssimo saudável, na minha opinião. Esta mesma globalização depende da inteligência do Homem. O que queremos para o futuro global? Temos duas hipóteses: ou o futuro passa pela relação interpessoal (que é um bem aliás escasso) ou passa pelo fim das relações humanas. O mesmo desenvolvimento tecnológico que permitiu a união de pessoas dos 5 continentes mostra já grandes possibilidades de as separar, mesmo as que vivem na mesma cidade. Hoje uma chamada, um SMS ou um e-mail estabelecem contacto privilegiado com seja quem for não se dando valor às relações interpessoais.
Actualmente, para além do problema tecnológico, temos o problema fóssil. Tornando-me mais claro: mesmo que queiramos estabelecer relações interpessoais com os quatro cantos do mundo se não tivermos como nos deslocarmos torna-se claramente mais difícil. Impossível. Se noutros tempos foi o nosso pouco conhecimento que nos levou a optar por um crescimento insustentável agora é a nossa inteligência que nos bloqueia o acesso à sustentabilidade. Não explorámos os recursos da Terra de forma a podermos lucrar sempre deles. Mas agora que sabemos como fazer uma exploração adequada dos recursos que nos restam continuamos sem querer fazer nada.
Sem combustíveis fósseis, e com uma enorme inaptidão para procurar alternativas, caminhamos a passos largos para o fim daquilo que permite que as sociedades e que a sociedade global funcionem.
Estamos a conseguir duas coisas ao mesmo tempo: acabar com as nossas sociedades, e a preparamo-nos para uma "terceira guerra mundial com paus e pedras", e ao mesmo a acabar com a possibilidade da nossa existência tal como a conhecemos.
Cabe-nos a nós, jovens preocupados e atentos alertar os que têm poder de decisão para tomarem as decisões correctas. Cabe-nos a nós, jovens de ciência e conhecimento mostrar por a + b que a sustentabilidade é possível e necessária e com menos custos financeiros, humanos, e de recursos e assim dar aos que decidem os instrumentos da decisão. Cabe-nos a nós, jovens garantir que quando tivermos a decisão nas nossas mãos a tomaremos em consciência de acordo com os valores de uma cidadania ambiental e global consciente.
É o nosso futuro. O tempo é de acção. São nossas as decisões. O que é que queremos?
Nesta fotografia estão todos os 300 participantes do London International Youth Science Forum 2009. E a pergunta é : Como é que eu fui lá parar? Eu e o João Vicente (primeira fila na ponta direita). Como é que nós fomos lá parar?
A resposta é igual e simples: Ambos fomos participantes vencedores nacionais das Olimpíadas do Ambiente. O João foi participante em 2006 e este ano membro do Staff do evento. Eu fui participante este ano e posso garantir-vos: é uma experiência absolutamente fantástica – ciência em todas as suas formas, em todas as suas áreas e com os melhores especialistas de todo o mundo! E ainda 300 participantes de 40 países! Foi fabuloso!
Por isso já sabem empenhem-se nas Olimpíadas e serão bem recompensados. Se nós conseguimos, vocês também conseguem!
Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine