Workshop Prático de Recuperação de Animais Silvestres
A Quinta de Marim - Parque Natural da Ria Formosa, em Olhão, acolhe a 8ª edição do Workshop Prático de Recuperação de Animais Silvestres.
Esta acção é organizada pela Associação Aldeia e pelo Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens (RIAS) e terá lugar entre 11 e 14 de Dezembro.
Toda a informação sobre esta acção pode ser consultada na página electrónica da Associação Aldeia.
Podes nadar mas não te consegues esconder João Neves, biólogo
É assim que começa o
título de um interessante artigo acerca do estado global de conservação
dos tubarões e raias oceânicos com comportamentos pelágicos.
Embora com uma linguagem objectivamente científica, este artigo de 2008, publicado na revista Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems e facilmente disponível na página electrónica da Shark Alliance,
traz à superfície uma realidade que teima em não ser admitida pelos
organismos reguladores das pescas a nível mundial – o grupo dos
tubarões e raias estão em sérios problemas de sustentabilidade futura.
Resumidamente, este
estudo confirma o que outros já apontavam e que há muito se suspeitava,
trazendo ainda mais números para cima da mesa: três quartos das
espécies de tubarões e raias oceânicas estão hoje ameaçados de
extinção. Algumas já têm o “honroso” lugar de se encontrarem ameaçadas
em qualquer ponto do planeta, isto é, não apenas em alguns pontos do
planeta mas sim em todos e quaisquer oceanos que nos rodeiam.
Acrescido a isto, e
não sendo também novidade para a comunidade científica e política, a
biologia e ecologia destes elasmobrânquios (grupo dos tubarões e raias)
é há muito conhecida. Sabe-se perfeitamente que, embora peixes,
apresentam muitas semelhanças biológicas com os mamíferos – maturidade
sexual tardia, período de gestação prolongado e um input geracional
muito baixo (poucos indivíduos nascem por gravidez), o que dificulta
muitíssimo a renovação populacional deste grupo um pouco por todo o
mundo.
O que antes era
considerado um recurso praticamente inesgotável, seja por comodidade
política ou por incoerência estratégica, como a pesca de grandes
predadores como os tubarões e raias, é hoje um enorme sinal de alerta
para a saúde e sustentabilidade dos oceanos no geral. Se, porventura,
tivermos o azar de levar à extinção grande parte destes predadores
(para onde, aparentemente, caminhamos se nada mudar), o futuro não
augura muito de bom, pese objectivamente o facto dos oceanos serem o
“tampão” regulador do grande ecossistema que é a biosfera.
E o artigo termina
reafirmando como é de extrema importância a implementação efectiva de
um verdadeiro e eficaz controlo das capturas e da prática do finning (na qual são retiradas as barbatanas aos tubarões e largados vivos no mar) a nível mundial.
Como muito na vida,
um título é, muitas vezes, o “empurrão” que nos leva a ter interesse
pelo assunto. Aqui, e na minha humilde opinião, resulta muitíssimo bem:
You can swim but you can't hide: the global status and conservation of oceanic pelagic sharks and rays.
Esta época foi caracterizada pela sua megafauna. Os animais, como os ursos ou os tigres, eram muito maiores do que os que actualmente povoam a Terra. Estes animais de grande porte desapareceram, restando apenas animais mais pequenos, mas ainda de tamanho considerável, como os elefantes ou rinocerontes.
Resposta à pergunta de 2009/11/16: Durante a época Holocena, o grupo de mamíferos com maior distribuição, a nível mundial, foi o dos Hominídeos. A época Holocena, a que vivemos actualmente, é marcada pelo aparecimento da civilização.
Esta é uma relação incontornável no processo evolutivo de qualquer espécie e na qual a natureza trata de se encarregar da sua aplicação – quanto maior o custo de uma adaptação, maior terá que ser o seu benefício. E as abelhas-orquídea são um excelente exemplo disso...
Altamente especializadas, desenvolveram longas línguas que lhes permitem retirar o néctar de orquídeas que apenas elas conseguem sugar. Após um estudo por parte de Brendan Borrell da Universidade de Berkeley, California, com o objectivo de tentar perceber qual o custo de tal característica anatómica relativamente a outros insectos nectarinos, revelou que as abelhas-orquídea ficam em desvantagem em termos de velocidade de sucção e mobilidade. Em contrapartida, têm a vantagem de aceder a flores cuja quantidade de néctar pode ser cerca de 10 vezes superior à obtida pelas "vulgares" abelhas.
Esta teoria explica que as eras do gelo que ocorreram durante a época do Pleistocénico, se deveram às oscilações que existem na órbita da Terra à volta do Sol, o que provoca alterações climáticas.
We've got to somehow stabilize our connection to nature so that 50 years from now, 500 years, 5,000 years from now there will still be a wild system and respect for what it takes to sustain us.
Sylvia Earle. Bióloga marinha norte-americana, conhecida como a embaixadora dos oceanos, tendo já sido galardoada por inúmeros títulos honoríficos. Fundou o Projecto Mares Sustentáveis (Sustainable Seas Project), que realiza actualmente uma série de explorações científicas nas reservas marinhas dos Estados Unidos da América.
Sobrevivência... a quanto obrigas! Rita Lopes, educadora ambiental
Na Natureza, por vezes, a sobrevivência significa mentir, roubar ou camuflar-se. A sobrevivência no mundo natural, onde quase todos os animais servem de alimento a outros, exige truques ardilosos para enganar os predadores.
O truque mais frequente é o mimetismo visual, desenvolvido para enganar o olhar...
O percevejo-das-plantas (Anisocelis flavolineata) possui extensões foliáceas vermelhas nas sua patas posteriores que desviam as atenções dos predadores para órgão não-vitais.
O corpo de um insecto-pau (Acanthodis curvidens) da Ordem Phasmatodea, imita na perfeição a casca de uma árvore com protuberâncias que o assemelham a um galho. Adicionalmente, este insecto nocturno mantém-se imóvel durante as horas de luz para melhor se dissimular. A sua intenção é permanecer invisível aos olhos de predadores de vista apurada que usam a visão para caçar. Ao cair da noite, alimentam-se da folhagem e detritos do solo da floresta onde habita.
Noutras situações, o burlão pretende que reparem em si – um peixe-sapo (Antennarius sp.) movimenta o seu apêndice, localizado no topo da cabeça, como um isco atraindo assim incautas presas.
Mas o logro vai ainda mais além! As lagartas das borboletas são devoradoras vorazes de folhas. As aves adoram lagartas gordas e suculentas e quando voam procuram sinais de folhas roídas. Para impedir o reconhecimento aéreo, uma lagarta da família Geometridae optou por um estilo alimentar original – em vez de mastigar as folhas de forma aleatória, corta-as avançando pelas margens, usando as suas mandíbulas como uma tesoura. Quando termina o seu banquete, as folhas ficam mais pequenas mas os contornos mantém a sua forma natural serrada.
Mas também existe o mimetismo vocal...
Uma espécie de mariposa da família Arctiidae, dissuade os morcegos predadores imitando estalidos ultra-sónicos de uma outra espécie de borboleta nocturna, tóxica e muito menos apreciada pelos morcegos.
Existe ainda o impressionante mimetismo olfactivo...
As orquídeas do género Bulbophyllum desenvolvem flores grandes e fétidas com aspecto e odor putrefacto para atrair moscas necrófagas, que poisam nas suas flores, na esperança que estes insectos polvilhados de pólen as ajudem a reproduzir-se.
E imagine-se... existe uma forma de mimetismo táctil! Como o de um fungo parasita que vive nas câmaras interiores de termiteiras, onde se mantém quente, húmido e livre da competição, assumindo a forma e a textura dos ovos maduros das térmitas.
O mimetismo exemplifica a evolução através da selecção natural, em que os progenitores geram uma numerosa descendência que, na sua maioria, é eliminada pelo acaso e pela natureza cruel para com os inadaptados. Se uma ligeira alteração das suas características morfológicas ou comportamentais lhe conferir vantagens suficientes para sobreviver até acasalar, a sua prole poderá herdar esse “traço” afortunado. E se na descendência, alguém o superar como imitador, passadas algumas centenas de gerações, esse carácter será transmitido e tornar-se-á uma característica da sua espécie.
Na natureza abundam imitadores preenchendo cada nicho e enganando todos os sentidos. Por vezes o disfarce serve de camuflagem, permitindo escapar a predadores, presas, ou até ambos. O importante é sobreviver!
O avanço do gelo provocou alterações nos níveis do mar. Grandes quantidades de água ficaram presas no gelo, o que originou uma diminuição dos níveis dos mares.