"ln the end we will conserve only what we love. We love only what we understand. We will understand only what we are taught."
Baba Dioum, 1968




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2009-12-31
O DE do ZM Recomenda

E com o ano novo...

... o blogue educacional do Zoomarine passa a ser consultado através do seguinte endereço electrónico:

http://zoomarineblogue.blogs.sapo.pt/

Esperamos pela sua visita!

Blogue educacional do Zoomarine - uma entrada nova todos os dias!

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2009-12-30
Um Autor Convidado

O Ano dos Funerais
Élio Vicente, biólogo marinho

Neste 2009 que agora termina, uma expressão houve que comecei a utilizar e que utilizei mais vezes do que julgaria previsível...

Acreditei que, quando em contexto, ela me ajudaria (com maior ou menor sucesso) a explicar uma ideia e a assumir uma convicção (e, por vezes, uma necessidade). E expressa, para o melhor e para o pior, alguns momentos (mais felizes e menos felizes) da minha vida pessoal e profissional ao longo do ciclo de 12 meses que está prestes a terminar.

A expressão é "O progresso acontece funeral a funeral".

Numa sociedade em que o tema da morte ainda é tabu e onde poucas pessoas são ensinadas a lidar com a "dama de negro" (antes e depois desta se impor, literalmente, nas nossas vidas e nas vidas de quem conhecemos e de quem amamos), pode não ser fácil aceitar quem usa, aparentemente de uma forma quase leviana, uma frase como esta. Por vezes senti, nos outros, algum "choque" quando a ouviam pela primeira vez... E se poucas pessoas sabem comportar-se num funeral (e muito menos num enterro...), ainda menos parecem saber como abordar uma pessoa que está a atravessar, emocionalmente, um processo de morte. Inerentemente, também poucas pessoas acharão normal que alguém possa usar tal expressão para mostrar que... chegou a mudança.

Porque, entre outras coisas, e na sua percepção mais básica, é isso que a morte significa - Mudança.

Naturalmente, a dor associada à perda (uma mudança...) tende a ser a parte mais difícil para a maioria de nós. Mas não é a única imposição que uma morte acarreta...

[como podem perceber, estou a usar, qual personagem do Harry Potter, a expressão "morte" da mesma forma como o nome "Voldemort" deveria de ser referido; decidi assumir a palavra "morte" de uma forma directa, olhando-a nos olhos, consciente e respeitoso do seu poder; preciso de a aceitar - e um dos primeiros passos é a sua verbalização].

Voltando à expressão...

Quando usei tal frase nunca pretendi chocar ou surpreender ninguém. Nunca. O problema é que raras pessoas perceberam a sua génese - e, portanto, raramente perceberam o seu uso...

A verdade é que a primeira semana de Janeiro de 2009 começou por trazer uma das mortes mais difíceis da minha vida. Foi, praticamente, há um ano. E tal perda teve um tal impacto em mim que nunca anteveria ser tão forte (é que, por mais que se prepare a mente, nunca se prepara o coração...).

Ora como qualquer biólogo sabe, os organismos vivos mudam todos os dias. Mudam fisiologicamente (contigências da marcha inexorável do tempo...) e mudam emocionalmente. Chamamos-lhe "evolução", apelidamo-la de "crescimento".

Pois eu "cresci" imenso, num horroroso dia de Janeiro, e em muito poucas horas...

E fui induzido a crescer ainda mais, várias outras vezes, desde então.

Há 12 meses, portanto, que o chavão que referi anteriormente (uma suposta adaptação de uma frase de Max Planck) me vem ajudando, semana após semana, em vários aspectos práticos e emocionais. Usar a frase foi, entre outras coisas, uma forma de, pública e oficialmente, me auto-impor uma catarse e me habituar à ideia de que nós não pertencemos a ninguém e ninguém nos pertence. Foi uma forma de me consciencializar em absoluto de que não pertencemos a nenhum processo e que nenhum processo nos pertence. E de me tornar ainda mais íntimo da ideia de que nunca estaremos neste mundo suficiente tempo para homenagear quem merece (e dessa/s pessoa/s desfrutar o máximo possível...).

Naturalmente, mais tardia ou precoce, mais suave ou abrupta, mais consciente ou inconsciente, após uma percurso mais feliz ou infeliz, o conceito (e a experiência - ainda que indirecta) da morte representa, para a grande maioria de nós, o "fim"... Mesmo para quem é crente, a morte representa o fecho de um percurso. A irrevogável mudança para um estado do qual não há retorno... Representa a dissolução (biológica - para os religiosos ou crentes; ou absoluta - para os restantes). E representa sempre uma perda...

E, como defendi atrás, nós ainda não somos verdadeiramente ensinados a lidar com as perdas. Especialmente, com as que são emocionais.

Eu não sou excepção. Em 2009 despedi-me de algumas pessoas e de alguns projectos que foram imensamente importantes para mim. Algumas dessas pessoas acompanharam-me por quase 40 anos; outras, por mais de 10 ou 15 anos. Uma dessas pessoas morreu-me biologicamente... Outras impuseram-me (directa ou indirectamente) outras tantas mortes emocionais (morte nas partilhas e nos convívios). Outras houve perante as quais fui eu quem teve que assumir a morte.

Foram processos extraordinariamente dolorosos, praticamente sem excepção. Mesmo o "mais leve" foi muito duro. E por isso mesmo, em todos os casos também morreu uma parte de mim (outro chavão - mas são nas suas verdades subjacentes que os chavões se tornam poderosas ferramentas pedagógicas e de comunicação) .

Mas as perdas, por vezes, implicam conquistas. Perdemos pessoas, perdemos projectos, perdemos oportunidades. Mas podemos aprender sempre algo...

E é com esta ideia que pretendo terminar este texto [que, para o melhor e para o pior, e atendendo à data em que será publicado, poucas pessoas lerão]: que pode haver uma perspectiva positiva da morte.

Eu explico...

A "morte" que motivou este texto remete para um óbito metafórico - uma morte essencialmente simbólica; uma "morte boa"... Este texto é sobre o desaparecimento de uma morada (ainda por cima, tão fugaz como todas as moradas electrónicas) e, mais importante ainda, de uma gloriosa época. Desaparece uma morada muito importante para mim (e para outros colegas e amigos) e, em consequência, nasce uma nova morada e uma nova reorganização emocional. Tudo sincronizado com o Novo Ano (que sucede a um outro que morre dentro de horas).

Cinco anos volvidos após o seu nascimento, morre o blogue do Zoomarine na sua forma "blogdrive"...

Poderão perguntar-se alguns que importância tem tal? Para esses, nenhuma, certamente; mas imensa, para mim. É que embora seja eu um homem com formação científica, sou muito mais um homem de emoções do que um homem de factos e objectivos. E nesse sentido, ao longo de cinco anos, este blogue representou, para mim, um dos períodos mais ricos e motivantes da minha vida profissional e pessoal. "Morre" no Inverno de 2009, depois de ter nascido no Outono de 2004 - um ano absolutamente inenarrável, de tão intenso que foi. Agora, qual insecto em metamorfose, evolui para uma outra forma de vida e para uma outra vida. Mesmo DNA - outro "ecossistema".

Nestes cinco anos [assumo-o], este blogue representou algo (demasiado) especial para mim [o que será, certamente, uma grande surpresa para todas as pessoas que me rodeiam, com a excepção de apenas uma, que não lerá este texto]. Vi o blogue crescer como símbolo de uma equipa e de um entusiasmo partilhado; muito ironicamente, teve na sua génese uma outra morte. Agora, qual pai que vê o seu filho a constituir a sua família, sinto-o a deixar de precisar, formalmente, dos meus cuidados no dia-a-dia (mas diga-se, em abono da verdade, que há demasiado tempo havia prescindido de tal). Vi-o crescer e expandir, ganhado "alma". Vi-o "feliz" e robusto, saudável e confiante. E agora vejo-o partir para a vida adulta, numa outra "cidade". Parte e com ele "leva" o período de 5 anos que tão especial foi para mim.

The King is dead. Long live the King! E por isso mesmo, dentro de dias, após uma "morte" que representa evolução, o Blogue do Zoomarine muda de casa (tal como eu) e começa uma nova vida - com uma nova cara, uma outra dinâmica e, claro, ainda mais independente de um dos seus progenitores.

Mas atenção: é muito bom que assim seja! Embora possa sentir alguma tristeza, fico feliz e, acima de tudo, muitíssimo orgulhoso...

"Mas podemos aprender sempre algo... [perdoem-me, se faz favor, a auto-citação]. E eu aprendi também com esta mudança. Porque esta saudável tristeza ajuda-me a perceber, cada vez melhor, o sentimento de redundância que os meus avós sentem pairar sobre eles (injustamente, estou convicto...) e que começa a "abraçar" outros conhecidos meus. São as novas gerações a tomar o lugar das mais velhas. São as novas gerações a começar a cuidar e a ensinar as mais novas...

Ora tudo isto poderá parecer desajustado para quem conhece a minha idade biológica. Mas acreditem que os óbitos, sejam eles biológicos e/ou metafóricos, nos envelhecem - no que o envelhecer tem de bom e de menos bom. E eu estou a ficar velho.

Por isso mesmo, e goste-se ou não, acredito, mais do que nunca, que o progresso acontece funeral a funeral. E, como homem de ciência e como "pai" de alguns projectos que tanto estimo, e "progenitor" de vários profissionais que tanto admiro, não deixa de ser reconfortante finalmente perceber o como os funerais podem, na sua infeliz realidade e na sua pesada dor, ser libertadores e inspiradores.

Aos que perdi, nas suas diferentes mortes, ao longo 2009: nunca Vos conseguirei explicar como foram importantes para mim. Nunca Vos farei a devida justiça à felicidade que me proporcionaram e aos ensinamentos com que me presentearam. E nunca Vos deixarei "ir"...

Ao blogue do Zoomarine (que, agora, deliciosamente também "me morre"...): que o teu glorioso percurso continue com o rigor, a força e a diversidade de sempre, permitindo a muitos (como eu) continuar a aprender e a ser inspirado pela força e magia da Natureza - aquela que é a mãe dos funerais e a raínha da evolução.


Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2009-12-29
Curiosidades da Fauna e Flora

Capacidade de suster a respiração

Talvez para inveja de muitos animais que respiram ar como nós, as tartarugas marinhas são especialistas na capacidade de suster a respiração debaixo de água. Um fantástico exemplo disso mesmo é a tartaruga-verde (Chelonia mydas
) que consegue, em determinadas alturas de menor actividade, suster a sua respiração por cerca de 5 horas (!), sendo que o seu coração bate uma vez em cada... 9 minutos.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2009-12-28
Uma Questão de Educação

Nos últimos 500 anos, quantas espécies se extinguiram devido à actividade humana?

1. 20 espécies;
2. 147 espécies;
3. 0 espécies;
4. 869 espécies.

Resposta à pergunta do dia 2009/12/21:
Actualmente estão catalogadas cerca de 2 milhões de espécies de animais e plantas em todo o mundo, sendo apenas cerca de 5 a 10% do total de espécies que se pensa existir no planeta. As estimativas totais de espécies no planeta variam entre os 15 e 30 milhões.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2009-12-27
Ao Sabor da Corrente

Sapo palreador

Mais uma nova espécie de anfíbio foi recentemente descoberta na Austrália, desta feita, um sapo identificado como
Litoria myola que habita uma área de apenas 3,5 quilómetros quadrados e está catalogada como criticamente ameaçada.

Tem a particularidade de proceder a vocalizações muito aceleradas e é consideravelmente agressivo para os seus pares, quando em modo de defesa do habitat ou competição por fêmeas.

Estima-se que, só na Austrália, duas novas espécies de animais ou plantas sejam catalogadas por semana. Nos últimos 10 anos, mais de 1300 novas espécies foram descobertas naquele país.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2009-12-26
Palavras com Sentido

Aquífero

Formação geológica com boa porosidade e permeabilidade, que permite a circulação e armazenamento de água que pode ser acedida em quantidades economicamente aproveitáveis.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2009-12-25
Alguém o Pensou

"For fossils to thrive, certain favorable circumstances are required. First of all, of course, remnants of life have to be there. These then need to be washed over with water as soon as possible, so that the bones are covered with a layer of sediment."

Richard Leakey
. Paleontólogo, conservacionista e político queniano, é autor de vários livros acerca da origem humana, além de convicto defensor da Natureza através de vários cargos de responsabilidade que ocupa no Quénia.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2009-12-24
O DE do ZM Recomenda

Biblioteca Digital Mundial da UNESCO

Na Biblioteca Digital Mundial, disponível na
página electrónica, estão reunidos documentos, mapas, fotos e filmes, de todos os tempos, com valor de património que permitirão conhecer melhor as diferentes culturas do mundo, em mais de 50 idiomas.

Entre os documentos mais antigos podem ser encontrados os primeiros mapas da América de 1562 ou um documento japonês, considerado o primeiro texto impresso da história, publicado no ano de 764.

Esta biblioteca conta actualmente com 1200 documentos, mas foi criada para um número ilimitado, que estão organizados por épocas, geografia, tipos de documentos ou instituição. 

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2009-12-23
Um Autor Convidado

Aliens no Guadiana
Pedro Morais, biólogo marinho

Quando pensamos em Aliens pensamos em extra-terrestres! Na melhor das hipóteses lembramo-nos dos simpáticos e amistosos Alf e E.T., na pior das situações recordamos a estranha criatura do filme "Alien" (1979) de Ridley Scott e com Sigourney Weaver.

Pois, no estuário do Guadiana o que vamos encontrar são espécies não-nativas, ou como vulgarmente se denominam em inglês alien species. Considera-se que espécies não-nativas são aquelas que não fazem parte da fauna ou flora autóctone de uma determinada região. No estuário do Guadiana a espécie não-nativa que mais interesse tem merecido pelos investigadores do Centro Internacional de Ecohidrologia Costeira, o qual foi recentemente criado em Portugal sob os auspícios da UNESCO, é o bivalve Corbicula fluminea.

O bivalve Corbicula fluminea, ou amêijoa-asiática, é uma espécie originária do sudeste asiático e é considerada uma das 100 espécies invasoras com efeitos mais nefastos para o funcionamento dos ecossistemas europeus. Este bivalve encontra-se em sistemas aquáticos de água doce ou salobra de todos os continentes. Em Portugal, a sua presença foi detectada pela primeira vez em 1980 no estuário do Tejo; enquanto que o primeiro registo sobre a sua presença na bacia hidrográfica do Guadiana remonta a 1988.

Actualmente podemos encontrar esta espécie no estuário e rio Guadiana, bem como em algumas das ribeiras da sua bacia hidrográfica. Ao contrário do que acontece noutros locais, como no estuário do Minho, a presença deste bivalve invasor parece não ter efeitos nefastos na diversidade dos bivalves nativos. Nas ribeiras da bacia hidrográfica do Guadiana, os principais de factores de risco para a subsistência dos bivalves nativos nos pequenos pêgos que se formam no Verão são a utilização de água dos pêgos para irrigação agrícola, a degradação da qualidade da água e, em última instância, as alterações climáticas, que no caso do Guadiana serão a diminuição da precipitação e prolongamento dos períodos de seca.

Para mais informações sobre a amêijoa-asiática pode consultar o sítio onde pode ver um vídeo sobre a amêijoa-asiática no baixo Guadiana e ler uma notícia, publicada pelo DN em Novembro de 2008, sobre a presença deste bivalve no estuário do Rio Minho.


Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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2009-12-22
Curiosidades da Fauna e Flora

Dos 0 aos 70...

… em menos de 3 segundos!

Esta é a velocidade de arranque da chita (Acinonyx jubatus
), fazendo inveja a muitos veículos de competição que por aí andam. Além desta  estonteante capacidade de arranque, consegue atingir velocidades de 100 km/h quando em perseguição de uma presa, ainda que apenas por breves instantes.

Publicado às 12:00 am por Departamento Educacional do Zoomarine
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